O Brasil registrou 55 casos de Mpox em 2026, de acordo com informações divulgadas pelo Centro Nacional de Inteligência Epidemiológica e Vigilância Genômica (CNE-VIG), vinculado ao Ministério da Saúde.

Os dados indicam que a doença segue sob acompanhamento das autoridades sanitárias. Até o momento, a maior parte das ocorrências apresenta sintomas leves ou moderados, sem sinais de agravamento em grande escala. A OMS (Organização Mundial da Saúde) classificou, no dia 14 de agosto de 2024, a Mpox como uma emergência sanitária global, alertando para o risco de disseminação da doença e a possibilidade de uma nova pandemia.
Surtos de Mpox vêm sendo reportados na República Democrática do Congo há mais de uma década, e as infecções têm aumentado de forma constante nos últimos anos. A Mpox é causada pelo vírus Monkeypox, que pode se espalhar entre pessoas e, ocasionalmente, do ambiente para pessoas, por meio de objetos e superfícies contaminadas. Em regiões onde o vírus circula entre animais selvagens, a transmissão para humanos pode ocorrer através do contato com esses animais.
Os sintomas da Mpox variam, mas o mais comum é uma erupção cutânea que se assemelha a bolhas ou feridas, durando de duas a quatro semanas. Outros sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, dores nas costas, apatia e gânglios inchados. A erupção pode afetar o rosto, mãos, pés, virilha e regiões genitais ou anal.
Segundo a Dra. Vanessa Lentini, infectologista do Hospital Santa Marcelina, as lesões também podem aparecer na boca, garganta, ânus, reto, vagina ou olhos. “O número de feridas varia, e algumas pessoas podem desenvolver inflamação no reto, causando dor intensa, ou nos órgãos genitais, dificultando a urina”, esclarece a infectologista.
Como é a transmissão? O vírus se espalha de pessoa para pessoa por meio de contato próximo com alguém infectado, incluindo gotículas de curto alcance ao falar ou respirar, contato pele com pele (como em relações sexuais), e contato boca a boca ou boca a pele. “Pessoas com Mpox são infecciosas até que todas as lesões formem crostas e caiam, revelando nova pele. A transmissão pode ocorrer enquanto as lesões nos olhos, boca, garganta, vagina e ânus não cicatrizarem, o que geralmente leva de duas a quatro semanas”, explica a Dra. Lentini.
O vírus pode persistir por algum tempo em roupas, roupas de cama, toalhas, objetos e superfícies tocadas por uma pessoa infectada. Outra pessoa pode se infectar ao tocar nesses itens contaminados, especialmente se houver cortes na pele ou se tocar olhos, nariz, boca ou outras membranas mucosas sem lavar as mãos. “A transmissão também pode ocorrer pelo contato com animais infectados, incluindo macacos e roedores terrestres. Esse contato pode se dar através de mordidas, arranhões ou durante a caça e preparo de alimentos, e o vírus pode ser contraído ao ingerir carne malcozida de animais infectados”, diz a infectologista.
Quem pode contrair Mpox? Qualquer pessoa que tenha contato físico próximo com alguém com sintomas de Mpox ou com um animal infectado está em risco de infecção. Pessoas vacinadas contra a varíola humana podem ter alguma proteção contra a Mpox. “No entanto, é improvável que jovens tenham sido vacinados, já que a vacinação foi interrompida após a erradicação da varíola humana em 1980. Mesmo vacinados devem adotar medidas de proteção”, orienta a infectologista.
Como reduzir o risco de contrair Mpox? Para reduzir o risco de infecção limitando o contato com pessoas sob suspeita de Mpox ou diagnosticadas com a doença:
- Use máscara, especialmente se a pessoa infectada tiver lesões na boca ou estiver tossindo;
- Evite contato pele a pele e use luvas descartáveis se precisar tocar as lesões;
- Use máscara ao manusear vestimentas ou roupas de cama da pessoa doente;
- Lave regularmente as mãos com água e sabão ou utilize álcool em gel, especialmente após contato com uma pessoa infectada;
- Roupas, lençóis, toalhas, talheres e pratos dos infectados devem ser lavados com água morna e detergente;
- Limpe e desinfete superfícies contaminadas e descarte resíduos de forma adequada.
Diagnóstico: a confirmação do Mpox é feita por exames laboratoriais, como testes moleculares e sequenciamento genético. Todo caso suspeito deve passar por análise específica. A coleta é realizada, preferencialmente, a partir da secreção das lesões. Se elas já estiverem secas, as crostas são encaminhadas para exame. No Brasil, as amostras são direcionadas a laboratórios de referência.
Existe tratamento para Mpox? O manejo da Mpox é baseado principalmente em cuidados de suporte, com foco no alívio dos sintomas, prevenção de complicações e redução do risco de sequelas. A maioria dos pacientes apresenta quadros leves a moderados. Até o momento, não há medicamento específico aprovado exclusivamente para o tratamento da Mpox. “Os sintomas da Mpox geralmente desaparecem por conta própria, sem necessidade de tratamento. É importante cuidar das erupções cutâneas, deixando-as secar ou cobrindo-as com curativos úmidos. Evite tocar em feridas na boca ou nos olhos, e utilize enxaguantes bucais e colírios conforme necessário, evitando produtos com cortisona”, finaliza a Dra. Lentini.
Fonte: Dra. Vanessa Lentini, infectologista do Hospital Santa Marcelina

