Dia Nacional da Infância (24): novas recomendações mudam o olhar sobre o uso de telas por crianças e adolescentes

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Documentos publicados em 2026 pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Academia Americana de Pediatria reforçam que apenas limitar o tempo de tela já não é suficiente para proteger crianças no ambiente digital
Celular, tablet, televisão e outras telas fazem parte da rotina das crianças cada vez mais cedo. No Dia Nacional da Infância, celebrado em 24 de agosto, novas recomendações publicadas em 2026 chamam atenção para os cuidados com o uso da tecnologia nessa fase da vida.
A Academia Americana de Pediatria (AAP) destaca que, além do tempo de uso, é preciso considerar o que a criança assiste ou faz nas telas, os recursos utilizados pelas plataformas para mantê-la conectada e o espaço que a tecnologia ocupa no dia a dia.
Segundo a entidade, muitas plataformas adotam recursos que estimulam a permanência do usuário, como recomendações feitas por algoritmos, reprodução automática de conteúdos e mecanismos de recompensa e interação. Isso faz com que a proteção de crianças e adolescentes não dependa apenas das regras estabelecidas dentro de casa. “É urgente discutirmos formas de proteger crianças e adolescentes no ambiente digital, porque as plataformas evoluíram e hoje utilizam recursos que estimulam o uso cada vez mais frequente e prolongado”, afirma a pediatra Dra. Anna Dominguez Bohn, formada pela USP, com especialização em Neurociência e Desenvolvimento Infantil, presidente do Núcleo de Estudo da Criança com Deficiência da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Para a especialista, essa realidade exige uma discussão mais ampla sobre a relação das crianças com a tecnologia. “Recomendações que antes passavam por orientar apenas o tempo de uso não são mais suficientes. Hoje, precisamos considerar também o conteúdo acessado, a forma como as plataformas estimulam o uso e o impacto que as telas têm na rotina e nas relações das crianças”, explica a Dra. Anna.
Na prática, isso significa observar se as telas estão substituindo experiências importantes da infância, como brincadeiras, atividade física, conversas e momentos de convivência familiar e social. “O mundo digital pode aproximar, quando usado junto, com orientação e vínculo, ou afastar, quando substitui presença, diálogo e interação real”, esclarece.
No Brasil, novas orientações também reforçam os cuidados
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também atualizou, em 2026, suas recomendações sobre o uso saudável de telas, tecnologias e mídias. Para crianças em idade escolar e adolescentes, a entidade destaca que a tecnologia, quando utilizada de forma adequada e com objetivos definidos, pode contribuir para a aprendizagem. Por outro lado, aponta que o uso recreativo excessivo está associado a sintomas de ansiedade e depressão, sedentarismo, obesidade e prejuízos à qualidade do sono.
Na educação infantil, a orientação é evitar telas, deixando seu uso restrito a situações pedagógicas específicas e sempre com a participação ativa do educador. Já a partir do ensino fundamental, a recomendação é estabelecer regras claras para os dispositivos eletrônicos, considerando a idade dos alunos, a finalidade pedagógica e a segurança no ambiente digital.
As famílias também têm papel fundamental nessa relação. Para a Dra. Anna, mais do que estabelecer regras, é importante oferecer às crianças alternativas fora das telas e estar atento a mudanças de comportamento. “Precisamos instrumentalizar as famílias. É importante oferecer outras formas de interação, fora das telas, e saber identificar sinais de alerta quando algo não vai bem”, afirma.
A proposta, portanto, não é retirar a tecnologia da vida das crianças, mas encontrar uma maneira mais saudável de incorporá-la à infância. “A mensagem central não é proibir telas, mas redesenhar a forma como elas fazem parte da infância”, resume a Dra. Anna. “As telas devem promover apoio ao desenvolvimento emocional, social e cognitivo, e não limitá-lo”, finaliza a pediatra.
Fonte: Dra. Anna Dominguez Bohn é pediatra formada pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Terapia Intensiva Pediátrica, Síndrome de Down, Neurociência e Desenvolvimento Infantil. É Presidente do Núcleo de Estudo da Criança com Deficiência da Sociedade de Pediatria de São Paulo– SPSP e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria-SBP. Atualmente integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, além de atuar nos hospitais Sírio-Libanês e Vila Nova Star. CRM 150.572 | RQE 106869 / 1068691

