Uso de Aquecedores no Frio Exige Atenção

Otorrinos alertam para riscos à saúde respiratória e ensinam como evitar problemas

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Aparelhos aquecem, mas também ressecam o ar e isso pode desencadear crises de rinite, sangramentos nasais, tosse seca e até infecções. Médicas explicam como proteger adultos e crianças durante o outono-inverno

Com a queda das temperaturas no outono e a chegada do inverno, é natural recorrer aos aquecedores para tornar os ambientes mais confortáveis. Mas, o que pouca gente sabe é que o uso prolongado desses aparelhos pode prejudicar a saúde respiratória de toda a família, especialmente de crianças, idosos e pessoas com histórico de doenças como rinite, sinusite, laringite e asma.

“O grande problema é que os aquecedores ressecam o ar do ambiente, comprometendo a função natural das mucosas, que é filtrar, aquecer e umidificar o ar que respiramos. Quando essa barreira falha, abrimos espaço para crises inflamatórias e até infecções”, alerta a Dra. Roberta Pilla otorrinolaringologista, membro da ABORL-CCF.

Entre os sintomas mais comuns do ar seco estão nariz entupido ou sangrando, garganta arranhando, tosse seca, desconforto ocular, rouquidão e piora de quadros alérgicos. Em crianças, podem surgir roncos, respiração oral noturna e crises de tosse persistente.

Todos os tipos de aquecedor geram algum grau de ressecamento, mas os modelos com resistência elétrica e ventilação forçada tendem a ser mais agressivos. Aquecedores a óleo ou com termostato constante são menos impactantes, mas também exigem medidas compensatórias, como o uso de umidificadores ou bacias com água.

“O desconforto causado pelo ar seco não é apenas uma questão de incômodo. O ressecamento da mucosa nasal pode favorecer o surgimento de lesões, sangramentos e infecções como sinusite, laringite e até bronquite. Por isso, é fundamental equilibrar o conforto térmico com estratégias de proteção à saúde”, reforça a Dra. Maura Neves, médica otorrinolaringologista pela USP.

Nos quartos das crianças e dos bebês, o cuidado precisa ser ainda maior. As especialistas recomendam evitar o uso contínuo durante toda a noite, manter boa ventilação diurna e monitorar sinais como irritabilidade, obstrução nasal, tosse seca ou sangramentos. A temperatura ideal para o quarto infantil deve girar em torno de 22 °C, com umidade entre 40% e 60%. 

7 dicas para usar aquecedores sem prejudicar a saúde:

  1. Use bacias com água ou toalhas úmidas no ambiente para equilibrar a umidade do ar.
  2. Prefira aquecedores com controle de temperatura e desligamento automático.
  3. Evite manter o aparelho ligado a noite toda, especialmente nos quartos.
  4. Ventile os ambientes durante o dia para renovar o ar e evitar acúmulo de ácaros.
  5. Incentive a hidratação e aumente a ingestão de líquidos ao longo do dia.
  6. Faça lavagem nasal com soro fisiológico antes de dormir e ao acordar.
  7. Limpe frequentemente os filtros do aquecedor e mantenha o ambiente livre de poeira.

“Com alguns cuidados simples, é possível manter o conforto nos dias frios sem prejudicar o nariz, a garganta e os pulmões. O aquecedor pode ser um aliado, desde que usado com responsabilidade”, finaliza Dra. Roberta.

Fonte:

 Dra. Maura Neves -Otorrinolaringologista – Formação: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – Graduado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP – Residência médica em Otorrinolaringologia no Hospital das Clinicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP

Dra. Roberta Pilla – Otorrinolaringologia Geral Adulto e Infantil – Laringologia e Voz – Distúrbios da Deglutição; Via Aérea Pediátrica – Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003) – Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004)

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