Sabrina Sato e Tati Machado Engravidam após Perdas Gestacionais

Entenda como lidar com medo, ansiedade e luto em uma nova gravidez

A nova gravidez de Sabrina Sato e Tati Machado emocionou fãs nas redes sociais. As duas já falaram publicamente sobre perdas gestacionais e mostram uma realidade comum a muitas mulheres. Depois de uma experiência assim, engravidar novamente pode trazer esperança, mas também ansiedade e receio.

Segundo Rafaela Schiavo, psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline, o cuidado começa por não tratar a gestação atual como uma forma de apagar a história anterior. O bebê perdido continua fazendo parte da vida afetiva da mulher e da família.

“Uma perda em qualquer período da gestação se torna um fator de risco para, em uma próxima gestação, a mulher apresentar alguma alteração emocional significativa, como ansiedade, estresse ou depressão”, explica.

Por que o medo aparece

Depois de uma perda gestacional, algumas mulheres passam a viver a gravidez seguinte com mais cautela. Elas podem demorar para contar a notícia, evitar comprar enxoval, adiar planos ou sentir dificuldade de imaginar o futuro com o bebê.

Segundo Rafaela, esse comportamento pode funcionar como uma tentativa de proteção emocional.

“O medo de passar por aquilo de novo aumenta. Muitas vezes, a mulher tenta não se apegar tanto à gestação com medo de sofrer de novo”, afirma.

A especialista explica que isso não significa falta de amor. Em muitos casos, é uma resposta emocional a uma experiência traumática.

Nova gestação não apaga a perda anterior

Um dos principais erros de familiares e amigos é tratar a gravidez como uma compensação. Frases como “agora vai dar tudo certo”, “logo você esquece” ou “Deus mandou outro bebê” podem machucar, mesmo quando ditas com boa intenção.

Rafaela diz que o filho perdido na gestação continua fazendo parte da história daquela mãe. Em muitos casos, ele já tinha nome, planos, lembranças e um lugar afetivo na vida dos pais.

“Quando a mulher fala desse filho, ela está mostrando que ele existiu. Ela não quer que esse filho seja tratado como alguém que não existiu”, observa.

Por isso, a gestante não precisa escolher entre celebrar o bebê que está chegando e preservar a memória da perda anterior. As duas experiências podem existir ao mesmo tempo.

O que evitar

Familiares, amigos e pessoas próximas têm papel importante nesse momento. Mais do que tentar animar a gestante a qualquer custo, é preciso respeitar o tempo dela e evitar frases que diminuam o luto.

Algumas atitudes podem atrapalhar.

  • Dizer que a gravidez atual substitui o bebê perdido
  • Evitar qualquer conversa sobre a perda
  • Cobrar felicidade o tempo todo
  • Minimizar o medo da gestante
  • Comparar histórias
  • Pressionar por fotos, anúncios ou comemorações
  • Dizer que ela precisa seguir em frente rapidamente

Segundo Rafaela, muitas pessoas evitam o assunto por medo de aumentar a dor. No entanto, o silêncio pode fazer com que a mulher se sinta ainda mais sozinha.

“As pessoas têm medo de tocar no assunto, mas o que ajuda no processo de luto é permitir que ela fale sobre a perda”, diz.

Como acolher

O cuidado começa pela escuta. Perguntar como a gestante está, respeitar se ela quer ou não falar sobre a perda e entender que alguns dias podem ser mais difíceis são atitudes simples, mas importantes.

Também é necessário respeitar as escolhas dela. Algumas mulheres preferem anunciar a gravidez mais tarde. Outras não querem fazer chá de bebê. Há quem evite comprar itens antes de determinada fase. Nada disso significa falta de alegria.

Para a psicóloga, preservar a memória da história anterior não impede a mulher de amar o bebê que está chegando.

“O acompanhamento de um profissional da psicologia perinatal pode ajudar essa mulher na vinculação com esse bebê e diminuir as chances de alterações emocionais significativas”, orienta.

Quando buscar ajuda

O luto não é um transtorno mental, mas precisa de atenção. A mulher deve buscar ajuda profissional se o sofrimento estiver muito intenso, se houver crises frequentes de ansiedade, dificuldade para dormir, medo constante de perder o bebê, isolamento prolongado ou culpa persistente.

O acompanhamento psicológico também é recomendado para quem está planejando engravidar novamente após uma perda gestacional.

A terapia, segundo Rafaela, não tem o objetivo de fazer a mulher esquecer o bebê perdido, nem de acelerar o luto. A proposta é ajudá-la a atravessar esse período com mais cuidado emocional.

“Não existe um único caminho certo. Cada mulher vai viver esse processo no seu tempo”, afirma.

Fonte: Profª-Dra. Rafaela de Almeida Schiavo é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil.

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