Cirurgia vai garantir audição a bebês gêmeas em São Paulo

As duas meninas, de um ano e dois meses, nasceram surdas dos dois ouvidos e agora terão a chance de ouvir os sons do mundo

Neste domingo, dia 30 de junho, teremos um acontecimento inédito no Brasil. As pequenas gêmeas Luíza e Clara, de um ano e três meses, passarão por cirurgias de Implante Coclear, o que vai possibilitar para ambas o sentido da audição, já que elas nasceram surdas dos dois ouvidos. As cirurgias serão realizadas a partir das 7hs no Hospital São Luis, no bairro do Jabaquara, na capital paulista, pelo médico Dr Jamal Azzam, Otorrinolaringologista formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e com mais de 30 anos de experiência.

“As cirurgias de implante coclear em crianças pequenas são comuns hoje em dia. O que é inédito nesse procedimento é a cirurgia em ambos os ouvidos de irmãs gêmeas com apenas um ano e três meses de idade. Essa cirurgia costuma ser rápida mas, neste caso, devem durar cerca de 3 a 4 horas pelo fato de as meninas serem bebês e as cirurgias serem bilaterais”, explica o Dr. Jamal Azzam.

As gêmeas Luiza e Clara nasceram prematuras, de 25 semanas, no dia 8 de março de 2018 , ambas com baixo peso – Luíza com 690g e Clara, com 795g –, um fator de risco para surdez. Elas permaneceram por quatro meses na UTI, onde enfrentaram infecção generalizada (septicemia). Após falhas no Teste da Orelhinha, uma avaliação audiológica completa foi feita e ambas receberam o diagnóstico de surdez profunda bilateral.

Em dezembro de 2018, as gêmeas receberam os primeiros aparelhos de amplificação sonora convencionais, adaptados pela fonoaudióloga Andréa Caruso, e então tiveram o seu primeiro contato com o mundo sonoro. No entanto, em decorrência do grau profundo da perda auditiva, as células responsáveis pelo envio da informação ao nervo auditivo e depois ao cérebro foram intensamente danificadas, e mesmo com o aparelho auditivo mais potente, Luíza e Clara não conseguem ouvir os sons da fala, tão importantes nesta fase do seu desenvolvimento.

Com o Implante Coclear – um dos maiores avanços tecnológicos da medicina moderna – as bebês terão agora uma nova oportunidade de escutar. Este dispositivo tem um componente interno, implantado cirurgicamente, e um componente externo, fixado no crânio, atrás da orelha, que capta os sons e os transmite aos eletrodos que substituem a função das células lesadas.

De acordo com Dr. Jamal Azzam, após um mês do implante, o dispositivo fixado no crânio será ativado e, então, as gêmeas poderão ouvir os sons com nitidez pela primeira vez, iniciando a partir daí o processo de aprendizado e diferenciação dos sons. O médico explica também que Luíza e Clara estão em um momento fundamental, em que o cérebro desenvolve várias habilidades. “Por meio do ouvido biônico, que é o nome popular do implante coclear, acompanhamento profissional adequado e uma família participativa, espera-se que elas alcancem um progresso rápido e efetivo da audição e das habilidades de comunicação, podendo igualar-se ao de crianças ouvintes da mesma idade”, garante o especialista.

A cirurgia e os aparelhos do Implante Coclear serão fornecidos pelo plano de saúde da família, uma vez que a cirurgia consta no rol da Agência Nacional de Saúde (ANS). Vale ressaltar, no entanto, que a lei inclui todos os pacientes do SUS, ou seja, a totalidade da população brasileira tem acesso a esta reabilitação auditiva gratuitamente.

O que é implante coclear?

O implante coclear ou “ouvido biônico” é um aparelho eletrônico digital de alta complexidade tecnológica, que tem sido utilizado para restaurar a função auditiva nos pacientes portadores de surdez sensorioneural severa a profunda que não se beneficiam com o uso de próteses auditivas convencionais. Trata-se de um equipamento eletrônico computadorizado que substitui a função do ouvido interno de pessoas que têm surdez total ou quase total. Assim, o implante estimula diretamente o nervo auditivo através de pequenos eletrodos que são colocados dentro da cóclea. Estes estímulos são levados via nervo auditivo para o cérebro.

É um aparelho muito sofisticado. Foi lançado há alguns anos e já beneficia mais de 400 mil pessoas no mundo, sendo contabilizados cerca de sete mil usuários só no Brasil. O paciente é submetido a uma cirurgia simples para implantação de um dispositivo eletrônico junto ao crânio, atrás da orelha.

O processador sonoro retroauricular que será adaptado nas gêmeas é o Neuro 2, fabricado pela empresa dinamarquesa Oticon Medical, que é o menor processador existente e tem design sofisticado, apenas nove gramas de peso e o tamanho equivalente ao de um palito de fósforo, adaptando-se perfeitamente a orelha de crianças pequenas.

“O Neuro 2 é a combinação exclusiva das melhores tecnologias de um aparelho auditivo ultramoderno com um Implante Coclear. Ele usa uma tecnologia chamada BrainHearing™ para analisar o ambiente em que os pacientes se encontram e automaticamente decidir os ajustes necessários para proporcionar um som mais claro e sem distorções para eles, tornando a experiência da audição mais confortável e com menor esforço de escuta”, afirma a fonoaudióloga Fabiana Danieli, gerente de produto da Oticon Medical.

Além disso, o Neuro 2 é voltado para a adaptação em crianças pequenas. “O Neuro 2 fornece uma base sólida para o desenvolvimento da linguagem, promovendo maior clareza dos sons às crianças que estão descobrindo o mundo ao redor. Elas têm, assim, mais energia e disposição para aprender”, comenta a fonoaudióloga, que é especialista em audiologia.

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