O relógio biológico masculino também conta

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Especialista em Reprodução Humana, Dr. Alfonso Massaguer, alerta para os riscos e desafios da paternidade após os 40 anos, um fenômeno crescente entre os millenials
Enquanto o debate sobre o relógio biológico feminino é amplamente difundido, uma nova realidade demográfica traz à tona uma questão ainda pouco discutida: a paternidade tardia e seus impactos na saúde da Geração Y. Homens que hoje têm entre 29 e 44 anos, os chamados millenials, estão adiando o sonho de ter filhos, mas muitos desconhecem que a fertilidade masculina também tem prazo de validade
“A Geração Y chega ao consultório com uma mentalidade de alta performance em todas as áreas da vida, mas muitas vezes negligencia a saúde reprodutiva”, afirma o Dr. Alfonso Massaguer, especialista em Reprodução Humana da Clínica Mãe. “É uma geração que viu seus pais se tornarem avós na idade em que eles agora consideram ter primeiro filho. Há uma busca crescente por informação, mas também um grande desconhecimento sobre os riscos associados à idade paterna avançada.”
O especialista alerta que, a partir dos 40 anos, a qualidade e a quantidade dos espermatozoides começam a declinar. Após os 50, essa queda se acentua, podendo levar a maiores taxas de aborto espontâneo e ao aumento do risco de doenças multifatoriais nos filhos, como autismo e esquizofrenia.
“O homem também tem um relógio biológico. A perda de fertilidade não é tão intensa quanto nas mulheres, mas ela existe e precisa ser levada em consideração”, ressalta o Dr. Massaguer. “Muitos homens dessa geração, em sua busca por performance, recorrem a anabolizantes e outras substâncias que são um verdadeiro veneno para a fertilidade, agravando um cenário já desafiador pelo adiamento da paternidade.”
Check-up da fertilidade masculina: o que fazer?
Para homens que planejam ter filhos após os 40, o Dr. Alfonso Massaguer recomenda um check-up completo da saúde reprodutiva, que inclui exames hormonais, ultrassom e o espermograma. “Exames mais específicos, como a análise da fragmentação do DNA espermático, podem revelar um comprometimento da fertilidade que não é visível em análises mais simples”, explica.
Quando a qualidade do sêmen não pode ser melhorada com mudanças no estilo de vida – como dieta equilibrada, sono de qualidade e abandono de vícios –, a medicina reprodutiva oferece soluções avançadas.
“Hoje, dispomos de técnicas como a inseminação artificial e a fertilização in vitro. Em casos mais complexos, a ICSI, que consiste na injeção de um único espermatozoide diretamente no óvulo, oferece altas taxas de sucesso”, detalha o médico. “Para aqueles que desejam adiar a paternidade com segurança, o congelamento de sêmen é uma opção viável e cada vez mais procurada.”
O aconselhamento genético também é uma ferramenta importante para casais com paternidade tardia, embora o Dr. Massaguer pondere que suas limitações devem ser compreendidas, já que muitas doenças são poligênicas e de difícil detecção prévia.
“O mais importante é a conscientização. O planejamento familiar não é uma responsabilidade exclusiva da mulher. O homem moderno precisa entender seu papel e os limites do seu próprio corpo para tomar decisões mais informadas e seguras para o futuro de sua família”, conclui.
Fonte: Dr. Alfonso Massaguer – CRM 97.335 – É Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Ginecologista e Obstetra pelo Hospital das Clínicas e atua em Reprodução Humana há 20 anos. Dr. Alfonso é diretor clínico da MAE (Medicina de Atendimento Especializado) especializada em reprodução assistida. Foi professor responsável pelo curso de reprodução humana da FMU por 6 anos.
A Clínica Mãe é uma instituição de referência em reprodução assistida, dedicada a ajudar pessoas a realizarem o sonho de se tornarem pais.

