Entenda a necessidade de ações voltadas à valorização da vida desde cedo

Em meio às ações do Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio, a pedagoga e pesquisadora Maria Malerba faz um alerta: a valorização da vida começa muito antes da fase adulta. “A inteligência emocional, tão discutida atualmente, não pode ser pautada apenas depois que os sintomas já estão instalados. É na primeira infância, principalmente ao longo dos setes primeiros anos de vida, que precisamos abrir espaço para um olhar de cuidado. É a partir das interações, das relações, do criar e brincar que uma criança desenvolve suas capacidades plenas de se orientar pelas emoções na vida adulta”, afirma.
Para a especialista, o olhar sobre o desenvolvimento integral durante a infância é fundamental para reverter esse cenário. “Quando a criança é estimulada desde cedo a lidar com suas emoções, frustrações e conquistas, cresce mais empática, altruísta e em paz com seu ‘ser’ e seu entorno”, defende Maria.
Ela ainda reforça que o processo de desenvolvimento emocional não é imediato. “As pessoas buscam resultados rápidos para resolver problemas, mas esquecem que processos profundos acontecem aos poucos nas vivências simples do dia-a-dia com as crianças: o brincar, os cuidados, os ritmos, os afetos nas miudezas e até mesmo o ócio fazem parte do aprendizado emocional”, destaca.
A criança e a imitação: o desafio do aprender através do exemplo
Muitos estudiosos do desenvolvimento humano já apontaram que a criança, principalmente até os sete anos de idade, aprende a partir da imitação do adulto. “Assim, nosso maior desafio, ao educar emocionalmente nossas crianças, é entender que estas se espelham muito em nosso modo de vida. Assim, ter tempo para si, se cuidar, sorrir e levar os momentos com mais leveza são ações que ajudam muito as crianças a entenderem como a vida deve ser levada, o que molda sua saúde mental desde cedo. É preciso que elas nos vejam nos cuidando também”, explica a pedagoga.
Pais e professores podem trabalhar as emoções das crianças de forma simples e cotidiana, como terem tempo para passear, ir a parques e lugares em meio a natureza, ajudar ao próximo com um sorriso no rosto, e até mesmo o simples ato de parar para ajudar um senhor a atravessar na rua é aprendizado. Demonstrar empatia em situações do cotidiano e reforçar atitudes gentis com elogios e frases positivas. “A criança se molda observando os adultos que ama. Pequenos gestos de cuidado e generosidade repetidos em casa e na escola moldam comportamentos duradouros muito mais que discutir as emoções com os pequenos”.
Maria Malerba ainda ressalta que falar sobre inteligência emocional na infância não é desperdício de tempo, mas uma necessidade. “A prevenção começa no berço. Educar crianças emocionalmente inteligentes é investir em uma sociedade mais saudável e menos violenta”, conclui.
Fonte: pedagoga e pesquisadora Maria Malerba

