Asma: seu filho Pode Ter e você não Saber

Especialistas alertam para sinais ignorados da doença em crianças no Dia Mundial da Asma (5/5)

(Divulgação/ Freepik)

No Dia Mundial da Asma, celebrado em 5 de maio, especialistas chamam a atenção para o impacto das estações mais frias no controle da doença. Tosse persistente, chiado no peito e cansaço durante atividades simples, como brincar, não devem ser encarados como algo comum na infância e tendem a se intensificar em períodos de queda de temperatura. Isso ocorre porque o frio, o ar seco e a maior permanência em ambientes fechados favorecem o surgimento de crises e agravam quadros já existentes.

De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, a asma afeta cerca de 20 milhões de brasileiros, entre crianças e adultos. Desse total, aproximadamente 5% apresentam formas mais graves da doença, que exigem acompanhamento contínuo e maior atenção, especialmente durante os dias mais frios.

A pneumologista pediátrica Patrícia Barreto, do Hospital Vitória, que faz parte da Rede Américas, afirma que os sintomas costumam ser confundidos com quadros virais. “Os sinais mais comuns de asma em crianças pequenas são chiado no peito, tosse persistente principalmente à noite ou ao acordar, falta de ar e cansaço ao brincar ou mamar. Um ponto-chave é que a asma é recorrente e variável, com períodos de melhora e piora muitas vezes associados a gatilhos”, diz.

Segundo a médica, a repetição dos sintomas é um indicativo importante. “Resfriados têm duração limitada. Na asma, os sintomas voltam várias vezes ou persistem. Quando a tosse é frequente, principalmente à noite, é preciso investigar”, afirma. Fatores ambientais também contribuem para o agravamento das crises.

“A poluição irrita as vias aéreas, enquanto o mofo e a umidade favorecem a formação de processos alérgicos. As mudanças climáticas ainda intensificam a circulação de vírus e a concentração de poluentes”, explica a médica.

Além das mudanças climáticas, os principais gatilhos podem ser provocados por poeira, ácaros, vírus respiratórios, mofo, pelos de animais e poluição. “Geralmente, é a combinação desses fatores que desencadeia as crises”, diz Patrícia.

A relação entre asma e alergias

A Coordenadora da Pediatria do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), Christine Tamar, destaca a relação direta entre asma e alergias: “Asma e alergias estão intimamente ligadas. Muitas crianças têm asma alérgica, desencadeada por uma resposta exagerada do organismo a substâncias comuns do ambiente”, afirma.

“Rinite alérgica, dermatite atópica e alergias alimentares podem fazer parte da chamada marcha atópica, que aumenta o risco de desenvolver asma ao longo da infância”, explica a médica. A especialista ressalta que o controle da doença depende de medidas contínuas. “A gestão ambiental, o uso correto das medicações e o acompanhamento médico regular são fundamentais para manter a asma contida”, diz.

Sem tratamento adequado, a doença pode evoluir

“A asma fora de controle pode levar a crises mais graves, idas à emergência, internações e prejuízo na qualidade de vida. Em casos extremos, há risco de vida”, alerta Tamar.

Apesar de não ter cura, a doença pode ser administrada. “A asma pode ser muito bem controlada, permitindo que a criança leve uma vida normal. Em alguns casos, os sintomas diminuem com o crescimento, mas isso varia de acordo com cada paciente”, afirma.

Fontes:

A pneumologista pediátrica Patrícia Barreto, do Hospital Vitória, que faz parte da Rede Américas

Coordenadora da Pediatria do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), Christine Tamar

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