Nutrólogo explica o que o exagero desse nutriente causa e como manter uma ingestão equilibrada

Consumir proteínas é fundamental para os músculos, tecidos e hormônios, mas o corpo humano não tem um “tanque de reserva” para esse macronutriente como tem para a gordura. Quando a ingestão ultrapassa a necessidade diária, o excesso precisa ser metabolizado pelo organismo — um processo que pode sobrecarregar sistemas do corpo e trazer riscos à saúde, inclusive ao coração e rins.
Um estudo feito pela Universidade de Pittsburgh aponta que o consumo de mais de 22% de proteínas por dia pode ocasionar o acúmulo de substâncias nocivas nas artérias, aumentando o risco cardiovascular.
O nutrólogo da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Daniel Magnoni, explica que o consumo do macronutriente em excesso também pode gerar sobrecarga renal. “O metabolismo proteico gera ureia e outros subprodutos nitrogenados que exigem um trabalho intenso dos rins. Embora pessoas saudáveis geralmente consigam lidar com essa demanda, a ingestão muito alta pode acelerar a perda de função ou agravar condições renais pré-existentes”, explica.
Segundo o médico, outro risco é a desidratação. Para eliminar o excesso de nitrogênio gerado, o corpo necessita de maior volume de água. Indivíduos em dietas hiperproteicas frequentemente podem sentir mais sede e, caso não aumentem drasticamente a ingestão de líquidos, podem entrar em um estado de desidratação leve a moderada.
“Dietas muito ricas em proteínas, especialmente as de origem animal, também tendem a ser naturalmente pobres em fibras. Essa carência pode levar à prisão de ventre, alterações na microbiota intestinal (disbiose) e, em alguns casos, halitose característica, que pode ser decorrente de cetose ou excesso de amônia”, comenta Magnoni.
Além disso, o especialista explica que nem toda proteína se transforma apenas em “músculo” no organismo. “A proteína também contém calorias (4kcal por grama). Se a ingestão calórica total, incluindo a proteína, for maior do que o gasto energético, o excesso será convertido e armazenado como gordura corporal, resultando em ganho de peso indesejado”, reforça.
Como consumir proteínas sem exageros
As proteínas são macromoléculas encontradas em todas as células do corpo humano, funcionando como os principais blocos de construção do organismo. Elas são formadas por longas cadeias de unidades menores chamadas aminoácidos, que se ligam entre si como elos de uma corrente. Existem diversos tipos de aminoácidos, alguns o corpo produz, enquanto outros precisam ser obtidos obrigatoriamente através da alimentação.
“A função das proteínas está além da estética ou do ganho de massa muscular. Elas são responsáveis pela estrutura e reparo de tecidos (como pele, órgãos e ossos), atuam como enzimas que aceleram reações químicas vitais e compõem os anticorpos do nosso sistema imunológico”, explica Magnoni.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), enquanto um sedentário tem uma recomendação típica de 0.8 a 1.0g por quilo de peso, um atleta pode necessitar de 1.6g a 2.2g/kg.
“Ingestões acima de 1.5g/kg para sedentários ou 2.5g a 3g/kg para atletas, por longos períodos, são consideradas excessivas. Por isso, a chave para ingerir proteínas de maneira saudável é o equilíbrio”, conclui o nutrólogo.
Fonte: Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo – No Brasil desde 1922, a São Camilo pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, fundada por São Camilo de Lellis. Além de hospitais, conta com Centros de Educação Infantil, Colégios e Centros Universitários. As Unidades Pompeia, Santana e Ipiranga fazem parte da Rede de Hospitais de São Paulo, que prestam atendimentos em mais de 60 especialidades e cirurgias de alta complexidade em neurologia, cardiologia, transplantes de fígado e musculoesquelético, cirurgias robótica e bariátrica.

