Falecimento do bebê após a 20ª semana de gestação é considerado como óbito fetal e pode ocorrer por causas variadas, incluindo desde doenças maternas e insuficiência placentária até infecções e condições genéticas.

Micheli machado
Por meio de comunicado divulgado na segunda-feira (12) pela assessoria de imprensa, a atriz Micheli Machado divulgou que perdeu o bebê que esperava com o ator Robson Nunes. Na sexta (09), a artista deu entrada na maternidade e precisou ser internada para passar por uma cesárea de emergência para retirada do bebê. Micheli já estava no nono mês de gestação. “Após a 20ª semana de gestação, não consideramos mais como aborto, mas sim como óbito fetal. A nomenclatura exata pode diferir. A Organização Mundial da Saúde, por exemplo, refere-se como morte fetal intrauterina, enquanto nos Estados Unidos fala-se em natimorto, com distinção entre natimorto precoce (20 a 27 semanas completas), natimorto tardio (28 a 36 semanas completas) e natimorto a termo (≥37 semanas completas). No mundo, a cada ano, mais de 2,6 milhões de gestações resultam em natimortos no terceiro trimestre”, explica o ginecologista e obstetra Dr. Nélio Veiga Junior, Mestre e Doutor em Tocoginecologia pela UNICAMP.
Em uma gestação avançada acima de 42 semanas, há um aumento do risco de óbito fetal por insuficiência placentária, por condições da própria placenta. Mas as causas de óbito fetal são variadas, segundo o médico. “Além dos motivos envolvendo a placenta, precisamos pesquisar também as causas maternas, por exemplo, que podem envolver condições como hipertensão, diabetes e doenças autoimunes, por exemplo”, diz o especialista, que acrescenta que complicações da própria gestação e doenças genéticas também podem estar relacionadas ao óbito fetal. “10 a 20% dos óbitos fetais acontecem com crianças que têm alguma doença genética, alguma alteração cromossômica. Além disso, precisamos pesquisar se há algum tipo de infecção. Em países subdesenvolvidos, as infecções são responsáveis por 50% dos óbitos fetais, incluindo toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes, sífilis, zika, Covid, pneumonia e bactérias que podem colonizar esse bebê, levando ao óbito”, pontua o Dr. Nélio. Ele ainda afirma que é preciso investir algumas síndromes dos anticorpos antifosfolípides, que são as trombofilias. “Também é fundamental avaliar como estava esse cordão umbilical, se tinha algum tipo de prolapse de cordão.”
Com relação a como proceder em casos de óbito fetal, o. Dr. Nélio explica que hoje a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRAGO) conta com um manual de como essas situações devem ser abordadas. “Precisamos acolher essa paciente, juntar a família, reunir todas as informações sobre o caso, explicar de forma precisa o que aconteceu. É preciso que a paciente tenha a sua disposição uma equipe capacitada e multidisciplinar capaz de traçar uma estratégia de como a situação será conduzida a partir daquele momento. E todos os acompanhantes podem ficar com a paciente, caso seja seu desejo, e ela precisa ter todo o suporte para esse momento de luto”, destaca o especialista.
De acordo com o obstetra, uma vez que o diagnóstico é confirmado através do ultrassom, o próximo passo é pensar na via de nascimento. “A indicação para uma cesárea é reservada para indicações específicas, geralmente em casos em que a paciente tem múltiplas cesáreas, se há quadro de instabilidade, um descolamento de placenta ou se o bebê não está bem posicionado para um parto vaginal. De forma geral, sempre se opta por um parto vaginal, por uma indução de um trabalho de parto. Isso ajuda auxilia, inclusive, no processo de óbito para essas famílias”, detalha o Dr. Nélio Veiga Júnior, que afirma que essa decisão deve ser compartilhada com a família e a equipe. “É um momento bastante difícil”, finaliza.
FONTE: DR. NÉLIO VEIGA JUNIOR – Médico ginecologista e obstetra, Mestre e Doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP). Atua em consultório privado e já foi médico preceptor no curso de Medicina da UNICAMP e médico pesquisador no Centro de Pesquisa em Saúde Reprodutiva de Campinas. Participa periodicamente de congressos, eventos e simpósios, além de ser autor de diversos artigos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais. CRM 162641 | RQE 87396 | Instagram: @neliojuniorgo

