A condição pode se manifestar de forma mais agressiva e com mais danos como alterações no metabolismo, retardamento da puberdade e comprometimento do desenvolvimento ósseo

O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune que pode afetar pele, articulações, e órgãos internos, como rins e sistema nervoso. No Brasil, estima-se que entre 65 mil e 300 mil pessoas convivam com a doença, sendo a maioria mulheres, e que de 15% a 20% de todos os casos acometam crianças e adolescentes.
Segundo a reumatologista pediátrica do Instituto da Criança da FMUSP e da EVciti (clínica especializada em doenças autoimunes), Nadia Aikawa, o lúpus pediátrico, habitualmente, é mais agressivo que em adultos. Quando surge muito cedo, muitas vezes está ligado a mutações em genes únicos (lúpus monogênico), o que resulta em uma resposta inflamatória mais persistente e difícil de controlar.
Em crianças e adolescentes, a condição costuma se manifestar de forma mais explosiva. As estatísticas médicas mostram que:
- Envolvimento Renal: A nefrite lúpica (inflamação nos rins) ocorre em cerca de 60% a 80% das crianças, comparado a cerca de 30% a 50% nos adultos.
- Sistema Nervoso: O envolvimento do sistema nervoso central (lúpus neuropsiquiátrico) também é mais frequente na faixa pediátrica.
- Dano Hematológico: Alterações graves no sangue (como anemia hemolíticas e queda acentuada de plaquetas) são sintomas iniciais comuns em jovens.
Como a criança terá a doença por mais tempo do que alguém que a desenvolve aos 50 anos, o risco de danos acumulados nos órgãos, efeitos colaterais das medicações (como catarata e osteoporose precoce) e toxicidade é significativamente maior. A doença pode ainda causar problemas metabólicos, comprometer o crescimento ósseo, retardar a puberdade e provocar artrite. O desafio, para os especialistas, não é apenas a doença, mas o tempo de exposição aos medicamentos.
Apesar dos desafios e, a princípio, de não ter cura, o lúpus tem tratamento eficaz. “O tratamento se baseia em pilares fundamentais: hidroxicloroquina, base do tratamento que ajuda a prevenir crises; corticoides para fases mais ativas (com uso cuidadoso); e imunossupressores, importantes em casos mais graves”, diz Nadia Aikawa. “A boa notícia é que houve avanços importantes nos últimos anos. Hoje contamos, além das medicações tradicionais, com terapias mais modernas e direcionadas, como os medicamentos biológicos, que ajudam a controlar melhor a doença, reduzir crises (‘flares’) e diminuir a necessidade de corticoides a longo prazo”, explica a reumatologista pediátrica.
A especialista recomenda que, mesmo com todos os desafios do lúpus pediátrico, o mais importante é a adesão ao tratamento. Tomar corretamente as medicações, mesmo sem sintomas, é essencial para evitar crises e prevenir complicações. Com acompanhamento adequado, é possível viver bem com lúpus.
Fonte : Nadia Aikawa – Médica Reumatologista Pediátrica do Instituto da Criança e da Disciplina de Reumatologia do Hospital das Clínicas (HCFMUSP) e integra a equipe da Clínica EV Citi.
Clínica EV Citi – Fundada em 2008, a clínica nasceu com o propósito de oferecer atendimento especializado a pacientes que necessitam de terapias imunobiológicas e acompanhamento multidisciplinar para doenças imunomediadas. Especializada em áreas como reumatologia, dermatologia, gastroenterologia e neurologia, tornou-se referência no atendimento a pacientes com doenças autoimunes e raras, oferecendo terapias assistidas e acompanhamento clínico de alta complexidade. Além da atuação em suas unidades próprias, está presente em hospitais de referência, ampliando o acesso às terapias infusionais e oferece também vacinas.

