A decisão da atriz Monique Alfradique de congelar óvulos, compartilhada recentemente em entrevista, trouxe novamente à tona um tema cada vez mais presente na vida de mulheres que desejam ser mães

A decisão da atriz Monique Alfradique de congelar óvulos, compartilhada recentemente em entrevista, trouxe novamente à tona um tema cada vez mais presente na vida de mulheres que desejam ser mães, mas entendem que a maternidade nem sempre acontece no tempo idealizado. Solteira, a atriz falou abertamente sobre o desejo de ser mãe no futuro e sobre a importância de se preparar biologicamente para essa escolha.
O assunto ganha relevância em um cenário no qual a maternidade é cada vez mais planejada. Segundo a médica ginecologista e especialista em Reprodução Humana Taciana Fontes, o congelamento de óvulos se tornou uma ferramenta importante para ampliar possibilidades, mas a idade em que o procedimento é realizado continua sendo decisiva para os resultados. “Do ponto de vista médico, o ideal é que o congelamento aconteça até os 35 anos, quando a qualidade e a quantidade dos óvulos ainda são significativamente melhores. Após essa fase, o procedimento segue possível, mas com taxas de sucesso progressivamente menores”, explica.
A fala de Monique reflete uma realidade comum entre mulheres que priorizam carreira, estabilidade emocional ou que ainda não encontraram o parceiro ideal. Para Taciana, essa escolha não deve ser vista como adiamento irresponsável da maternidade, mas como planejamento consciente. “Congelar óvulos não significa adiar o sonho indefinidamente. Significa preservar uma chance real de engravidar no futuro, respeitando o tempo individual de cada mulher.”
Por que a idade faz tanta diferença
A reserva ovariana diminui naturalmente ao longo da vida. A especialista explica que, a partir dos 37 anos, a queda na qualidade dos óvulos se torna mais acentuada, e após os 40, os impactos são ainda mais relevantes. “O congelamento preserva o óvulo no estágio em que ele está no momento da coleta. Por isso, quanto mais jovem a mulher, maior a probabilidade de sucesso quando esses óvulos forem utilizados.”
Taciana reforça que ainda existe um equívoco comum de que o congelamento deve ser considerado apenas perto dos 40 anos. “Na prática, muitas mulheres chegam tarde demais achando que ainda estão no melhor momento. Informação é fundamental para evitar frustrações futuras.”
Famosas ajudam a quebrar tabus
Assim como Monique Alfradique, outras celebridades já falaram publicamente sobre o congelamento de óvulos, como Sabrina Sato, Paolla Oliveira e Isis Valverde. Para a especialista, esse tipo de relato tem um impacto social importante. “Quando figuras públicas compartilham suas decisões, elas ajudam a normalizar o debate sobre fertilidade e mostram que esse não é um tema restrito a quem enfrenta dificuldades, mas uma escolha preventiva e estratégica.”
Quando o congelamento deve ser considerado
Além da ausência de um parceiro, o congelamento pode ser indicado para mulheres que desejam focar na carreira, têm histórico familiar de menopausa precoce, precisam passar por tratamentos médicos ou simplesmente querem manter opções abertas. “Não existe uma regra única. Existe a biologia e existe o projeto de vida de cada mulher. Nosso papel é alinhar essas duas realidades”, afirma Taciana.
Planejamento não é garantia, é possibilidade
O procedimento é seguro, amplamente utilizado e envolve poucas semanas de tratamento. Ainda assim, a especialista faz um alerta importante. “O congelamento não é uma garantia de gravidez, mas uma ferramenta de planejamento reprodutivo. Ele oferece tempo, mas não muda o funcionamento natural do corpo. A decisão precisa ser baseada em informação, acompanhamento médico e expectativas reais.”
Ao falar abertamente sobre o tema, Monique Alfradique contribui para ampliar a conscientização sobre fertilidade feminina e reforça que desejar a maternidade também passa por escolhas conscientes, feitas no tempo possível de cada mulher.
Fonte: Médica ginecologista e especialista em Reprodução Humana Taciana Fontes

