Veja sinais de alerta no sono das crianças

Mudanças no sono durante as férias podem impactar saúde, comportamento e aprendizado infantil
Férias escolares costumam ser associadas a descanso, brincadeiras e horários mais flexíveis. Mas a quebra da rotina também pode afetar o sono infantil, especialmente quando dormir e acordar passam a acontecer em um horário diferente a cada dia. O reflexo aparece rápido: crianças mais irritadas, desatentas e com dificuldade para manter a energia ao longo do dia.
Segundo o pneumologista Dr. Geraldo Lorenzi Filho, da healthtech Biologix, o sono das crianças é altamente sensível a mudanças no ritmo biológico. “Quando os horários ficam desregulados, o organismo tem mais dificuldade para atingir as fases profundas do sono, essenciais para o crescimento, a memória e o equilíbrio emocional”, explica.
Em crianças que já apresentam distúrbios do sono, como a apneia obstrutiva, esse impacto tende a ser ainda maior. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, estima-se que 1 em cada 30 crianças conviva com esse problema respiratório noturno. Durante as férias, dormir mais tarde, o aumento do tempo de tela e dias mais estimulantes podem agravar o quadro. “Esses fatores interferem diretamente na respiração noturna e fragmentam o sono”, afirma o especialista.
Os prejuízos não se limitam à noite. Um artigo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), publicado em 2024 na Revista Psicopedagogia, indica que crianças com esse distúrbio podem apresentar dificuldade de concentração e desempenho escolar inferior. Em muitos casos, o comportamento é confundido com desatenção ou agitação, o que pode atrasar o diagnóstico de um transtorno do sono.
Por isso, pais e responsáveis devem ficar atentos a alguns sinais de alerta, como:
- ronco alto e frequente;
- pausas na respiração durante o sono;
- respiração pela boca;
- sonolência excessiva durante o dia;
- irritabilidade e mudanças de humor;
- dificuldade de concentração.
A orientação é manter horários aproximados para dormir e acordar, mesmo durante as férias, além de estabelecer um ritual noturno previsível. Um ambiente adequado para o descanso, com pouca luz, silêncio e sem uso de telas próximo da hora de dormir, também contribui para um sono mais reparador. “Atividades estimulantes à noite dificultam o início do sono e comprometem sua qualidade”, orienta o Dr. Lorenzi Filho.
Caso os sinais persistam, é importante buscar avaliação médica. Exames como a polissonografia ajudam a identificar distúrbios do sono e a definir o tratamento mais adequado, evitando impactos no desenvolvimento infantil.
Fonte: Pneumologista Dr. Geraldo Lorenzi Filho, da healthtech Biologix

