Educadora parental destaca a importância da participação afetiva dos pais e alerta para as consequências do abandono emocional na infância

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A presença de um pai atento, afetuoso e disponível impacta diretamente o desenvolvimento emocional de uma criança. Neste Dia dos Pais, mais do que celebrar, é preciso refletir sobre qual o verdadeiro papel da paternidade. No Brasil, entre 2019 e 2024, cerca de 800 mil crianças foram registradas sem o nome do pai na certidão de nascimento, segundo o Painel da Transparência do Registro Civil. O dado expõe um problema silencioso, mas grave, o abandono afetivo paterno e suas consequências na infância e na vida adulta.
“Ser pai vai muito além da função de provedor. É sobre vínculo, presença no dia a dia, afeto, escuta e disponibilidade emocional”, explica a educadora parental Priscilla Montes, especialista em infância e adolescência.
Segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre janeiro de 2016 e julho de 2024, mais de 1,2 milhão de crianças foram registradas apenas com o nome da mãe no Brasil. Ainda de acordo com o órgão, cerca de 5% a 6% dos nascimentos nos últimos anos apresentam ausência paterna na certidão de nascimento, o que aponta para um quadro preocupante de abandono afetivo institucionalizado.
O Painel da Transparência do Registro Civil, com dados de mais de 7.600 cartórios em todo o país, também revela que cerca de 800 mil crianças foram registradas sem o nome do pai entre agosto de 2019 e agosto de 2024. Isso representa aproximadamente 6% dos nascimentos no período.
Segundo a especialista, a ausência afetiva paterna pode acontecer mesmo quando o pai está fisicamente presente, tem impactos profundos no desenvolvimento emocional. Entre as consequências mais comuns estão a insegurança, dificuldade de estabelecer relações, baixa autoestima e ansiedade.
“O abandono emocional, infelizmente, é silencioso, mas deixa marcas que muitas vezes acompanham a criança até a vida adulta”, reforça Priscilla.
O que é paternidade ativa?
Estar presente de forma genuína, não só fisicamente, mas também emocionalmente. Isso inclui brincar, acolher sentimentos, participar das decisões cotidianas da criança e cultivar um vínculo baseado em escuta e carinho.
Para a especialista, ainda há tempo de ressignificar esse lugar: “Paternidade não se resume ao DNA. Todo pai pode aprender a construir vínculo. É na rotina que se educa com amor: no banho, no colo, na hora da birra, na escuta das pequenas histórias do dia. Isso é parentalidade ativa”, afirma a educadora.
Para fortalecer o vínculo entre pais e filhos pode-se investir em momentos como colocar para dormir ou iniciar uma brincadeira, têm valor emocional imenso, na validação dos sentimentos da criança, fazer uma atividade que fortaleça o vínculo afetivo como brincar juntos, ir ao parque, contar histórias, por exemplo.
Fonte: educadora parental Priscilla Montes, especialista em infância e adolescência.

