Obesidade Infantil é uma Doença Crônica e Complexa

besidade infantil é uma doença crônica e complexa: saiba como prevenir essa pandemia mundial

O médico pediatra Antonio Carlos Turner alerta que combater o excesso de gordura no corpo não é uma questão estética, mas de saúde

Não é sobre estética ou padrões impostos. É sobre saúde. A obesidade infantil é uma doença crônica e complexa que envolve um acúmulo excessivo de gordura no corpo. Esse problema é, infelizmente, uma pandemia global e os números mostram que há a necessidade de agir imediatamente para combater esse mal. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) do Ministério da Saúde indicam que 31,3% das crianças e adolescentes brasileiros entre 0 e 19 anos apresentavam excesso de peso em 2024. O médico pediatra Antonio Carlos Turner, coordenador técnico da rede de clínicas Total Kids, explica por quê mães, pais e responsáveis devem se preocupar em combater a obesidade infantil.

“Uma criança obesa tem uma chance muito maior de ser um adulto obeso, elevando o risco de, ainda na infância, desenvolver doenças crônicas típicas de adultos, como diabetes tipo 2, pressão alta (hipertensão arterial), colesterol e triglicerídeos altos, problemas do coração e até alguns tipos de câncer. Queremos que as crianças tenham uma vida longa e saudável, então é preciso prevenir essa doença que é a obesidade. O diagnóstico e o acompanhamento da obesidade infantil devem sempre ser feitos por profissionais de saúde, como pediatras e nutricionistas. O objetivo principal do cuidado na infância é garantir o crescimento e o desenvolvimento adequados, promovendo hábitos saudáveis para toda a vida, e não apenas a perda de peso rápida”, diz o especialista.

Mas quais são os principais fatores para que os pequenos estejam apresentando excesso de gordura no corpo?

“A obesidade não é culpa de uma única coisa. É uma mistura de fatores. A genética é um deles.  Filhos de pais com obesidade podem ter uma predisposição maior. A vida moderna trouxe desafios como alimentos ultraprocessados, ricos em calorias, açúcares, gorduras e sal, como os biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes e comidas prontas. O sedentarismo e o uso excessivo das telas também preocupam porque os pequenos trocado as brincadeiras, os esportes, pelos jogos no computador, na TV ou no celular. Outra questão é dormir menos do que o recomendado, o que altera os hormônios da fome e da saciedade, estimulando o apetite”, explica o médico pediatra Antonio Carlos Turner, diretor técnico da rede de clínicas Total Kids, que tem unidades em Bonsucesso, Olaria, ParkShopping Campo Grande e ParkJacarepaguá.

A boa notícia é que dá para prevenir essa doença. Confira um guia prático para combater a obesidade infantil.

*Ajuste o ambiente de toda a família: a mudança no estilo de vida não deve ser uma “dieta” individual para a criança, mas sim um movimento coletivo da casa. Quando todos comem melhor e se movimentam mais, a criança se sente apoiada e não excluída.

 *Priorize alimentos de verdade: a base da alimentação deve ser composta por frutas, legumes, verduras, grãos e comida caseira. Evite ao máximo os produtos ultraprocessados (como refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados e sucos de caixa).

 *Incentive o movimento de forma prazerosa: crianças precisam de pelo menos 60 minutos de atividade física moderada a intensa por dia. Isso não precisa ser uma academia: brincar ao ar livre, andar de bicicleta, correr, dançar e jogar bola são formas excelentes de se exercitar.

 *Estabeleça limites para as telas: a exposição excessiva a TVs, celulares e tablets favorece o sedentarismo e o hábito de comer no automático. Evite o uso de telas durante as refeições e antes de dormir.

 *Proteja as horas de sono: uma rotina de sono adequada é essencial para o equilíbrio hormonal e a regulação do apetite. Crianças que dormem bem têm mais energia e melhor controle do peso.

 *Evite rótulos e comemorações com comida: tente não usar alimentos como recompensa (“se comportar ganha doce”) nem associar o peso da criança ao seu valor ou beleza. A saúde mental e a autoestima são pilares do tratamento.

*Boa gestação: o cuidado começa antes mesmo do bebê nascer. A saúde da mãe na gestação (alimentação equilibrada e ganho de peso adequado) é fundamental para reduzir o risco de obesidade no futuro filho. Dica: as consultas de pré-natal são indispensáveis, assim como as orientações do médico obstetra sobre nutrição e exercícios físicos seguros na gravidez.

*Aleitamento materno: o leite materno é um fator protetor comprovado contra a obesidade infantil. Ele possui componentes que regulam o metabolismo da criança e o ato de mamar ajuda o bebê a reconhecer os próprios sinais de fome e saciedade. Dica: as mães devem amamentar exclusivamente até os 6 meses de vida, se possível, e continuar amamentando por pelo menos dois anos ou mais.

*Acompanhamento pediátrico: o médico pediatra deve ser o maior aliado. As consultas regulares são essenciais para monitorar o peso e o crescimento da criança, permitindo a intervenção precoce se for necessário.

Fonte: Antonio Carlos Turner Médico pediatra e coordenador técnico da Rede de Clínicas TotalkidsCRM 52-46851-4 RQE 49635.

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