1º de Agosto: Dia Mundial da Amamentação

Proteção para o bebê e para a mamãe: aleitamento materno e prevenção do câncer de mama

Ginecologista chama atenção para um dado pouco discutido: cada 12 meses de amamentação reduzem em 4,3% o risco de câncer de mama ao longo da vida

Quando se fala em amamentação, o foco costuma recair sobre os benefícios para o bebê. E eles são inegáveis. Mas há um lado dessa história que tem grande importância e precisa ser destacada neste dia: a amamentação também protege a mãe, de forma significativa e comprovada pela ciência. No Agosto Dourado, mês dedicado ao incentivo ao aleitamento materno, esse é o recado que o Dr. Alexandre Rossi, médico ginecologista responsável pelo Ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo, quer amplificar.

“A amamentação é frequentemente apresentada como um ato de amor ao filho, e é. Mas também é um ato de cuidado com a própria saúde. Os dados sobre redução de risco de câncer de mama são sólidos e precisam chegar às mulheres, especialmente àquelas com histórico familiar ou outros fatores de risco”, afirma o especialista.

O dado que toda mulher precisa conhecer

Um estudo publicado na revista The Lancet, envolvendo mais de 146 mil mulheres de 30 países, estabeleceu um dos dados mais citados da literatura científica sobre o tema: cada 12 meses de amamentação reduzem em 4,3% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama ao longo da vida. O efeito é cumulativo, ou seja, quanto mais tempo de aleitamento ao longo de todas as gestações, maior a proteção. A boa notícia é que a proteção é ainda mais evidente quando o aleitamento é prolongado e ocorre em mais de uma gestação.

O mecanismo por trás dessa proteção é bem compreendido pela ciência. Durante a amamentação, as células dos ductos mamários passam por um processo de maturação e diferenciação que as torna mais resistentes à transformação maligna. Além disso, a amamentação promove a eliminação de células mamárias que podem ter sofrido alterações durante a gestação, funcionando como uma espécie de renovação do tecido mamário. A redução na exposição prolongada ao estrogênio, promovida pela amenorreia da amamentação, também contribui para esse efeito protetor.

Pesquisa australiana, publicada em dezembro de 2025 no Jornal da USP, acrescentou mais uma camada a essa compreensão: mulheres que gestaram e amamentaram apresentaram aumento de células imunológicas específicas, sugerindo que a gravidez e a amamentação fortalecem a defesa imunológica contra o câncer de mama. É mais uma evidência de que o aleitamento materno é, também, um investimento na saúde da própria mãe.

Benefícios que vão além do câncer de mama

A proteção contra o câncer de mama é o dado mais impactante, mas não é o único benefício da amamentação para a saúde materna. A Federação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) destaca que o aleitamento materno também reduz o risco de câncer de ovário, contribui para a recuperação uterina no pós-parto, com a contração mais rápida do útero ao seu tamanho normal, auxilia no controle do peso pós-gestação e contribui para a prevenção da depressão pós-parto.

A amenorreia induzida pela amamentação traz benefícios hormonais e metabólicos adicionais à mulher no pós-parto: o impacto emocional. O aleitamento reforça o vínculo entre mãe e filho e pode ser um fator protetor importante para a saúde mental materna.

“A amamentação completa o desenvolvimento da mama, iniciado ainda na vida embrionária e continuado na gravidez. Não é apenas nutrição para o bebê, é um processo biológico que favorece profundamente a saúde física e emocional da mãe”, reforça o Dr. Alexandre Rossi.

O papel do ginecologista no incentivo à amamentação

O Dr. Alexandre Rossi defende que a consulta ginecológica é um espaço privilegiado para abordar os benefícios da amamentação para a saúde da mulher, especialmente em pacientes com fatores de risco para câncer de mama, como histórico familiar, idade avançada na primeira gestação ou uso prolongado de anticoncepcionais hormonais.

“Muitas mulheres chegam ao pré-natal sem saber que a amamentação pode reduzir seu risco de câncer de mama. Quando essa informação chega com clareza e no momento certo, ela pode influenciar positivamente a decisão de amamentar e o tempo de aleitamento. É prevenção que começa muito antes do diagnóstico”, afirma o especialista.

O Ministério da Saúde e a OMS recomendam amamentação exclusiva até os seis meses de vida do bebê e complementada até os dois anos ou mais. A meta da OMS é que pelo menos 50% dos bebês com até seis meses sejam alimentados exclusivamente com leite materno. O Brasil tem uma meta ainda mais ambiciosa: alcançar 70% até 2030.

O que toda mulher precisa saber neste Agosto Dourado

•       Cada 12 meses de amamentação reduzem em 4,3% o risco de câncer de mama ao longo da vida (The Lancet, estudo com 146 mil mulheres de 30 países)

•       A proteção é cumulativa: quanto mais tempo de aleitamento ao longo da vida reprodutiva, maior o benefício

.  Amamentação também reduz o risco de câncer de ovário, auxilia na recuperação uterina e contribui para a prevenção da depressão pós-parto

•       O Ministério da Saúde recomenda amamentação exclusiva até os 6 meses e complementada até os 2 anos ou mais

•       Mulheres com fatores de risco para câncer de mama devem conversar com seu ginecologista sobre a importância do aleitamento materno como estratégia de prevenção

Contraindicações ao aleitamento materno 

Apesar de ser altamente recomendado, o aleitamento materno possui algumas contraindicações específicas, que precisam ser avaliadas e acompanhadas ainda durante o pré-natal. Por este motivo, a orientação médica e o planejamento da amamentação são fundamentais. Entre as principais contraindicações absolutas, estão:

  • Infecção materna pelos vírus HIV, HTLV-1 e HTLV-2
  • Mulheres em tratamento oncológico, principalmente durante radioterapia ou em uso de medicamentos como quimioterápicos, imunossupressores e iodo radioativo
  • Lesões de herpes zóster na aréola, enquanto houver risco de contágio
  • Em caso de hepatite B, até que o bebê receba imunoglobulina e vacina

Fonte: Dr. Alexandre Rossi, médico ginecologista responsável pelo Ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo.

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