Clara Maia anuncia Perda Gestacional

Entenda o que é luto perinatal e como apoiar famílias enlutadas

Reprodução Instagram

A influenciadora Clara Maia anunciou no domingo (21) a morte de Túlio, um de seus filhos gêmeos, após parto prematuro. O irmão, Theo, segue internado. Em publicação nas redes sociais, Clara classificou a dor como “indescritível”. O episódio ocorre em um momento em que novas medidas legais já estão em vigor para oferecer apoio e reconhecimento a quem enfrenta esse tipo de perda.

Sancionada em maio, a Lei nº 15.139/2025, que institui a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, entrou em vigor em agosto e prevê atendimento psicológico pelo SUS, acolhimento humanizado nas maternidades, direito ao nome do bebê natimorto e acesso a exames que apurem a causa da perda. Para a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, a legislação representa um avanço importante no combate ao julgamento e à solidão enfrentada por muitas famílias.

Segundo a especialista, o luto perinatal é uma experiência única e profundamente pessoal. “Algumas pessoas vivenciam esse processo por semanas, outras por meses ou até mais tempo. Não existe prazo definido. O que importa é observar como a tristeza impacta o cotidiano. Quando há isolamento prolongado ou pensamentos de desesperança, pode ser o momento de buscar apoio especializado”, afirma. Rafaela destaca que psicólogos perinatais estão preparados para oferecer escuta qualificada e suporte emocional.

Ainda assim, persistem tabus. Mães e pais relatam não se sentirem reconhecidos como pais após a perda e frequentemente ouvem frases que minimizam a dor. “Validar a existência do bebê e permitir que a família fale sobre ele favorece a elaboração do luto. Um simples ‘sinto muito pela sua perda’ acolhe mais do que qualquer explicação. Escutar sem julgamentos e oferecer ajuda prática no dia a dia também faz diferença”, explica Rafaela.

Pais também vivenciam o luto, embora muitas vezes sejam invisibilizados. “Os homens costumam ser pressionados a serem fortes para apoiar a parceira, mas eles também perderam um filho e precisam de acolhimento. O luto paterno é real e deve ser respeitado”, reforça a psicóloga.

O que não dizer e como apoiar, segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo

  • “Foi melhor assim”: O luto perinatal não é apenas sobre a morte do bebê, mas sobre os planos e sonhos interrompidos. Dizer que “foi melhor assim” invalida o sofrimento e pode aumentar a sensação de culpa.
  • “Você pode ter outro filho”: Nenhuma nova gravidez substitui um bebê que foi perdido. Cada gestação é única, e essa frase pode minimizar a dor da mãe.
  • “Pelo menos você ainda não tinha criado vínculo”: O vínculo materno começa desde a gestação. A perda pode ser devastadora, independentemente da idade gestacional.
  • “Deus sabe o que faz”: Frases com conotação religiosa podem causar desconforto, principalmente se não forem compatíveis com as crenças da mãe.
  • “Seja forte”: O luto precisa de espaço para ser vivido. Pedir que a mãe seja forte pode pressioná-la a esconder seus sentimentos e tornar o processo ainda mais difícil.

Como oferecer apoio de verdade

  • Ofereça presença e escuta: Perguntas como “Quer conversar?” ou “Posso te ajudar com algo?” mostram que a pessoa está disponível sem pressionar.
  • Valide a dor da família: Frases como “Eu não posso imaginar sua dor, mas estou aqui para o que precisar” são mais acolhedoras do que tentar minimizar o sofrimento.
  • Respeite o tempo do luto: Cada pessoa tem seu próprio ritmo para processar uma perda. O melhor apoio é estar disponível sem cobranças ou expectativas.
  • Ajude com ações concretas: Oferecer ajuda prática, como cuidar de tarefas do dia a dia ou simplesmente estar por perto, pode fazer a diferença.

Fonte: Profª-Dra. Rafaela de Almeida Schiavo é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil. Possui graduação em Licenciatura Plena em Psicologia e em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

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