Teste do pezinho: exame simples pode identificar doenças raras e salvar vidas nos primeiros dias do bebê

5 curiosidades sobre o exame, segundo especialistas
Realizado nos primeiros dias após o nascimento, o teste do pezinho é um dos exames mais importantes para a saúde do bebê. Obrigatório e oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ele possibilita o rastreamento precoce de doenças genéticas, metabólicas, infecciosas, endocrinológicas e hematológicas que podem comprometer o desenvolvimento infantil e, em alguns casos, colocar a vida da criança em risco.
De acordo com Pollyana Estephanelli, professora do curso de Enfermagem da Afya Centro Universitário Itaperuna, o exame é feito a partir da coleta de algumas gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido, região rica em vasos sanguíneos que facilita o procedimento. “O ideal é que o teste seja realizado entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê. Nesse período, o organismo já começou a metabolizar proteínas e outros nutrientes, o que favorece a detecção de diversas doenças”, explica.
A especialista ressalta que o procedimento é simples, rápido e seguro. Após a higienização do local, o sangue é coletado em um papel-filtro específico e encaminhado para análise em laboratório de referência. “O exame provoca apenas um desconforto momentâneo e não oferece riscos significativos quando realizado por profissionais capacitados”, afirma.
Segundo Pollyana, ainda existe a falsa percepção de que o teste serve para identificar apenas uma ou duas doenças. Na prática, a triagem neonatal é considerada uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública e permite rastrear diversas condições que podem comprometer o desenvolvimento neurológico, cognitivo e motor da criança. “Quando não são identificadas e acompanhadas precocemente, algumas dessas doenças podem provocar sequelas permanentes e até levar ao óbito”, alerta.
Para a Dra. Isabela Pires, médica e professora da pós-graduação em Pediatria da Afya Brasília, um dos principais benefícios do exame é identificar doenças antes mesmo do surgimento dos sintomas. “Muitas das condições detectadas pelo teste não apresentam manifestações evidentes nos primeiros meses de vida. O bebê aparenta estar saudável, mas já pode apresentar alterações importantes no organismo. Em alguns casos, os sintomas só aparecem após a introdução de determinados alimentos ou exposição a medicamentos, enquanto outras doenças podem se manifestar logo nos primeiros dias de vida”, explica.
Entre as doenças mais conhecidas rastreadas pelo exame estão o hipotireoidismo congênito, a fenilcetonúria, a fibrose cística, a anemia falciforme e a hiperplasia adrenal congênita. A especialista destaca que a quantidade de doenças investigadas varia de acordo com a modalidade do teste, básica, ampliada ou expandida,permitindo uma avaliação mais abrangente em alguns casos.
“O exame possibilita o rastreamento de doenças que podem ser tratadas ou acompanhadas de forma mais eficaz quando identificadas precocemente, reduzindo o risco de sequelas e melhorando a qualidade de vida da criança. Em alguns casos, ele também aponta condições que ainda não possuem cura, mas que exigem acompanhamento contínuo e cuidados específicos ao longo da vida”, acrescenta a pediatra.
Os benefícios da triagem neonatal são especialmente evidentes em doenças como a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito, nas quais o tratamento iniciado ainda nas primeiras semanas de vida pode favorecer crescimento e desenvolvimento próximos do esperado. “Quanto mais cedo a condição é identificada, maiores são as chances de evitar complicações e garantir melhor qualidade de vida para a criança”, reforça Pollyana.
Além da realização do exame, as especialistas destacam a importância de os pais acompanharem o resultado e manterem contato com a unidade de saúde responsável pela coleta. “Um resultado alterado não significa necessariamente que o bebê tenha a doença. Em muitos casos, é preciso realizar exames complementares ou uma nova coleta para confirmação. O mais importante é não ignorar o chamado e seguir corretamente as orientações médicas”, orienta a Dra. Isabela.
5 fatos sobre o teste do pezinho que provavelmente você desconheça
1. O exame existe há décadas no Brasil
O teste do pezinho começou a ser realizado no país na década de 1970, mas passou a integrar oficialmente o Programa Nacional de Triagem Neonatal somente em 2001.
2. O nome oficial não é teste do pezinho
Embora seja popularmente conhecido por esse nome, o termo técnico é triagem neonatal biológica. A denominação surgiu porque a coleta é realizada no calcanhar do bebê.
3. Nem sempre uma única coleta é suficiente
Bebês prematuros, que receberam transfusão sanguínea ou que passaram por situações capazes de interferir nos resultados podem precisar repetir o exame para garantir maior precisão.
4. O número de doenças investigadas pode variar bastante
Dependendo da modalidade realizada, o teste pode rastrear um número maior de doenças, incluindo diversas condições raras, genéticas, metabólicas, imunológicas e endocrinológicas.
5. Um resultado alterado não é sinônimo de diagnóstico
Quando o exame aponta alguma alteração, isso não significa automaticamente que o bebê tenha a doença investigada. O resultado funciona como um alerta para que sejam realizados exames complementares e avaliações específicas antes da confirmação diagnóstica.
Fonte: Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país.

