Brincar na Infância vai Além da Diversão

Brincar na infância vai além da diversão e contribui para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional

Pedagogia alerta para os impactos da redução das brincadeiras presenciais e defende equilíbrio no uso de dispositivos digitais 

O brincar é uma das principais formas de aprendizagem na infância e desempenha papel fundamental no desenvolvimento cognitivo, social, emocional e motor das crianças. Com o avanço da tecnologia e a presença cada vez maior de celulares e tablets na rotina familiar, preservar as brincadeiras tradicionais tornou-se um desafio para famílias e escolas. A professora Sabrina Moreno, coordenadora do curso de Pedagogia do Centro Universitário Módulo, chama a atenção para a importância das experiências concretas, do movimento e das interações presenciais nos primeiros anos de vida. 

De acordo com a especialista, brincar é um dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Na primeira infância, fase marcada pela intensa formação de conexões cerebrais, as experiências vivenciadas contribuem para a construção de habilidades que podem acompanhar o indivíduo ao longo da vida. 

“Quando a criança tem a possibilidade de explorar, experimentar, interagir e participar ativamente de uma experiência, diferentes habilidades são desenvolvidas”, explica Sabrina. Uma brincadeira de amarelinha, por exemplo, envolve equilíbrio, coordenação motora, orientação espacial, planejamento e atenção. Atividades com massinha estimulam a criatividade e a percepção sensorial, ao passo que jogos coletivos exigem a compreensão de regras, a tomada de decisões e a convivência com outras crianças.

Apesar de manter uma postura crítica em relação ao excesso de tecnologia na infância, a educadora reconhece a realidade das famílias contemporâneas. “Entendo que para muitas mães, que precisam conciliar trabalho, casa e outras responsabilidades, as telas acabam funcionando como uma espécie de rede de apoio. Contudo, precisamos refletir não apenas sobre o tempo que as crianças passam diante das telas, e sim sobre tudo aquilo que deixam de vivenciar enquanto estão nelas”, afirma Sabrina. 

Convivência e desenvolvimento emocional 

Durante uma brincadeira em grupo, a criança aprende que os colegas têm desejos, opiniões e necessidades diferentes das suas. Também descobre que nem sempre será possível vencer, escolher a atividade ou conduzir a situação da maneira que gostaria. Essas vivências ajudam a desenvolver a tolerância à frustração, a autonomia e a capacidade de respeitar limites. 

Sabrina observa que professores têm relatado dificuldades de algumas crianças para esperar sua vez, acompanhar orientações, manter a atenção e lidar com pequenas contrariedades. A especialista pondera que esses comportamentos podem estar relacionados a diferentes fatores familiares, sociais e culturais, sem que seja possível atribuí-los exclusivamente ao uso de telas.

O papel das famílias e das escolas no uso das telas

O uso de dispositivos digitais exige atenção especial na primeira infância. Sabrina defende que a Educação Infantil priorize o brincar livre, as experiências concretas e as interações humanas. Nos anos seguintes, a tecnologia pode integrar as atividades pedagógicas de maneira ativa, planejada e mediada pelos educadores, sem ocupar toda a rotina escolar.

Entre os comportamentos que merecem observação estão irritabilidade, alterações no sono, isolamento social, redução do interesse por brincadeiras, dificuldades de atenção e menor iniciativa para criar histórias e imaginar situações durante as atividades lúdicas. Esses sinais, ressalta a especialista, não indicam necessariamente que o uso de telas seja a causa do problema. A frequência, a intensidade e o contexto em que aparecem precisam ser considerados, com orientação profissional quando necessário.

Para Sabrina, o caminho passa pela parceria entre escola e família. Resgatar jogos coletivos, brincadeiras tradicionais, atividades ao ar livre e momentos de convivência pode ampliar as oportunidades de desenvolvimento infantil. A participação dos adultos é essencial nesse processo, inclusive para reservar tempo na rotina para brincar junto com as crianças.

Fonte: Centro Universitário Módulo – Fundado em 1988, o Centro Universitário Módulo é a maior e mais tradicional instituição de ensino superior do Litoral Norte de São Paulo. Mantém cursos de graduação, além de cursos de pós-graduação e de extensão, e ainda, dispõe dos campi Centro e Martim de Sá. Pertence ao grupo Cruzeiro do Sul Educacional, um dos mais representativos do País, que reúne instituições academicamente relevantes e marcas reconhecidas em seus respectivos mercados

 

Deixe um comentário