‘E Fora do Story, Você Está Bem?’: O Perigo da Aparência nas Redes Sociais

A necessidade de estar nas redes sociais, mediante, quase, à obrigação da recompensa, aumenta a ansiedade e esta, por sua vez, causa aflição

Na rede social a maioria das pessoas mostram uma vida perfeita. Mas e na realidade, suas vidas estão também “perfeitas”? O PhD, neurocientista, psicanalista e biólogo Fabiano Abreu alerta que o uso da rede social “é um pedido de ajuda, publicar-se nas redes sociais é sempre uma maneira de querer ser visto, pode ser de maneira profissional, ou uma necessidade pessoal. A questão é que somos narcisistas por natureza, faz parte do instinto de sobrevivência sermos vistos e, assim, conquistar o grupo ou o(a) parceiro(a)”.  Sim, o ser humano necessita estar em evidência, por isso ele usa as redes sociais como essa fonte de alimentar o seu próprio ego.

Esse desejo de estar o tempo todo em evidência nas redes sociais pode parecer muito bonito para quem acompanha despretensiosamente os conteúdos publicados, mas por trás a situação já requer atenção devido sua gravidade: “Existe um ciclo vicioso de enganação generalizada: a pessoa pensa que a vida do outro é melhor, mas a questão não é apenas o outro fazer parecer ser melhor; vivemos uma cultura em que ter dinheiro é melhor. E muito de quem induziu isso foi a música, principalmente as de ostentação. Tem a ver com a diferença social.  A ostentação é uma demonstração de medo de estar em uma condição que não deseja ou para suprir carências. Por isso, ouve-se dizer que pessoas que são ricas de berço não ostentam, pois aquilo é normal para eles; a não ser que busquem na ostentação uma maneira de suprir alguma falta e chamar a atenção. Já emergentes precisam mostrar o que antes não tinham, por medo e insegurança, bem como demonstração de capacidade, esta que parece não ter sido merecida ou incentivada”, explica o neurocientista.

E aí que mora o perigo: “Não são todas as pessoas que estão preparadas para enganar e serem enganadas. Há personalidades que inconscientemente se afetam com a mentira do que estão propagando. A consciência de saber que estão enganando alguém cria uma pendência que aumenta a ansiedade e esta, por sua vez, frustra, já que traz a percepção de que é uma fraude; isso coloca essas pessoas para baixo, tentando buscar ações que as façam liberar neurotransmissores da recompensa, buscando mais dinheiro e ostentação a todo custo. Como em um ciclo que pode ter um final infeliz”, detalha Abreu. 

E essas consequências são descritas pelo neurocientista: “Toda pendência gera ansiedade. Dizer ou fingir que é o que não é gera pendência por não ser, aumentando a ansiedade e causando disfunção no sistema límbico, região do cérebro da emoção, trazendo perturbações que podem levar à depressão, a transtornos ou síndromes, entre outras enfermidades cerebrais e consequentemente físicas”, completa.

Abreu termina com uma “premunição”: No futuro próximo, o melhor dos remédios será a liberdade, viver com pensamentos isentos, paixões, emoções, verdades, portanto ser você mesmo será a maior libertação. Faça o teste e me diga a sensação, garanto que será a melhor.” Finaliza

Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues

Fabiano de Abreu Rodrigues  é PhD, neurocientista com formações também em neuropsicologia, biologia, história, antropologia, neurolinguística...

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