Gravidez de Claudia Raia aos 55 anos é Exceção e não Regra

Gestações espontâneas aos 55 anos são extremamente raras e arriscadas, com maior índice de abortos e alterações cromossômicas devido à diminuição da qualidade e quantidade de óvulos.

Claudia Raia

Ao compartilhar relato sobre sua última gestação em entrevista para a GNT, a atriz Claudia Raia explicou que engravidou naturalmente aos 55 anos, após realizar uma FIV sem sucesso, e questionou: “Por que as mulheres não tentam? Por que o próprio patriarcado, os médicos não te encorajam. Muitos médicos meus disseram ‘não faça isso, isso é muito perigoso, você pode morrer, é uma gravidez de risco’. Toda gravidez é de risco. Claro que é arriscado, claro que é complexo, né? Mas que bom que eu sou inconsequente. Que bom que eu tive coragem”, afirmou. A declaração, no entanto, levantou polêmicas, afinal, é de conhecimento geral que a idade interfere diretamente nas chances e nos riscos da gravidez. Então, quais são a real possibilidade de uma gestação espontânea e bem-sucedida aos 55 anos?

Segundo o Dr. Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, não se trata de questionar a forma como a atriz engravidou. “Mas é importante ressaltar que é uma exceção, e não a regra, para não criar expectativas irreais e causar frustação em mulheres que estão tentando engravidar em uma idade mais avançada. A ocorrência de gestações espontâneas aos 55 anos é extremamente rara, porque a grande maioria das mulheres não tem mais óvulos de qualidade pra gerar uma gestação evolutiva e bem-sucedida”, afirma o médico. “E nessa idade muitas mulheres já estão na menopausa, que é definida pela ausência de menstruação há pelo menos um ano. Na menopausa, a mulher já não ovula mais e, logo, não consegue engravidar espontaneamente. Uma mulher que ainda ovula pode estar simplesmente no processo de transição menopausal, que pode durar anos e já é marcado por sintomas característicos da menopausa, então a mulher pode acreditar que já entrou nessa fase, mas ainda ovular”, acrescenta.

Para mulheres que desejam engravidar nessa idade, é dever do médico orientar sobre os dados estatísticos e reais probabilidades para que a paciente tenha expectativas realistas e esteja ciente dos riscos. “A decisão sobre gestar ou não gestar é de cada pessoa e não do médico, mas cabe a ele dar as orientações para que essa escolha seja consciente. E sim, uma gestação nessa faixa etária tem mais riscos de complicações obstétricas do que em idades abaixo dos 35 anos, por exemplo. Isso não significa que toda gestação vai ser alterada, mas exige muitos cuidados”, diz o especialista. Aos 55 anos, além da taxa de fertilidade cair consideravelmente, há um aumento no risco de abortos e de doenças cromossômicas. “Quando se trata de gestação espontânea, após os 40 anos, há um aumento considerável do risco de abortos espontâneos no primeiro trimestre. Aos 55 anos, o risco de aborto chega a mais de 90%. Já a chance de o bebê nascer coma doenças cromossômicas, incluindo a Síndrome de Down, é de 1 para 10 nascimentos aos 49 anos”, pontua o especialista.

Durante a entrevista, Claudia Raia ainda afirma que, em 2023, mais de 1200 mulheres com mais de 50 anos tiveram filhos. E apesar do dado ser verídico, a verdade é que a grande maioria dessas mulheres tiveram filhos por meio de tratamentos de reprodução assistida. Segundo o Dr. Rodrigo, nessa idade, as mulheres que engravidam geralmente realizam uma fertilização in vitro com óvulos congelados ou doados. “Caso a mulher alcance a menopausa e tenha realizado o congelamento de óvulos previamente, essa é uma possibilidade para alcançar a gestação mesmo após o fim da capacidade reprodutiva. Porém, mesmo sem ter congelado óvulos, a mulher ainda pode engravidar por meio da ovorecepção, que consiste no uso de óvulos obtidos em bancos de maneira totalmente anônima. E o fato de serem doados não reduz, de maneira alguma, o papel da receptora como mãe, afinal, é ela quem garantirá que a criança cresça feliz e saudável”, ressalta o Dr. Rodrigo

Mas o Dr. Rodrigo Rosa ressalta que mesmo com a Fertilização In Vitro, a gravidez após os 50 anos ainda é considerada uma gestação de risco, então é importante que a mulher siga com o acompanhamento médico e realize o pré-natal da maneira adequada. “Nessa idade, há um maior risco de complicações como pressão alta, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro e doenças cardiovasculares, incluindo infartos e tromboses”, diz o médico. “Felizmente, com os devidos cuidados, é perfeitamente possível que a gravidez se desenvolva sem complicações e de maneira segura para a mãe e para o bebê. Mas, claro, cada caso deve ser avaliado individualmente”, finaliza.

Fonte: . RODRIGO ROSA: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Instagram: @dr.rodrigorosa

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