O Dia Mundial do Diabetes transcende a conscientização e requer uma reavaliação dos hábitos de saúde familiar e social.

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O Dia Mundial do Diabetes transcende a conscientização e requer uma reavaliação dos hábitos de saúde familiar e social. O alerta é baseado em evidências científicas recentes: um novo estudo, publicado na revista científica Frontiers in Endocrinology, revela que o diabetes está se tornando uma grande ameaça à saúde global de crianças e adolescentes, menores de 20 anos.
Entre 1990 e 2021, a incidência de diabetes neste público apresentou um aumento drástico, totalizando um crescimento de aproximadamente 94%. Segundo a pesquisa, o número total de novos casos saltou de 581.949 em 1990 para 1.317.669 em 2021 e a taxa de incidência global passou de 25,77 por 100.000 em 1990 para 49,99 por 100.000 em 2021.
“Este não é apenas um dado, faz parte de um cenário que compromete a saúde e o futuro da nossa juventude,” afirma Dra. Rosita Fontes, endocrinologista dos laboratórios Bronstein e Sérgio Franco, da Dasa, no Rio de Janeiro.
O estudo ressalta o principal fator de preocupação: embora a prevalência de ambos os tipos da doença tenha aumentado, as taxas de diabetes tipo 2 ultrapassaram as de diabetes tipo 1 (DM1) em novos casos na população jovem.
“Houve uma mudança no perfil da doença. O diabetes tipo 2 está intimamente ligado a fatores de estilo de vida, como má alimentação e sedentarismo, sugerindo que a maioria dos diagnósticos recentes está relacionada aos ambientes alimentares não saudáveis em que as crianças estão crescendo.”, comenta a endocrinologista.
Variações regionais e fatores de risco
O estudo analisou dados de 204 países e regiões, revelando que a carga do diabetes em crianças e adolescentes varia consideravelmente por região geográfica e nível de desenvolvimento social.
Em termos de Índice Sociodemográfico (ISD), que reflete o nível de desenvolvimento de um país, a região de ISD médio-alto apresentou a maior carga da doença. Mas embora a incidência do diabetes tenha disparado entre o público infanto-juvenil, a mortalidade apresentou uma queda notável.
“Apesar da diminuição nas taxas de mortalidade ao longo do tempo, o aumento na incidência sinaliza que as estratégias atuais de prevenção e tratamento ainda não conseguiram conter o início precoce da doença.”, comenta a médica.
Segundo o Relatório sobre Nutrição Infantil 2025, da Organização Mundial da Saúde (OMS), dietas de baixa qualidade, impulsionadas pelo fácil acesso a alimentos e bebidas ultraprocessados, elevam o risco de sobrepeso, obesidade e condições cardiometabólicas em crianças.
“O impacto disso, no entanto, é mais profundo: teremos uma geração que precisará lidar com o peso do diabetes mais cedo, limitando seu potencial e sobrecarregando o sistema de saúde. Prevenir a doença na juventude é investir em futuro saudável e coletivo. Em vez de temer as estatísticas, devemos nos capacitar e aprender com os números. Entender essa dinâmica nos dá o poder de agir: em casa, fazendo escolhas mais nutritivas; na comunidade, apoiando ambientes saudáveis; e na política, cobrando regulamentações que protejam as crianças. O bem-estar e a qualidade de vida dos nossos jovens dependem da ação informada que tomarmos hoje.”, finaliza Rosita Fontes.
Fonte: Dra. Rosita Fontes, endocrinologista dos laboratórios Bronstein e Sérgio Franco, da Dasa, no Rio de Janeiro.

