Dificuldade ou Transtorno de Aprendizagem?

Especialista explica a diferença entre dificuldade e transtorno de aprendizagem e orienta pais e educadores sobre os sinais que merecem atenção

Foto: Freepik

Segundo dados do Ministério da Saúde, a prevalência de TDAH no Brasil é estimada em 7,6% entre crianças e adolescentes de 6 a 17 anos, e cerca de 11 milhões de brasileiros convivem com o transtorno.

Atualmente, segundo o próprio Senado, o Brasil não tem estatísticas oficiais consolidadas sobre esses transtornos, e as estimativas disponíveis vêm de levantamentos pontuais do setor privado. O cenário ajuda a dimensionar um problema que ainda é cercado de dúvidas dentro de casa e da sala de aula: como diferenciar uma dificuldade pontual de aprendizagem de um transtorno que exige acompanhamento especializado e em que momento buscar ajuda.

A dúvida é comum entre famílias e professores, segundo a Profª Elizabeth Sanada, coordenadora da pós-graduação em Psicopedagogia do Singularidades, “nem toda dificuldade escolar é um transtorno, mas todo sinal persistente merece ser observado com cuidado, sem alarmismo e sem naturalização”. 

Dificuldade não é sinônimo de transtorno

Segundo a também doutora e mestre em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano, Profª Elizabeth, é preciso distinguir dois cenários que costumam ser confundidos:

  • Dificuldade de aprendizagem: obstáculo pontual, ligado a fatores como metodologia de ensino, ritmo de desenvolvimento, contexto emocional ou familiar. Tende a responder bem a mudanças pedagógicas e de abordagem.
  • Transtorno de aprendizagem: condição de origem neurobiológica (como dislexia, discalculia ou TDAH), persistente, que não desaparece apenas com esforço ou reforço escolar e requer avaliação e acompanhamento especializados.

Sinais de alerta em casa

  • Recusa ou grande resistência para fazer tarefas de leitura e escrita;
  • Dificuldade persistente para memorizar letras, números ou sequências (dias da semana, meses);
  • Trocas frequentes de letras ou dificuldade de rima, mesmo após estímulo repetido;
  • Desatenção, esquecimento de tarefas e desorganização que se repetem em diferentes contextos, não só na escola.

Sinais de alerta na escola

  • Leitura lenta, silabada e com muitos erros, mesmo com prática;
  • Dificuldade de acompanhar o ritmo da turma de forma consistente ao longo do tempo;
  • Queda de rendimento acompanhada de queixas de ansiedade, frustração ou baixa autoestima;
  • Comportamento inquieto, impulsivo ou desatento observado por diferentes professores, e não por um único adulto.

Quando procurar ajuda

Para a professora, o critério central não é a existência de uma dificuldade isolada, mas sua persistência e recorrência em diferentes ambientes. “Quando o sinal se repete em casa e na escola, ao longo de semanas, e não meses, e não responde a ajustes simples, esse é o momento de procurar uma avaliação profissional, com pediatra, psicopedagogo ou neuropsicólogo”. 

O diagnóstico precoce é determinante: quanto antes a criança recebe suporte adequado, menor o impacto na autoestima e no percurso escolar. Desde 2021, segundo a Lei nº 14.254, estudantes com dislexia, TDAH ou outros transtornos de aprendizagem têm direito a acompanhamento integral pelo poder público, um avanço que, na avaliação de especialistas ouvidos pelo Senado, ainda esbarra na falta de diagnóstico precoce e de dados oficiais consolidados sobre o tema no país. 

A Profª Elizabeth destaca a importância de um trabalho de parceria entre a escola e a família, para identificar as necessidades de cada estudante e desenvolver um plano educacional que viabilize a aprendizagem, mesmo quando o diagnóstico não for estabelecido.

Fonte:  Profª Elizabeth Sanada, coordenadora da pós-graduação em Psicopedagogia do Singularidades e também doutora e mestre em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano

Deixe um comentário