A identificação antecipada do Transtorno do Espectro Autista pode transformar o desenvolvimento da criança e reduzir impactos ao longo da vida

O diagnóstico do filho da influenciadora digital pernambucana e ex-BBB Maxiane Rodrigues, que revelou nas redes sociais que a criança foi diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista nível 1 de suporte, reacendeu um alerta importante sobre a atenção aos sinais na infância que podem indicar alterações no desenvolvimento.
Segundo ela, a investigação começou após a percepção de características atípicas no comportamento do filho de quatro anos, o que a levou a buscar avaliação especializada. A influenciadora destacou ainda que investigar não é exagero e que buscar respostas faz parte do cuidado e do amor com a criança.
O psiquiatra Alexandre Valverde, que foi diagnosticado com autismo aos 42 anos, ressalta que o olhar atento dos responsáveis para os mínimos detalhes do desenvolvimento infantil é essencial, já que sinais do espectro autista podem aparecer ainda nos primeiros anos de vida.
“Os sinais podem se apresentar nas dificuldades de interação social, pouco contato visual, atraso ou diferenças no desenvolvimento da fala, pouca resposta ao nome, além de comportamentos repetitivos, interesse restrito por atividades específicas e sensibilidade aumentada ou reduzida a estímulos sensoriais como sons e luzes. A presença de algumas dessas manifestações não significa necessariamente um diagnóstico, mas indica a necessidade de avaliação profissional”, alerta.
O psiquiatra explica que a infância é uma fase de maior plasticidade cerebral, o que torna as intervenções mais eficazes quando iniciadas cedo. “O diagnóstico precoce do TEA pode trazer impactos significativamente positivos para o desenvolvimento da criança, uma vez que permite o início antecipado de intervenções terapêuticas adequadas. Isso contribui para o avanço das habilidades de comunicação, socialização e autonomia, além de favorecer a adaptação escolar e reduzir possíveis impactos emocionais e comportamentais ao longo do crescimento”.
Apesar dos avanços na compreensão do tema, ainda existem muitos mitos em torno do diagnóstico de autismo. Entre os mais comuns estão a ideia de que o TEA tem cura ou que todas as pessoas autistas apresentam as mesmas características. Também é comum a crença de que o diagnóstico precoce rotula negativamente a criança, quando, na verdade, ele possibilita o acesso a suporte adequado e evita o agravamento de dificuldades ao longo do desenvolvimento.
Diante de sinais de alerta, o recomendado é procurar profissionais especializados em desenvolvimento infantil, como neuropediatras, psiquiatras infantis e pediatras do desenvolvimento, que geralmente trabalham em conjunto com psicólogos e fonoaudiólogos em uma avaliação multidisciplinar. “Esse processo é essencial para garantir um diagnóstico mais preciso e a construção de um plano terapêutico individualizado que atenda às necessidades da criança”, ressalta Alexandre.
Fonte: Alexandre Valverde é médico psiquiatra. Foi diagnosticado com Autismo e Altas Habilidades/Superdotação após adulto. Ingressou, aos 17 anos, na faculdade de medicina psiquiátrica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Desde pequeno, já notava a facilidade que possuía em identificar comportamentos em terceiros, sendo o sexto psiquiatra da família.

