Ar Seco, Frio e Mucosas Ressecadas

Ar seco, frio e mucosas ressecadas: por que o inverno é o vilão da garganta?

Baixa umidade do ar, ambientes fechados e menor ingestão de água favorecem o ressecamento das vias respiratórias e aumentam o risco de irritações, crises alérgicas e infecções típicas da estação

Chega o inverno e, com ele, uma sensação bastante conhecida por muita gente: garganta seca, ardência, pigarro frequente e desconforto ao engolir. Embora esses sintomas sejam comuns nesta época do ano, nem sempre significam uma infecção em desenvolvimento. Em muitos casos, eles estão relacionados ao ressecamento das mucosas que revestem as vias respiratórias.

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Marcelo Barretto, do Hospital Paulista, o frio e a baixa umidade do ar comprometem um dos principais mecanismos de defesa do organismo: a depuração (limpeza) do muco que reveste internamente o nariz, a garganta e a laringe.

“A mucosa das vias respiratórias funciona como uma barreira ativa: a camada de muco captura vírus, bactérias, fungos e partículas do ambiente, e os cílios transportam esse muco em direção à faringe, onde ele acaba sendo deglutido — no estômago, o ambiente ácido se encarrega de neutralizar a maior parte desses microrganismos. Quando o ar fica mais seco, esse transporte perde eficiência e a vulnerabilidade a processos inflamatórios e infecciosos aumenta”, explica.

O frio importa — mas não age sozinho

Ao contrário do que muitos imaginam, a queda da temperatura não explica sozinha as queixas respiratórias do inverno. O frio tem, sim, efeito direto: há evidências de que a redução da temperatura da mucosa compromete mecanismos imunológicos locais de defesa e prejudica o funcionamento do sistema que limpa as vias aéreas. Mas ele raramente é o único responsável — na prática, atua somado a um conjunto de outros fatores sazonais.

É o que acontece nesta época do ano. A umidade relativa do ar costuma diminuir, as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados, aumenta o uso de aquecedores e aparelhos de ar-condicionado e, muitas vezes, a ingestão de água também diminui. O resultado é que, além do próprio efeito da temperatura, há uma tendência ao ressecamento progressivo das vias aéreas.

“Quando a mucosa perde hidratação, ela deixa de eliminar partículas e microrganismos com a mesma eficiência, o que favorece crises de rinite, inflamações e infecções respiratórias”, afirma o especialista.

Garganta seca nem sempre é sinal de infecção

Aquela sensação constante de garganta “raspando” ou a necessidade frequente de pigarrear também podem ter outra explicação. Segundo Barretto, esses sintomas costumam refletir uma irritação da mucosa provocada pelo ambiente seco. O pigarro repetitivo, inclusive, pode agravar ainda mais o problema.

“Muitas pessoas acreditam que precisam limpar a garganta constantemente, mas esse hábito provoca atrito entre as estruturas da laringe e pode aumentar a irritação. O ideal é investigar a causa do desconforto e manter uma boa hidratação das vias respiratórias.”

Além do clima, condições como rinite alérgica, refluxo laringofaríngeo e infecções virais também podem intensificar esses sintomas durante o inverno.

Como proteger a garganta

Embora seja impossível controlar o clima, alguns hábitos simples ajudam a preservar a saúde das vias respiratórias durante a estação mais fria do ano. Entre as principais recomendações estão manter uma boa hidratação ao longo do dia, evitar ambientes excessivamente secos, promover ventilação dos ambientes sempre que possível e utilizar umidificadores com moderação quando a umidade relativa do ar estiver muito baixa.

Também vale evitar exposição à fumaça de cigarro e outros agentes irritantes, além de manter o tratamento adequado de doenças como rinite e refluxo, que podem contribuir para a irritação da garganta. “Pequenas mudanças na rotina fazem diferença. Beber água regularmente, manter o ambiente arejado e cuidar das doenças respiratórias já existentes ajuda a preservar a integridade das mucosas e reduz o risco de complicações típicas do inverno”, orienta o médico.

Quando procurar um especialista

Apesar de o desconforto leve ser relativamente comum nesta época do ano, alguns sinais merecem atenção. Dor intensa, dificuldade para engolir, febre persistente, rouquidão prolongada ou sintomas que não melhoram após alguns dias devem ser avaliados por um otorrinolaringologista. “Nem toda dor de garganta significa infecção bacteriana ou necessidade de antibióticos. O diagnóstico correto é fundamental para indicar o tratamento mais adequado e evitar complicações”, conclui Barretto.

Fonte: otorrinolaringologista Dr. Marcelo Barretto, do Hospital Paulista – Fundado em 1974, o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia possui cinco décadas de tradição no atendimento especializado em ouvido, nariz e garganta e, durante sua trajetória, ampliou sua competência para outros segmentos, com destaque para Fonoaudiologia, Alergia Respiratória e Imunologia, Distúrbios do Sono, procedimentos para Cirurgia Cérvico-Facial, bem como Buco Maxilo Facial e Foniatria.

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