Entenda quando exames como ultrassonografia, tomografia, ressonância e endoscopia podem ser solicitados durante a gravidez

Fonte: Magnific
A gestação exige uma série de cuidados e acompanhamentos para garantir o bem-estar da mãe e o desenvolvimento saudável do bebê. Entre eles estão os exames de imagem, que ajudam a monitorar diferentes etapas da gravidez, acompanhar o crescimento fetal e identificar possíveis alterações precocemente.
Ao mesmo tempo, esse também costuma ser um período cercado de dúvidas, especialmente sobre quais exames podem ou não ser realizados com segurança durante o pré-natal.
A ultrassonografia é considerada o principal exame, fazendo parte da rotina de acompanhamento das gestantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a realização de, pelo menos, uma ultrassonografia em cada trimestre da gravidez.
Esse número pode variar conforme a orientação médica e as necessidades de cada paciente. Por isso, quando procurar um obstetra, também é importante que a gestante entenda que o profissional será responsável por indicar os exames mais adequados para cada fase da gestação e esclarecer dúvidas sobre o acompanhamento.
Entre as ultrassonografias mais importantes está a chamada “ultrassonografia obstétrica”. O Ministério da Saúde recomenda que ela seja realizada entre a 11ª e a 14ª semana de gestação, principalmente para estimar corretamente a idade gestacional, identificar gestações múltiplas e auxiliar na avaliação de possíveis alterações fetais.
Segundo o órgão, entre 11% e 42% das estimativas de idade gestacional calculadas apenas com base na data da última menstruação podem estar incorretas, sendo a ultrassonografia a melhor forma de determinar com maior precisão esse tempo.
Antes da ultrassonografia obstétrica tradicional, também pode ser indicada a ultrassonografia transvaginal, geralmente entre a 6ª e a 8ª semana de gestação. De acordo com informações compartilhadas pela Rede D’Or São Luiz, o exame ajuda a confirmar a gravidez, verificar a localização do embrião (intrauterino ou ectópico) e avaliar o batimento cardíaco fetal, além de ajudar a identificar qualquer anomalia precoce.
Ao longo da gestação, outras ultrassonografias também costumam ser solicitadas, como a morfológica, realizada entre a 18ª e a 22ª semana. O exame permite uma análise mais detalhada da anatomia fetal, incluindo estruturas como cérebro, coração, coluna vertebral, rins e membros. Ele também auxilia na identificação de possíveis malformações e na confirmação do sexo do bebê, conforme explica a Rede D’Or São Luiz
Por esses motivos, a ultrassonografia é considerada um dos exames de imagem mais importantes durante a gestação. Ainda assim, ela não é a única modalidade que pode ser indicada nesse período. Dependendo do quadro clínico da paciente, podem ser solicitados exames como ressonância magnética, radiografia e tomografia computadorizada. É nesse momento que surgem muitas dúvidas sobre quais exames são seguros para a gestante e para o bebê.
Endoscopia na gravidez exige avaliação cuidadosa
Um dos exames que costuma causar preocupação durante a gravidez é a endoscopia, utilizada para investigar condições que afetam o trato gastrointestinal, como gastrite, úlceras e sangramentos digestivos. Além da versão tradicional, existem também variações do procedimento, como a ecoendoscopia alta, chamada de ultrassonografia endoscópica do trato digestivo alto
Para quem se pergunta o que a endoscopia alta pode ver, a Rede D’Or São Luiz explica que o exame permite uma visualização detalhada das camadas da parede do esôfago, estômago e duodeno, além de estruturas vizinhas, como linfonodos, pâncreas, vias biliares e grandes vasos. O procedimento associa a endoscopia à tecnologia do ultrassom, ampliando a capacidade de investigação diagnóstica.
Segundo a gastroenterologista e endoscopista Patrícia Rattacaso, em entrevista ao canal da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), a endoscopia pode sim ser realizada durante a gestação quando existe uma indicação clínica importante.
A especialista explica que o ideal seria aguardar o parto sempre que possível. No entanto, em situações de urgência, como casos de hemorragia digestiva, deixar de realizar o exame pode trazer riscos ainda maiores para a mãe e para o bebê.
“Nesses casos, você se cercando de toda a segurança, a endoscopia sim é factível. Só que ela tem que ser realizada se resguardando de tudo o que possa trazer segurança à mãe e ao feto”, afirma a médica.
A especialista destaca ainda que a realização do exame exige uma avaliação multidisciplinar. O obstetra deve estar ciente da realização do procedimento, assim como o anestesista. Além disso, ela alerta que é preciso ter cuidado com o posicionamento da gestante e que o acompanhamento fetal antes do exame também é necessário, com avaliação dos batimentos cardíacos do bebê ou cardiotocografia.
Ressonância magnética pode ser realizada, mas contraste exige cautela
Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a ressonância magnética não está associada a riscos durante a gestação. Contudo, a instituição destaca que o uso do contraste à base de gadolínio deve ser limitado nesse período, pois está associado a processos inflamatórios e natimortalidade.
O médico nuclear Renato Barra, especialista em exames de imagem, explica em seu canal que a ressonância costuma ser evitada no primeiro trimestre por precaução. Após esse período, o exame pode ser realizado quando existe necessidade clínica, como em casos de dor abdominal intensa ou investigação de alterações específicas durante a gestação.
O especialista também reforça o cuidado com o uso do contraste. “Durante a gravidez, o uso de contraste na ressonância é geralmente evitado, sendo reservado apenas para situações realmente necessárias e com avaliação médica cuidadosa”.
O médico também reforça que a indicação da ressonância magnética deve ser feita de forma individualizada. Ou seja, o exame não deve ser realizado sem orientação médica, mas pode ser solicitado quando os benefícios da investigação forem maiores do que os possíveis riscos envolvidos.
Raio X e tomografia em situações necessárias
Os exames que utilizam radiação, como raio X e tomografia computadorizada, devem ser evitados, mas também podem ser realizados quando houver necessidade clínica. De acordo com a Febrasgo, devem ser pesados os riscos da exposição à radiação com o risco de não diagnóstico ou do agravamento da doença.
A recomendação também é reforçada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), que afirma que exames de raio X são os principais causadores de ansiedade em gestantes e profissionais de saúde por conta da crença de que qualquer exposição à radiação poderia causar malformações fetais.
No entanto, o Cremego explica que a exposição isolada a qualquer procedimento radiológico diagnóstico não atinge níveis suficientes para comprometer o bem estar do embrião ou do feto. Segundo a instituição, um raio X simples geralmente expõe o bebê a uma quantidade mínima de radiação.
Em situações que envolvem investigação abdominal ou pélvica, o conselho recomenda que a ultrassonografia seja o primeiro exame solicitado. Caso o resultado seja inconclusivo, a ressonância magnética também pode ser considerada como alternativa diagnóstica.
“Porém, se houver a necessidade da realização de exames radiográficos, fluoroscópicos ou de tomografia computadorizada em abdome e pelve para melhor esclarecimento diagnóstico de patologia materna, estes podem ser realizados”, diz a instituição.
O Cremego também explica que existem técnicas utilizadas para reduzir a exposição fetal à radiação durante os exames. Entre elas está o uso de avental de chumbo quando áreas fora da região abdominal e pélvica são avaliadas. Além disso, tecnologias como a radiografia digital ajudam a diminuir a exposição total à radiação.
Técnicas de colimação do feixe radiológico e ajustes específicos na tomografia computadorizada também podem ser utilizadas para reduzir a dose de radiação recebida pela gestante e pelo bebê.
Fonte: Rede D’Or São Luiz- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) – Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) – médico nuclear Renato Barra – Gastroenterologista e endoscopista Patrícia Rattacaso

