Aos 41 anos, Tatá Werneck Quer Ter mais um Filho

Apesar das chances de gravidez reduzirem com a idade, principalmente após os 35 anos, combinação entre congelamento de óvulos e fertilização in vitro possibilita que mulheres conquistem a gestação mesmo em idades mais avançadas.

Em entrevista a revista Claudia, a atriz, apresentadora e comediante Tatá Werneck, de 41 anos, revelou que tem vontade de ter mais um filho. “Tenho certeza que vou ter outro filho, não sei como vai ser o caminho”, disse a artista. Mas é de conhecimento geral que um dos fatores de maior impacto nas chances de gravidez é a idade da mulher, já que ela nasce com uma quantidade pré-determinada de óvulos, que sofre uma diminuição considerável também na qualidade com o passar dos anos. Então, quais as chances de gravidez nessa idade? “As chances de gravidez caem consideravelmente após os 35 anos e reduzem de uma forma extremamente abrupta a partir dos 38, 39 anos. Para se ter uma ideia, enquanto a chance de gravidez em um ano de tentativas é de 96%, aos 25 anos é de 84% aos 35 anos, aos 40 anos essa taxa cai para 55% e para 35% aos 43”, destaca o Dr. Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo.

Segundo o especialista, com a idade, além da redução do número, os óvulos também sofrem com uma diminuição na qualidade, o que torna as mulheres menos propensas a engravidar e com maior risco de abortos espontâneos. “Uma mudança importante na qualidade do óvulo é a frequência de anormalidades genéticas chamadas aneuploidia (muitos ou poucos cromossomos no óvulo). Na fertilização, um óvulo normal deve ter 23 cromossomos, de modo que, quando fertilizado por um espermatozoide também com 23 cromossomos, o embrião resultante terá o total de 46 cromossomos. Mas, à medida que uma mulher envelhece, mais de seus óvulos têm poucos ou muitos cromossomos. Isso significa que, se ocorrer a fertilização, o embrião também terá muitos ou poucos cromossomos. A maioria das pessoas está familiarizada com a Síndrome de Down, uma condição que ocorre quando o embrião tem um cromossomo extra. E a maioria dos embriões com muitos ou poucos cromossomos não resulta em gravidez ou resulta em aborto espontâneo. Isso ajuda a explicar a menor chance de gravidez e maior chance de aborto em mulheres com mais idade”, esclarece.

Claro, isso não quer dizer que uma mulher mais velha não possa engravidar. Além de existirem exceções à regra, é possível também optar por técnicas de reprodução humana, como a Fertilização In Vitro (FIV). “A FIV é um dos tratamentos de reprodução humana mais populares. No procedimento, o óvulo é fecundado com o espermatozoide em laboratório, formando o embrião que, após atingir certo grau de desenvolvimento, é transferido para o útero da mulher”, explica o especialista, que destaca que uma das vantagens da FIV está no fato de possibilitar a seleção de embriões saudáveis, sem alterações cromossômicas. “Na FIV, os embriões podem ser avaliados por meio de exames genéticos. Dessa forma, apenas os embriões saudáveis e que não apresentam alterações cromossômicas são selecionados e implantados novamente no útero, o que reduz significativamente o risco de aborto”, diz o Dr. Rodrigo da Rosa Filho.

Mas vale ressaltar que as taxas de sucesso também são afetadas pelo processo de envelhecimento, já que a idade do óvulo utilizado é que determina a chance de gravidez. “Para se ter uma ideia, a chance de gravidez na FIV com óvulo próprio aos 44 anos é de 5% e aos 45 anos é menor que 1%”, explica o Dr. Rodrigo. Então, para mulheres que desejam adiar a gestação e pretendem fazer uma Fertilização In Vitro no futuro, é indicado realizar o congelamento de óvulos, o que aumenta as chances de gravidez por FIV. “Mulheres com até 35 anos, se congelarem pelo menos 20 óvulos, têm chances de 80% de conceber pelo menos um filho. Se os mesmos 20 óvulos forem congelados entre os 35 e 37 anos, a chance de gravidez é de 65%. Já se o congelamento desses 20 óvulos for feito entre os 38 e 40 anos, a probabilidade de a mulher ter no mínimo um filho é de 55 a 60%”, diz o Dr. Rodrigo.

Caso a mulher não tenha realizado o congelamento dos óvulos, a solução é o tratamento conhecido como ovorecepção, que consiste no uso de óvulos doados para a realização da Fertilização In Vitro. “Através desse método, as chances de gravidez aumentam para cerca de 60% por tentativa mesmo em mulheres que já apresentam uma idade mais avançada, com mais de 40 anos”, destaca o especialista.

Uma vez optada pela ovorecepção ou pelo uso de óvulos congelados, a Fertilização In Vitro ocorre como qualquer outra, com os óvulos sendo fertilizados em laboratório com os espermatozoides. “E, após atingirem certo estágio de desenvolvimento, o embrião é transferido para o útero”, conta o Dr. Rodrigo Rosa. Cerca de uma semana e meia a duas semanas depois que o embrião foi transferido, é feito um teste para ver se ele está aderido ao útero. “Um simples exame de sangue, ou mesmo um teste de gravidez caseiro, detectará os níveis de gonadotrofina coriônica humana (HCG), um sinal de que você finalmente está grávida”, diz o médico. Com o teste positivo, inicia-se o período final de espera: as 38 semanas até o parto.

Gravidez em idade avançada: quais os cuidados?

De acordo com o Dr. Nélio Veiga Júnior, médico ginecologista e obstetra, Mestre e Doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP), em gestações ocorridas em mulheres com 40 anos ou mais, os estudos já mostraram um aumento do risco de hipertensão arterial, diabetes, apresentação anômala (bebes pélvicos/transversos), aumento de gemelaridade devido ao aumento de utilização de técnicas de reprodução assistida, aumento de parto por cesária, mais casos de hemorragia pós-parto. “As crianças também podem apresentar baixo peso ao nascer e há um risco maior de parto prematuro. Quanto aos cuidados, a mãe deve manter uma dieta saudável e atividade física regular, rastrear diabetes e doenças cardiovasculares pré-gestacional, considerar realizar a Triagem Não Invasiva (NIPT) e realização de ultrassonografia para detecção de anomalias fetais. Além disso, é necessário realizar ecocardiografia fetal e fazer exames de rotina de pré-natal e rastreio de pré-eclâmpsia”, finaliza o Dr. Nélio.

Fontes:

DR. RODRIGO ROSA: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Instagram: @dr.rodrigorosa

*DR. NÉLIO VEIGA JUNIOR: Médico ginecologista e obstetra, Mestre e Doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP). Atua em consultório privado e já foi médico preceptor no curso de Medicina da UNICAMP e médico pesquisador no Centro de Pesquisa em Saúde Reprodutiva de Campinas. Participa periodicamente de congressos, eventos e simpósios, além de ser autor de diversos artigos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais. CRM 162641 | RQE 87396 | Instagram: @neliojuniorgo

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