Teste Genético permite Identificar Risco da Síndrome do X Frágil Antes da Gravidez

A síndrome do X Frágil, principal causa hereditária de deficiência intelectual e autismo, pode ser investigada ainda no embrião antes da gravidez por meio do teste genético pré-implantacional (PGT-M). A análise permite identificar mutações no gene FMR1 e auxilia casais em risco a planejar gestações com mais segurança

Um exame genético pré-implantacional disponível no Brasil já possibilita identificar durante o planejamento da gravidez o risco de transmissão da síndrome do X Frágil (SXF), uma condição hereditária que representa a causa genética mais comum de deficiência intelectual e autismo em meninos. O teste genético pré-implantacional para doenças monogênicas (PGT-M), oferecido por laboratórios como o Igenomix Brasil, parte do Vitrolife Group, analisa a presença de mutações no gene FMR1, permitindo que embriões saudáveis sejam priorizados no processo de fertilização in vitro.

A recomendação dos especialistas é que os casais com histórico de atraso no desenvolvimento, deficiência intelectual, casos incluídos no espectro do autismo ou diagnóstico confirmado de síndrome do X Frágil na família, bem como situações de infertilidade ou menopausa precoce, podem se beneficiar do apoio da medicina reprodutiva para planejar a chegada de filhos de forma mais segura.

“Para casais que planejam ter filhos e possuem riscos para síndrome do X Frágil, há o teste genético com a pesquisa molecular do gene FMR1 por PCR. O exame classifica o número de repetições CGG no gene FMR1, uma informação essencial para avaliar a probabilidade de transmissão da síndrome”, explica Taccyanna Mikulski Ali, geneticista da Igenomix Brasil.

Como a síndrome do X-frágil é transmitida

A síndrome é causada por alterações no gene FMR1, localizado no cromossomo X. Geralmente transmitida pelas mulheres, afeta de forma mais severa os descendentes do sexo masculino. Isso ocorre porque as mulheres possuem dois cromossomos X: quando carregam uma mutação ou pré-mutação, podem transmitir o X alterado aos filhos. As filhas herdam um X da mãe e outro do pai, podendo ser apenas portadoras ou apresentar sinais mais leves da síndrome, já que contam com um X saudável herdado do pai. Já os filhos, que recebem um X da mãe e um Y do pai, manifestam a síndrome de maneira mais intensa caso o X transmitido esteja alterado, por não contarem com um segundo cromossomo X capaz de compensar a mutação.

Outro fator de alerta é a reserva ovariana diminuída em relação à faixa etária, que pode sinalizar alterações no gene FMR1. “Quando o resultado do exame anti-mülleriano ou a ecografia indicam uma redução significativa da reserva ovariana em idade precoce, é importante investigar a possibilidade de mutações no FMR1”, destaca Taccyanna.

Relação entre síndrome do X-frágil e autismo

Estudos internacionais apontam que a síndrome do X Frágil está fortemente associada ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Dados da National Fragile X Foundation indicam que cerca de 30% a 50% dos indivíduos com SXF atendem aos critérios diagnósticos para TEA, enquanto aproximadamente 90% apresentam características comportamentais compatíveis com o espectro, como dificuldade de interação social, comportamentos repetitivos e hipersensibilidade sensorial.

A síndrome do X Frágil é uma doença genética rara que ocorre em cerca de 1 em cada 4.000 homens e 1 em cada 8.000 mulheres. Embora ainda não exista cura, a compreensão da neurobiologia da SXF tem permitido avanços em tratamentos direcionados. O manejo farmacológico e não farmacológico dos problemas médicos e comportamentais associados continua sendo a forma mais eficaz de promover qualidade de vida para os pacientes.

Síndrome do X Frágil diante do PGTM: passo a passo

No cenário de investigação do X Frágil é feita a análise genética do gene FMR1. O material coletado é submetido a técnicas moleculares específicas para verificar se há mutações ou pré-mutações neste gene. A análise do embrião traz, então, os resultados possíveis: saudável (sem mutação), portador (com pré-mutação, mas sem manifestação clínica) e afetado (com mutação completa, apresentando alto risco de síndrome). 

O primeiro passo, diante do diagnóstico do risco do X Frágil é o desenvolvimento de uma sonda personalizada para a detecção da mutação genética nos embriões, o que inclui a coleta de sangue ou saliva dos progenitores e, eventualmente, de outros membros da família. Quando a sonda está pronta, é iniciado o processo para gerar os embriões a serem estudados. Para tanto, a futura mãe inicia o uso de medicamentos hormonais que estimulam a produção ovariana para coleta de óvulos in vitro.  Esses óvulos são então coletados em um procedimento chamado punção folicular. Na sequência, ocorre a Fertilização in vitro (FIV), na qual os óvulos coletados são fecundados em laboratório com os espermatozoides do parceiro (ou de doador), dando origem a embriões.

O passo seguinte é o do cultivo embrionário. Nele, os embriões se desenvolvem em laboratório por alguns dias (geralmente até o 5º ou 6º dia de desenvolvimento, que é o estágio de blastocisto. É feita então a biópsia embrionária, na qual uma pequena amostra de células é retirada da camada externa do embrião que dará origem à placenta (trofoectoderma), sem comprometer o seu desenvolvimento. Essas células contêm a informação genética necessária para análise.

A etapa seguinte é de seleção e transferência do embrião, em que apenas os embriões considerados viáveis para uma gravidez e nascimento podem ser selecionados para transferência ao útero, aumentando as chances de uma gestação saudável e reduzindo o risco de transmissão da síndrome do X-frágil. “Com o avanço da medicina reprodutiva e dos testes genéticos, é possível que casais com histórico familiar de X Frágil ou outros fatores de risco planejem a chegada de filhos de forma mais segura e informada. O diagnóstico precoce e o aconselhamento genético permitem não apenas identificar a possibilidade de transmissão da síndrome, mas também orientar estratégias de prevenção e acompanhamento, promovendo saúde e qualidade de vida para toda a família”, conclui Taccyanna Mikulski Ali.

Fonte:

Igenomix – A Igenomix é um laboratório de biotecnologia que vem ajudando há muitos anos no sucesso dos tratamentos de Reprodução Assistida, diagnóstico e planejamento em relação à Doenças Genéticas parte do Vitrolife Group. 

Vitrolife Group – Vitrolife Group é um fornecedor global líder mundial de dispositivos médicos e serviços de testes genéticos. Atua no mercado de saúde reprodutiva desde 1994 e, em 2021, adquiriu a Igenomix, com o objetivo de apoiar clientes e pacientes em todo o mundo para melhorar os resultados reprodutivos

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