O congelamento de óvulos é uma estratégia para preservar a fertilidade e aumentar as chances de sucesso da FIV no futuro. No entanto, a idade no momento do procedimento é determinante: quanto mais cedo é feito, maiores as chances de gravidez, embora possa ser realizado até por volta dos 42 anos.

Juju Salimeni
Pelo Instagram, a modelo Juju Salimeni, de 39 anos, compartilhou com seus seguidores que deu início ao processo de congelamento de óvulos. “Estou começando o processo de congelamento de óvulos. Sim, com 39 anos. Pois é bem tarde. Já deveria ter feito há muito tempo. Mas porque eu não fiz antes? Porque eu não sabia que esse processo era tão simples e que eu não precisaria mudar absolutamente nada na minha vida”, disse Juju. O congelamento de óvulos é uma das melhores estratégias de preservação da fertilidade em mulheres que desejam adiar a gestação. Mas é de conhecimento geral que a fertilidade feminina diminui com a idade, com drástica redução nas chances de gravidez após os 35 anos. Então até quando é possível congelar óvulos? Existe um limite? “Quanto mais jovem a mulher realizar o congelamento, maior será a chance de o óvulo gerar um bebê. O ideal é que seja realizado até os 35 anos, visto que, a partir dessa idade, há uma queda acentuada não apenas na quantidade de óvulos, mas também na qualidade. Mas é possível congelar os óvulos até 41/42 anos. Após os 43, a probabilidade de o óvulo gerar um bebê é muito reduzida. Não é impossível, mas pode não valer a pena, então cada caso deve ser avaliado individualmente”, explica o especialista. A Mater Prime reforça que, ao considerar o congelamento de óvulos, a reserva ovariana e os objetivos da paciente são mais importantes do que a idade por si só.
Segundo o especialista, o congelamento de óvulos consiste na criopreservação dessas células em nitrogênio líquido na temperatura de -196°C, mantendo o metabolismo completamente inativado, mas preservando o potencial de desenvolvimento e a viabilidade. Todo o ciclo de congelamento leva cerca de três semanas. “Além de uma bateria de exames para verificar a qualidade dos óvulos, a mulher, inicialmente, deve fazer uso de pílulas anticoncepcionais por uma a duas semanas para desativar temporariamente os hormônios naturais. Mas, em casos de urgência, como antes da terapia contra o câncer, essa etapa pode ser ignorada. Em seguida, realizamos injeções de hormônios por cerca de 10 dias para estimular os ovários e amadurecer vários óvulos. É só após amadurecerem adequadamente que os óvulos são coletados, o que é realizado sob efeito de sedação por meio de uma pequena agulha que é inserida na vagina e é guiada por um transdutor até os ovários para que os óvulos sejam aspirados e congelados imediatamente,” explica o médico. Nesse processo, alguns efeitos colaterais são esperados, apesar da segurança do procedimento. “Devido ao uso dos hormônios necessários para estimulação ovariana, a mulher pode apresentar sintomas como dor de cabeça, instabilidade emocional, inchaço, náusea e dor muscular. Mas esses sintomas, que são muito similares aqueles da TPM, passam com o fim da estimulação hormonal e podem ser aliviados com o devido acompanhamento médico”, acrescenta o Dr. Rodrigo Rosa.
Uma vez congelados, os óvulos podem permanecer dessa maneira por um longo período de tempo sem qualquer tipo de prejuízo e, quando a mulher está pronta, é realizada uma Fertilização In Vitro. “Na Fertilização in Vitro, o óvulo é fecundado com o espermatozoide em laboratório, formando o embrião que, após certo tempo de desenvolvimento, é transferido para o útero da mulher”, explica o médico. Vale ressaltar, no entanto, que o congelamento dos óvulos não é uma garantia definitiva de gestação no futuro, já que existem diversos fatores que podem interferir na viabilidade do óvulo durante todo o processo. “Alguns óvulos podem não sobreviver ao degelo, enquanto outros podem não ser fertilizados com sucesso. A idade também é importante, visto que, apesar dos óvulos estarem congelados, a mulher continua a envelhecer e, consequentemente, terá que enfrentar as realidades da gravidez na idade que possui”, destaca o médico, que acrescenta que as taxas de sucesso da FIV são determinadas principalmente pela idade do óvulo utilizado. “Mulheres com até 35 anos, se congelarem pelo menos 20 óvulos, têm chances de 80% de conceber pelo menos um filho. Se os mesmos 20 óvulos forem congelados entre os 35 e 37 anos, a chance de gravidez é de 65%. Já se o congelamento desses 20 óvulos for feito entre os 38 e 40 anos, a probabilidade de a mulher ter no mínimo um filho é de 55 a 60%”, explica.
A Mater Prime explica que o custo do congelamento de óvulos depende do protocolo de estimulação ovariana, da dose total dos hormônios utilizados, da quantidade de óvulos coletados, do procedimento de vitrificação e do tempo de armazenamento contratado. “Os valores podem variar de clínica para clínica, mas é preciso colocar no planejamento os custos de todo o processo, incluindo as medicações, o procedimento em si, o armazenamento dos óvulos e, claro, a fertilização in vitro para quando a mulher estiver finalmente pronta para engravidar”, detalha o médico. De maneira geral, o planejamento é o fator mais importante para o procedimento, devendo incluir não apenas o custo, mas também a escolha de um médico experiente e especializado em reprodução humana e até a decisão de quantos filhos a paciente quer ter ao longo da vida. “Com o devido planejamento e acompanhamento, o congelamento de óvulos torna-se uma ferramenta poderosa de ampliação de possibilidades de maternidade e garantia de liberdade de escolhas. Hoje, a mulher pode decidir quando quer engravidar, sem precisar escolher entre carreira ou família. Ela pode preservar a fertilidade enquanto constrói sua estabilidade profissional, financeira e afetiva e, mais tarde, quando se sentir pronta, utilizar esses óvulos para ter uma gravidez bem-sucedida”, finaliza o Dr. Rodrigo Rosa
Fonte: DR. RODRIGO ROSA: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Instagram: @dr.rodrigorosa

