Pré-eclâmpsia pós-parto: Doença que Pode passar Despercebida traz Grandes Riscos para Mães

Médico do hospital israelense Rambam, referência no país, explica condição rara e, em alguns casos, fatal para mulheres logo após nascimento do filho

Pré-eclâmpsia pós-parto / Freepik

Embora a maioria das pessoas estejam familiarizadas com a pré-eclâmpsia — uma condição tipicamente diagnosticada durante a gravidez — a pré-eclâmpsia pós-parto é muito menos conhecida. A condição ganhou destaque recentemente quando Meghan, a Duquesa de Sussex, revelou que a apresentou após o nascimento de um de seus filhos. Apesar de rara, essa emergência médica é considerada gravíssima, com risco de óbito às mães após o nascimento do filho. 

“A pré-eclâmpsia é uma resposta corporal anormal à gravidez, frequentemente desencadeada por complicações durante o desenvolvimento inicial da placenta, geralmente aparecendo por volta da 20ª semana de gestação. Já a pré-eclâmpsia pós-parto se desenvolve após o nascimento da criança, frequentemente nos primeiros dias, mas às vezes até seis semanas após o parto”, explica o professor Ido Solt, diretor da Unidade de Medicina Materno-Fetal Sra. Edith e Prof. Dov Katz no Rambam Health Care Campus, hospital considerado referência em Israel. 

A pré-eclâmpsia pós-parto afeta aproximadamente entre três e cinco mulheres a cada mil nascimentos. Ao contrário da pré-eclâmpsia, que geralmente é detectada por meio de monitoramento de rotina, a doença pode passar despercebida, colocando as mães em risco significativo. 

“Os sintomas da pré-eclâmpsia pós-parto incluem pressão alta, fortes dores de cabeça, distúrbios visuais, dor abdominal superior, náuseas e inchaço súbito da face, mãos ou pernas. Esses sintomas devem ser levados a sério, mesmo que pareçam leves. O tratamento geralmente envolve hospitalização, medicamentos para pressão arterial, anticonvulsivantes e monitoramento rigoroso”, enfatiza Solt. 

O médico do Rambam destaca que, embora a pré-eclâmpsia durante a gravidez possa ser resolvida com o parto, a pré-eclâmpsia pós-parto requer tratamentos diferentes, e o tempo é essencial. “Se não tratada, a condição pode levar a complicações graves, incluindo acidente vascular cerebral, convulsões, edema pulmonar, danos ao fígado ou aos rins e, em casos extremos, pode ser fatal. Há também um risco aumentado de hipertensão e doenças cardiovasculares no futuro, o que torna o acompanhamento contínuo essencial.” 

Solt alerta que mulheres que já sofreram de pré-eclâmpsia, estão grávidas de múltiplos (gêmeos ou mais), diabéticas e portadoras de hipertensão crônica estão entre aquelas com maior risco de desenvolver pré-eclâmpsia pós-parto. 

“Por essa razão, logo após o parto, é crucial que mães nessas condições permaneçam atentas e monitorem cuidadosamente sua saúde e bem-estar durante todo o período pós-parto.”

Fonte: professor Ido Solt, diretor da Unidade de Medicina Materno-Fetal Sra. Edith e Prof. Dov Katz no Rambam Health Care Campus, hospital considerado referência em Israel.

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