Por que não descuidar da alimentação dos filhos nesses períodos e como escolher os alimentos ideais para os dias frios]

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Férias são sinônimo de descanso, brincadeiras, viagens em família, idas à casa dos avós e, muitas vezes, liberdade total — inclusive na alimentação. E aí mora o problema. Quando a rotina escolar é interrompida, muita coisa sai dos trilhos: os horários das refeições mudam, os lanches se tornam mais calóricos, o consumo de água diminui e o espaço no prato que antes era das frutas e dos legumes é ocupado por guloseimas, biscoitos, refrigerantes e comidas de preparo rápido.
É fácil entender por quê. Com as crianças em casa, os pais se veem sem tempo ou energia para manter a mesma organização. E os pequenos, por sua vez, associam férias com “liberação geral”. Só que esse hábito de “relaxar demais” na alimentação pode ter consequências reais. Cansaço, irritabilidade, intestino preso, perda de apetite, ganho de peso e até baixa imunidade são algumas das consequências de uma alimentação desregulada nesse período.
A nutricionista Priscila Pilon, da Escola do Futuro Brasil, alerta: “As férias não podem ser uma licença para descuidar da saúde. É claro que dá pra flexibilizar, incluir momentos de prazer e até sair da rotina. Mas o básico precisa ser mantido: frutas, legumes, hidratação, refeições principais com variedade. Isso é essencial para o desenvolvimento e para o equilíbrio emocional da criança”.
Mais importante do que proibir alimentos é manter uma base nutritiva sólida. A criança pode, sim, tomar um chocolate quente ou comer um bolo à tarde — desde que, no restante do dia, ela esteja bem alimentada. Afinal, férias boas são aquelas em que o corpo e a mente continuam bem cuidados.

Comida e aconchego: o que o corpo das crianças precisa nos dias frios
Com a chegada do inverno, o organismo naturalmente pede mais energia para manter a temperatura corporal. E, com isso, a fome aumenta. Isso é fisiológico — o metabolismo fica mais ativo para “aquentar” o corpo. Mas não é porque dá mais fome que toda comida resolve. Escolher bem o que vai no prato faz toda a diferença para manter a imunidade, a disposição e até o humor das crianças durante a estação mais fria do ano.
No frio, o corpo gasta mais energia para se aquecer. Por isso, refeições mais densas nutricionalmente são bem-vindas. Entram aqui as sopas com legumes, caldos nutritivos com carnes magras, grãos como feijão e lentilha, raízes como mandioquinha e batata-doce, além de ovos, cereais integrais e vegetais cozidos. Esses alimentos fornecem calorias de qualidade e ajudam a manter o corpo aquecido, sem sobrecarregar o sistema digestivo.
Outro ponto essencial no inverno é reforçar o consumo de alimentos que ajudem a fortalecer a imunidade — já que essa é a época do ano com mais casos de gripe, resfriados e infecções respiratórias. Frutas ricas em vitamina C, como laranja, kiwi, acerola e morango, não devem sair da rotina. Alho, gengibre e cúrcuma também são ingredientes simples, mas poderosos, que podem ser incluídos no preparo das refeições.
Priscila destaca que “o segredo é unir o sabor com a função. Uma sopa bem feita, um arroz com lentilha, uma fruta com aveia e mel — tudo isso, além de acolher no frio, traz nutrientes que ajudam o corpo a se proteger e se manter ativo. O importante é não cair na armadilha de que comida de inverno precisa ser pesada ou cheia de açúcar”.
Também vale atenção à hidratação. Mesmo com menos sede, o corpo precisa de água para funcionar bem. Chás naturais, águas aromatizadas e caldos caseiros são formas criativas de manter os pequenos hidratados mesmo nos dias frios.
Planejamento leve e afeto na mesa: como manter bons hábitos sem estresse
Manter a alimentação equilibrada nas férias de inverno não precisa ser um fardo. Pelo contrário: pode ser uma oportunidade de reconectar a família com a comida de verdade, de envolver os filhos no preparo das refeições e de criar memórias afetivas ao redor da mesa. O que falta, na maioria das vezes, é planejamento — e um pouco de criatividade.
Organizar as compras da semana, congelar porções de sopas, deixar frutas cortadas na geladeira ou bolos caseiros prontos para o lanche pode evitar o apelo dos industrializados. Também vale incluir as crianças no processo: deixá-las ajudar a escolher as frutas no mercado, lavar os legumes ou até preparar uma receita com os pais transforma o ato de comer em algo divertido e educativo.
“As crianças tendem a aceitar melhor os alimentos quando participam da escolha ou preparo. Isso cria autonomia, desenvolve o paladar e torna a alimentação mais natural e menos obrigatória”, reforça Priscila.
As férias e o inverno podem ser, sim, um convite à comida mais acolhedora, mais feita em casa, mais lenta — mas isso não significa abrir mão da qualidade. Manter uma base nutritiva permite aproveitar o chocolate quente, a pipoca, o bolo no fim da tarde… sem culpa, porque o equilíbrio está garantido.
Mais do que regras, o que os filhos precisam é de um ambiente onde a comida é vista como cuidado, e não como castigo ou distração. A alimentação nas férias de inverno pode ser gostosa, afetuosa e ainda assim saudável. E isso, no fim das contas, é o que mais importa.
Fonte: Nutricionista Priscila Pilon, da Escola do Futuro Brasil

