Gestantes devem redobrar cuidados em viagens longas sem interromper o pré-natal

Obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, orienta sobre planejamento, circulação, hidratação e sinais de alerta antes de trajetos prolongados de carro ou avião.
Com a chegada do período de férias e feriados prolongados, muitas famílias começam a planejar viagens de carro ou avião. Para as gestantes, no entanto, trajetos longos exigem atenção especial. Embora viajar durante a gravidez seja seguro para a maioria das mulheres quando não há complicações obstétricas, o deslocamento prolongado pede planejamento, avaliação médica prévia e cuidados para reduzir desconfortos e riscos, especialmente relacionados à circulação sanguínea, hidratação e possibilidade de intercorrências longe da equipe que acompanha o pré-natal.
De acordo com a Dra. Karina Belickas, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, o primeiro passo é conversar com o médico antes da viagem. “Cada gestação é única. Antes de uma viagem longa, é importante avaliar a idade gestacional, o histórico da paciente, a presença de sintomas, exames recentes e possíveis fatores de risco, como hipertensão, diabetes gestacional, sangramentos, contrações, risco de parto prematuro ou gestação gemelar”, explica.
Em geral, viagens costumam ser mais confortáveis no segundo trimestre, período em que náuseas e sonolência tendem a diminuir e a barriga ainda não está tão volumosa. Ainda assim, o momento ideal depende da avaliação individual. Na ausência de complicações médicas ou obstétricas, viagens podem ser consideradas seguras durante a gestação, mas exigem atenção ao tempo de deslocamento, ao destino, à estrutura de atendimento disponível e às regras das companhias aéreas, especialmente nas últimas semanas.
Para trajetos de carro, a recomendação é evitar muitas horas seguidas sentada. A gestante deve programar paradas a cada duas horas, caminhar por alguns minutos, alongar as pernas e movimentar os pés mesmo durante o percurso. Isso vale para viagens aéreas longas: sempre que possível, levantar, caminhar pelo corredor e fazer movimentos circulares com os tornozelos ajudam a estimular a circulação. A gravidez, por si só, já aumenta a predisposição a alterações circulatórias, e períodos prolongados de imobilidade podem elevar o risco de trombose venosa profunda.
Vale lembrar que o limite para viajar de avião varia conforme a companhia aérea, regras do local de destino e eventuais intercorrências de cada gestação , mas o embarque costuma ser negado a partir da 36ª semana ou 32ª semana para gestações múltiplas, por risco de parto prematuro. Já entre 27ª e 29ª semanas de gestação não há restrição e entre a 30ª e a 35ª semanas, exige-se um atestado médico autorizando a viagem e o preenchimento de um formulário de responsabilidade (sempre cheque com a empresa aérea as regras para sua viagem).
“A gestante não deve passar muitas horas parada na mesma posição. Em viagens longas, caminhar, hidratar-se bem e usar roupas confortáveis são medidas simples, mas muito importantes. A meia elástica de compressão é uma grande aliada para evitar edema das pernas e desconforto, além de auxiliar na prevenção de trombose em casos específicos. O uso de anticoagulantes profiláticos pode ser sugeridos de acordo com o acompanhamento da gestante para prevenção de trombose em pacientes com alto risco de sua ocorrência. ”, afirma a Dra. Karina.
Outro ponto essencial é o uso correto do cinto de segurança. No carro, ele deve ser mantido durante todo o trajeto, com a faixa inferior posicionada abaixo da barriga, sobre a região dos quadris, e a faixa diagonal passando entre as mamas e lateralmente ao abdômen. No avião, o cinto também deve permanecer afivelado sempre que a gestante estiver sentada, já que turbulências podem ocorrer de forma inesperada.
A hidratação é outro cuidado indispensável. Beber água regularmente ajuda a reduzir desconfortos, prevenir queda de pressão, constipação e mal-estar. Também é importante levar lanches leves, evitar longos períodos em jejum e ter por perto medicamentos de uso habitual, sempre prescritos pelo médico. Em viagens para locais mais distantes, a gestante deve se informar previamente sobre hospitais e maternidades disponíveis na região.
A obstetra também reforça que a mala da gestante deve incluir documentos, carteira do pré-natal, exames recentes, cartão do convênio, lista de medicamentos e contatos da equipe médica. Em viagens internacionais ou destinos com exigências sanitárias específicas, é fundamental avaliar vacinas, riscos infecciosos e condições de atendimento antes da partida.
Alguns sinais exigem atenção imediata e podem contraindicar a continuidade da viagem. Sangramento vaginal, perda de líquido, dor abdominal forte, contrações regulares, dor de cabeça intensa, alterações visuais, falta de ar, dor ou inchaço importante em uma das pernas e redução dos movimentos do bebê devem ser avaliados com urgência.
“Se a gestante apresentar qualquer sintoma fora do esperado, ela deve buscar atendimento médico no local em que se encontrar, com possibilidade de complicação grave aguardar retornar para casa. . Viagem não pode significar atraso no cuidado”, alerta a Dra. Karina Belickas.
A especialista reforça ainda que a programação da viagem não deve comprometer consultas, exames e acompanhamento regular. A periodicidade das vacinas também é importante, então sempre checar com o obstetra se será importante antecipar alguma vacina antes de viajar. O pré-natal é o principal instrumento para monitorar a saúde da mãe e do bebê, identificar riscos precocemente e orientar decisões com segurança.
Viajar pode fazer parte de uma gestação saudável, desde que haja planejamento, avaliação individualizada e atenção aos sinais do corpo. O que não pode acontecer é a mulher adiar consultas, deixar de fazer exames ou ignorar sintomas para manter uma programação. Mesmo em períodos de férias, o pré-natal precisa continuar sendo prioridade para garantir mais segurança à mãe e ao bebê.
Fonte: Hospital e Maternidade Santa Joana é referência em saúde da mulher e do neonato. A instituição oferece desde atendimentos de baixa complexidade até os procedimentos mais avançados de alta complexidade nas áreas de ginecologia, obstetrícia, medicina fetal, imunização, cirurgia cardíaca neonatal, endometriose, saúde do assoalho pélvico, vídeo cirurgias, incluindo a cirurgia robótica, entre outros.

