Temporada de pipas: brincadeira tradicional reforça importância de lazer seguro e convivência familiar para desenvolvimento infantil

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Aldeias Infantis SOS alerta para os riscos do uso de linhas cortantes e reforça que brincar com segurança é responsabilidade compartilhada entre famílias, sociedade e Poder Público
Com a chegada dos meses mais secos e ventosos do ano, somado ao período tradicional de férias escolares, o céu de muitas cidades volta a ganhar cores com uma das brincadeiras mais tradicionais da infância: empinar pipa. Presente na cultura popular há gerações, a atividade é um importante instrumento para o desenvolvimento físico, emocional e social de crianças e adolescentes, e, por se tratar de uma brincadeira, é um direito assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
No entanto, para que essa tradição continue colorindo os céus do país, é preciso garantir ambientes seguros e evitar riscos com o uso de materiais proibidos. O alerta é da Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, por meio de serviços de acolhimento de crianças e adolescentes afastados dos pais por decisão judicial e iniciativas de fortalecimento familiar.
A Organização chama a atenção para os perigos das linhas cortantes, que colocam em risco não apenas quem participa da brincadeira com pipa, mas também motociclistas, ciclistas, pedestres e demais pessoas que circulam pelas cidades. Segundo o projeto Cerol Não!, 57% dos acidentes registrados envolvendo linhas cortantes no trânsito resultam em mortes, sendo os motociclistas as principais vítimas fatais, representando 27% dos casos.
Além disso, um levantamento do Projeto Criança Segura, da Aldeias Infantis SOS, a partir de informações do Tabnet/DataSUS, revela que, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025, foram registradas mais de 6.700 internações hospitalares de crianças e adolescentes, de até 14 anos, por acidentes que podem ter envolvido linhas de pipa.
“O problema não está na brincadeira em si, que faz parte da cultura brasileira e contribui para o desenvolvimento infantil. O que coloca vidas em risco é o uso de materiais cortantes, como o cerol e a linha chilena. Quando uma linha recebe esse tipo de produto, ela deixa de ser um brinquedo e passa a representar uma ameaça real para toda a comunidade”, afirma José Carlos Sturza de Moraes, Ponto Focal do Projeto Criança Segura da Aldeias Infantis SOS.
Produzido a partir da mistura de cola com vidro moído, o cerol é proibido em diversas localidades do país. Já a chamada linha chilena, composta por materiais altamente abrasivos, possui elevado poder de corte e é alvo de restrições legais, podendo provocar lesões graves e até fatais.
Fortalecimento familiar
Segundo Sturza, a prevenção passa, antes de tudo, pela informação e pelo fortalecimento das redes de proteção. “Nem todas as famílias têm acesso às orientações sobre os riscos do cerol ou dispõem de espaços adequados para essa brincadeira. Por isso, campanhas educativas, fiscalização e políticas públicas são fundamentais. Promover informação também é proteger crianças e adolescentes”, destaca.
Por meio de seus projetos de fortalecimento familiar, a Aldeias Infantis SOS desenvolve ações de orientação, convivência comunitária, acesso à rede de proteção e promoção de direitos, contribuindo para que crianças cresçam em ambientes seguros e acolhedores. Nesse contexto, empinar pipa pode representar muito mais do que uma diversão: é uma oportunidade para aproximar gerações e fortalecer laços.
“O hábito de soltar pipa fortalece vínculos familiares e comunitários. Quando adultos e crianças compartilham esse momento, a atividade favorece o diálogo, a confiança e o sentimento de pertencimento, contribuindo para o desenvolvimento saudável da infância”, reforça Sturza. “Brincar é um direito fundamental e deve ser incentivado. Preservar tradições como empinar pipa também é importante. O desafio é garantir que essa experiência ocorra de forma segura, com o compromisso de toda a sociedade para que a diversão deixe apenas boas lembranças e nunca coloque vidas em risco”, conclui.
Fonte: José Carlos Sturza de Moraes, Ponto Focal do Projeto Criança Segura da Aldeias Infantis SOS. A Aldeias Infantis SOS é a maior organização não-governamental do mundo dedicada a apoiar crianças e jovens sem cuidados parentais ou em risco de perdê-los.

