Especialistas apontam avanços no cuidado gastrointestinal infantil

Novos critérios oferecem maior precisão para identificar transtornos do eixo cérebro-intestinoem crianças e adolescentes
Estudos apontam que, no Brasil, aproximadamente 23% das crianças e adolescentes apresentam algum distúrbio da interação cérebro-intestino, sendo a constipação intestinal a condição mais prevalente (cerca de 12%), seguida por dispepsia funcional (5%) e síndrome do intestino irritável (3%).Esses números refletem uma carga significativa para famílias, escolas e serviços de saúde.
A adoção dos critérios de Roma V (um padrão internacional, publicado em 2026, para diagnóstico dos chamados Transtornos de Interação Cérebro-Intestino (DGBI), como síndrome do intestino irritável, desordens esofágicas, constipação intestinal entre outros, e trazem critérios mais objetivos, centrados no paciente e alinhados às evidências científicas mais recentes, representando um avanço essencial, pois oferece informações mais claras e objetivas, reduz a sobreposição de sintomas e fortalece a abordagem biopsicossocial.
A nova edição reorganiza os critérios pediátricos por regiões anatômicas (trato gastrointestinal superior e trato inferior/biliar), em alinhamento com o modelo adulto.“A partir do Roma V, pediatras e gastroenterologistas poderão propor tratamentos mais direcionados e eficazes, reconhecendo que os sintomas gastrointestinais não podem ser vistos apenas como problemas isolados do estômago ou intestino o que reflete uma interação complexa entre corpo, mente e ambiente social e microbiota, melhorando a qualidade de vida de milhares de crianças e adolescentes brasileiros que convivem com esses transtornos”, explica Dra. Cristiane Boé, cordenadora do departamento de gastroenterologia pediátrica do Sabará Hospital Infantil.
O documento também reforça a importância de considerar o impacto familiar e social no manejo clínico, oferecendo algoritmos diagnósticos que auxiliam pediatras e gastroenterologistas na identificação correta dos transtornos da interação cérebro-intestino.“O grande avanço é que, a partir do Roma V, temos mais recursos e conhecimento para enxergar a criança como um todo e não apenas o órgão afetado, mas o contexto em que ela vive. Isso muda a forma como cuidamos e como planejamos intervenções”, conclui a especialista.
Fonte: Dra. Cristiane Boé, cordenadora do departamento de gastroenterologia pediátrica do Sabará Hospital Infantil. Sabará Hospital Infantil tem mais de 60 anos de história e é referência em saúde infantojuvenil no país, sendo um dos primeiros hospitais exclusivamente pediátricos do Brasil a conquistar a acreditação pela Joint Commission International (JCI) desde 2013.

