Professores Ainda têm Dificuldade para Reconhecer e Apoiar Crianças com TDAH na Escola

Para a neuropedagoga Mara Duarte, falta de formação específica dificulta a diferenciação entre indisciplina e transtorno, comprometendo o desenvolvimento acadêmico e emocional dos alunos

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A identificação precoce do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um dos principais desafios enfrentados por professores da educação básica no Brasil. A avaliação equivocada de comportamentos como distração, agitação ou resistência a regras pode levar à exclusão pedagógica e social de crianças que necessitam de apoio específico. A observação é da neuropedagoga Mara Duarte, diretora da Rhema Neuroeducação, que atua há mais de 15 anos na capacitação de educadores para o atendimento de alunos neurodivergentes.

“O TDAH não é uma questão de má conduta ou falta de limites, como muitos ainda acreditam. Quando o professor não tem formação adequada, tende a interpretar os sinais da criança como simples desobediência, e isso atrapalha o processo de aprendizagem e afeta a autoestima do aluno”, afirma Mara.

De acordo com a especialista, os principais sintomas observados em sala de aula incluem dificuldade de concentração, agitação motora, impulsividade, esquecimento de tarefas e interrupções constantes. “Muitas vezes, essa criança não consegue sequer copiar o que está no quadro porque perde o foco com facilidade. Ou fala fora de hora, não por mal, mas por não conseguir inibir seus impulsos”, explica.

A neuropedagoga destaca que o impacto do TDAH vai além do rendimento escolar. Sem intervenções adequadas, a criança pode enfrentar problemas de socialização, ansiedade e desmotivação. “Esses alunos têm potencial, mas precisam de condições adequadas para demonstrá-lo. A escola tem papel fundamental na construção desse ambiente de acolhimento e estímulo”, reforça.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que o TDAH atinge cerca de 5% das crianças em idade escolar no mundo. No Brasil, o número exato é difícil de mensurar devido à subnotificação e à carência de diagnósticos formais. Mesmo assim, o crescimento da demanda por formações sobre neurodivergência entre profissionais da educação revela que a questão vem ganhando visibilidade.

Para Mara, a formação continuada é o único caminho possível para lidar com as complexidades do transtorno. “O professor precisa saber diferenciar o que é indisciplina do que é manifestação do TDAH. Sem esse entendimento, a escola acaba punindo em vez de apoiar”, alerta.

Entre as estratégias pedagógicas eficazes, a especialista cita o uso de instruções curtas e claras, reforço positivo, adaptação de prazos, organização visual da rotina e posicionamento estratégico do aluno em sala. “Com medidas simples, mas intencionais, conseguimos transformar o ambiente de aprendizagem e favorecer o desenvolvimento integral dessas crianças”, observa Mara.

Ela reforça que o TDAH não desaparece com o tempo, mas pode ser gerenciado com intervenções adequadas desde os primeiros anos de vida escolar. “A inclusão começa com o olhar do professor. Quando há formação e empatia, é possível romper com o ciclo de exclusão e criar oportunidades reais de aprendizado”, finaliza.

Fonte: Mara Duarte da Costa é neuropedagoga, psicopedagoga, diretora pedagógica da Rhema Neuroeducação. Além disso, atua como mentora, empresária, diretora geral da Fatec e diretora pedagógica e executiva do Rhema Neuroeducação.

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