04 de junho é Dia Mundial da Fertilidade. 17,5% da população global é infértil, segundo a OMS. Afetando tanto as mulheres quanto os homens, e com causa multifatorial, condição pode causar crises angustiantes na rotina de um casal, mas tratamento médico pode ajudar na concepção

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04 de junho é o Dia Mundial da Fertilidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 17,5% da população global é infértil, o que corresponde a uma em cada seis pessoas. Infertilidade, aqui, refere-se ao fato de um casal não conseguir engravidar após um ano de relação sexual regular e desprotegida. A condição pode ser causada por diversos fatores e afetar tanto homens quanto mulheres. “De maneira geral, nas mulheres, a principal causa de infertilidade é a idade, pois, devido ao processo de envelhecimento, há uma diminuição natural da quantidade e qualidade dos óvulos. Já nos homens, a infertilidade está relacionada principalmente a condições como varicocele, que é a dilatação das veias dos testículos, infecções urogenitais e hipogonadismo, ou seja, quando os testículos não produzem quantidades adequadas de testosterona”, explica o Dr. Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da Clínica Mater Prime, em São Paulo. Quanto antes um médico for consultado, maiores as chances de tratar o problema e – finalmente – engravidar.
Porém, não é apenas a idade e as doenças do sistema reprodutor que causam infertilidade. “Também sabemos que há um impacto dos maus hábitos de vida na fertilidade. Tabagismo, consumo de álcool, má alimentação, sedentarismo e obesidade também dificultam a concepção de um filho”, acrescenta o médico. Entre os hábitos de vida, o tabagismo e a dieta inadequada, independente do peso, são os fatores que mais prejudicam a capacidade reprodutiva dos casais. E, nos últimos anos, a maior exposição à poluição do ar também tem gerado um impacto importante na fertilidade. “O excesso de exposição a produtos químicos provenientes da poluição e de agrotóxicos pode induzir a diversos tipos de danos no DNA, levando então a mutações que, por exemplo, inviabilizam o espermatozoide, contribuindo para a infertilidade masculina”, afirma o especialista.
E a infertilidade pode criar uma das crises de vida mais angustiantes que um casal já enfrentou. “Lidar com a multiplicidade de decisões médicas e as incertezas que a infertilidade traz pode criar uma grande agitação emocional para a maioria dos casais. Muitos casais experimentam ansiedade, depressão e sentimentos de estar fora de controle ou isolado. A incapacidade a longo prazo de conceber uma criança pode evocar sentimentos significativos de perda. Mas a orientação especializada consegue minimizar esses impactos, dando espaço à esperança, com o tratamento, e à felicidade, com a concepção – quando ela é conquistada”, ressalta o Dr. Rodrigo Rosa. Por isso, o melhor a fazer é buscar ajuda médica especializada para tratar a condição.
TRATAMENTOS
A estratégia usada para tratar a infertilidade depende da causa, da idade dos parceiros, há quanto tempo o casal não consegue engravidar e das preferências pessoais. “Como são inúmeras as possíveis causas, o médico fará uma extensa investigação para identificar a real causa do problema. O casal precisará fazer uma série de exames específicos para verificar a saúde reprodutiva. Identificada a causa, o tratamento adequado será orientado pelo médico”, afirma o médico.
Dependendo da causa, o médico poderá, por exemplo, orientar o casal a tentar o coito programado. “Esse método consiste na utilização de medicamentos para estimular a produção de óvulos na mulher, fazendo com que seja possível prever o período da ovulação. O casal, então, deve ter relações sexuais nesse ciclo para que haja sucesso na concepção”, destaca o especialista, que explica que o tratamento possibilita a realização de um estímulo ovariano leve, geralmente com indutores orais de ovulação. “Esse estímulo promove um crescimento de um número maior de folículos dentro do mesmo ciclo menstrual, aumentando o número de óvulos disponíveis para fecundação e, assim, as chances de gravidez”, afirma. Além disso, o médico também pode prescrever medicamentos como as gonadotrofinas (hormônios injetáveis) para ajudar na fertilidade. Em alguns casos, medicamentos também são usados para aumentar a produção dos espermatozoides.
Alguns quadros de infertilidade são causados por obstrução ou cicatrizes nas trompas de falópio, que podem ocorrer como resultado de uma doença inflamatória pélvica. Aqui a indicação é cirúrgica. “A cirurgia pode reverter alguns casos de obstrução das trompas, mas é um procedimento pouco eficaz. A cirurgia videolaparoscópica pode ser usada para tratar casos de endometriose e a histeroscopia pode ajudar a remover miomas submucosos. Em homens, o tratamento cirúrgico está indicado nos casos de varicocele, se essa for a única causa da infertilidade do casal e houver bom prognóstico de melhora. A cirurgia de reversão de vasectomia também pode ser indicada em casos específicos”, diz.
Mas, em muitos casos, os tratamentos de reprodução assistida são a solução. Uma das possibilidades é a Inseminação Intrauterina (IUI), na qual o esperma é colocado diretamente no útero usando um tubo de plástico fino. “O procedimento é programado para coincidir com a ovulação”, diz o Dr. Rodrigo. Já na Fertilização In Vitro (FIV), o óvulo da mulher é fertilizado com o espermatozoide fora do corpo. “A medicação é usada para estimular ovulação e os óvulos são coletados e fertilizados em laboratório. O embrião é então transferido de volta ao útero. A taxa de sucesso da FIV é de cerca de 60% para cada ciclo de tratamento entre mulheres com menos de 35 anos, mas essa taxa de sucesso diminui com o aumento da idade”, conta o médico.
Por fim, em casos de ausência de óvulos ou espermatozoides, há a opção pela doação de óvulos ou sêmen, que são usados em um procedimento de fertilização in vitro. “A doação de óvulos é realizada em casos de idade avançada da mulher ou para mulheres que entraram na menopausa, enquanto a doação de sêmen é indicada em casos de ausência de espermatozoides nos testículos ou epidídimo. Mas o mais importante sempre é buscar ajuda médica especializada”, finaliza o Dr. Rodrigo Rosa.
Fonte: DR. RODRIGO ROSA: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Instagram: @dr.rodrigorosa

