Atenção à Saúde Auditiva desde o Nascimento

Diagnóstico precoce e acompanhamento especializado são fundamentais para reduzir os impactos da perda auditiva na comunicação e na qualidade de vida

2,6 milhões de brasileiros têm deficiência auditiva

A perda auditiva é um problema que afeta cerca de 2,6 milhões de pessoas no Brasil, de acordo com o Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A perda auditiva pode apresentar diferentes graus, como leve, moderado, severo e profundo, e ocorrer em qualquer fase da vida. Entre suas possíveis causas e fatores associados estão o envelhecimento, a exposição frequente a sons de alta intensidade, infecções, alterações genéticas, condições congênitas, doenças crônicas e o uso de determinados medicamentos com potencial ototóxico. 

A identificação precoce das alterações auditivas é fundamental para investigar suas causas e definir as estratégias de cuidado mais adequadas. O acompanhamento especializado pode prevenir complicações em determinadas situações e minimizar os impactos da perda auditiva sobre a comunicação, as relações sociais e a qualidade de vida.

Integrante da Comissão de Audiologia do Conselho Regional de Fonoaudiologia da 2ª Região, o fonoaudiólogo Caio Cesar da Silva (CRFa 2 – 19659), explica que as perdas auditivas podem ser classificadas em três tipos principais.

“As perdas condutivas estão relacionadas a alterações na condução do som pela orelha externa ou média, como ocorre em determinadas condições envolvendo o tímpano, a tuba auditiva ou os ossículos do ouvido. As neurossensoriais envolvem alterações na orelha interna ou nas estruturas neurais relacionadas à audição. Já as perdas mistas apresentam componentes condutivos e neurossensoriais associados”, esclarece.

As possibilidades de tratamento e reabilitação dependem da causa, do tipo e do grau da perda auditiva, além das necessidades individuais. Algumas alterações podem ser tratadas clinicamente ou por meio de procedimentos cirúrgicos. Em outros casos, podem ser indicados aparelhos auditivos de amplificação sonora, implantes cocleares ou outras tecnologias assistivas, associados ao acompanhamento fonoaudiológico.

A avaliação audiológica tem papel essencial nesse processo, pois permite investigar as características da audição e contribuir para a definição das estratégias de intervenção e reabilitação mais apropriadas.


Atenção à saúde auditiva desde o nascimento

A identificação precoce é especialmente importante na infância, período crítico e fundamental para o desenvolvimento das habilidades auditivas, linguísticas e comunicativas.

Por isso, todos os recém-nascidos devem realizar a Triagem Auditiva Neonatal, popularmente conhecida como teste da orelhinha, preferencialmente ainda na maternidade. O procedimento é rápido, indolor, não é invasivo, é Lei e permite identificar possíveis alterações que necessitem de investigação diagnóstica.

“O teste da orelhinha é uma etapa fundamental do cuidado com a saúde auditiva pediátrica. É a parte inicial que nos leva a seguir com o diagnóstico audiológico completo quando há suspeita ou indicadores de risco para a perda auditiva. Além disso, é importante acompanhar o desenvolvimento da audição e da linguagem mesmo nas crianças que passaram na triagem neonatal”, orienta o fonoaudiólogo.

O diagnóstico precoce amplia as possibilidades de intervenção durante um período importante do desenvolvimento infantil. “Quando indicado, o aparelho auditivo ou o implante coclear podem proporcionar audibilidade e favorecer o desenvolvimento da linguagem. Entretanto, os resultados da amplificação variam entre as crianças e dependem de diversos fatores, incluindo o acompanhamento fonoaudiológico, o acesso à comunicação e a participação familiar”, conclui o especialista em audiologia.

Fonte: Integrante da Comissão de Audiologia do Conselho Regional de Fonoaudiologia da 2ª Região, o fonoaudiólogo Caio Cesar da Silva (CRFa 2 – 19659), explica que as perdas auditivas podem ser classificadas em três tipos principais

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