Livro transforma mistério sobre rosto de Tia Ciata em uma aventura infantil

Divulgação/Cortez Editora
Vencedora do Prêmio Jabuti Acadêmico, Claudia Alexandre convida crianças a descobrir a trajetória da mãe do samba
Com a força de uma fabulação crítica de resistência e reparação histórica, a obra Tia Ciata e o mistério da foto (Cortez Editora) transforma a pesquisa sobre uma dúvida que atravessa o século em narrativa para crianças. A publicação é assinada por Claudia Alexandre, jornalista, escritora e pesquisadora de tradições de matrizes africanas, e resgata o legado da “mãe do samba”.
Conduzida pela curiosidade da pequena Hilana, a história apresenta às novas gerações a jornada de Hilária Pereira de Almeida (1854-1924), a Tia Ciata, figura central para a consolidação do gênero musical e do carnaval brasileiro. Na trama, a investigação sobre a foto não revelada abre caminhos para apresentar a importância da matriarca no Rio de Janeiro pós-Abolição.
Quando o bloco da família de Hilana se reúne com a vizinhança para apresentar a homenageada daquele ano, há espanto em perceber que não existe um rosto que a identifique. As crianças passam a buscar respostas para o enigma e descobrem que diversas imagens são atribuídas à Tia Ciata, embora não haja confirmação oficial. Diante dessa lacuna, os pequenos procuram saídas para que a festa aconteça e aprendem uma valiosa lição: de que o rosto e força da mãe do samba permanecem vivos por meio da imaginação coletiva, do movimento das baianas, da culinária de tabuleiro e do batuque.
– Se Tia Ciata é a mãe do samba, por que não temos retratos dela? – quis saber tio Lalau. Tia Nina tentou explicar: – É que no tempo em que ela viveu muitas mulheres negras foram fotografadas sem que ninguém perguntasse seus nomes, sem que ninguém se preocupasse em saber quem eram…
(Tia Ciata e o mistério da foto, p. 14)
Em seu casarão na Pequena África, a baiana oferecia refúgio para sambistas e batuques durante um período de forte perseguição policial ao samba e aos cultos afro-brasileiros, destacando-se como rezadeira, musicista e figura central na criação de Pelo Telefone, o primeiro samba gravado. Ao enfrentar o mistério que envolve a ausência de seu retrato oficial, o livro exibe o reflexo do racismo e do apagamento.
Claudia Alexandre pesquisa a vida de Tia Ciata e trabalha a construção de uma biografia da sambista desde 2008, reunindo um vasto acervo de citações com documentação, publicações e conteúdos. Segundo ela, é uma forma de reparar a dívida histórica para com uma figura tão importante da cultura nacional, cuja existência não foi registrada adequadamente, seja em fotografias ou em livros escolares, devido às lacunas e contradições presentes em documentos oficias.
Ao se unir à artista visual Amora Moreira, a autora evidencia a força da colaboração feminina em resgatar e projetar outra mulher negra fundamental para a história do Brasil. Tia Ciata e o mistério da foto é uma leitura indispensável nas escolas, famílias e para todos que reconhecem na literatura uma ferramenta de transformação social, justiça e valorização da identidade afro-brasileira.
Ficha técnica
Título: Tia Ciata e o mistério da foto
Autoria: Claudia Alexandre
Editora: Cortez
ISBN: 9786555557268
Formato: 27,5 x 20,5
Páginas: 32
Preço: R$ 59,00
Onde encontrar: Amazon
autora: Claudia Alexandre é jornalista, escritora e pesquisadora de tradições de matrizes africanas, sambas e escolas de samba, mestre e doutora em Ciência da Religião (PUC-SP) e pós-doutora em Antropologia Social (USP). Vencedora do Prêmio Jabuti Acadêmico (2024) com a obra Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô. É autora dos livros Orixás no Terreiro Sagrado do Samba, e da obra infantojuvenil Exu-Mulher e o mundo dos homens.
ilustradora –Amora Moreira é artista visual e ilustradora. Desenvolve, há uma década, uma produção que transita entre colagem, ilustração, grafitti e literatura infantil. Criadora do conceito de “sample visual”, pesquisa formas de reorganizar memórias, símbolos e referências culturais em novas narrativas visuais.
editora: Cortez Editora: Foi a solidez do trabalho feito que estimulou a Cortez Editora a expandir e mostrar ao mundo toda a riqueza da cultura brasileira e a densidade ímpar de seus autores

