11 de junho – Dia Mundial da Esteatose Hepática

Esteatose hepática avança e já afeta crianças e adolescentes. Doença cresce em todo o mundo e é causada principalmente por causa do aumento da obesidade, sedentarismo e do diabetes tipo 2

A esteatose hepática, popularmente conhecida como “gordura no fígado”, não é mais apenas um problema restrito aos adultos, pois tornou-se uma das doenças crônicas que mais crescem no mundo e já afeta crianças e adolescentes. “O aumento da obesidade, do diabetes tipo 2 e do sedentarismo está causando uma epidemia da doença”, diz o hepatologista dr. Edison Parise, coordenador do Departamento de Diabetes e Fígado da Sociedade Brasileira de Diabetes. 

De acordo com o especialista, a esteatose hepática ocorre quando há um acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado. Em seus estágios iniciais, geralmente não provoca sintomas, o que dificulta o diagnóstico precoce. Por isso, muitas pessoas só descobrem o problema apenas durante exames de rotina. 

Nos últimos anos, a comunidade científica passou a chamar a doença de MASLD (sigla em inglês para doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica), substituindo o antigo termo esteatose hepática não alcoólica”. A mudança busca destacar que o principal fator por trás da doença é a alteração do metabolismo. 

Entre as principais causas da condição estão o excesso de peso, especialmente a gordura abdominal, alimentação rica em produtos ultraprocessados e bebidas açucaradas, sedentarismo, triglicérides elevado, hipertensão arterial e resistência à insulina, além do diabetes tipo 2. “Embora o consumo excessivo de álcool também possa causar acúmulo de gordura no fígado, a maioria dos casos detectados atualmente está relacionada a problemas metabólicos”, afirma dr. Edison Parise. 

Relação direta com o diabetes 

A ligação entre esteatose hepática e diabetes tipo 2 é grande, o que leva muitos especialistas a considerem as duas doenças partes do mesmo processo metabólico.

Quando o organismo desenvolve resistência à insulina, o pâncreas precisa produzir uma quantidade cada vez maior desse hormônio para controlar a glicose na corrente sanguínea. Esse desequilíbrio favorece o depósito de gordura no fígado. Ao mesmo tempo, o fígado gorduroso piora a resistência à insulina, o que cria um círculo vicioso. 

“Pesquisas recentes mostram que pessoas com esteatose hepática apresentam risco significativamente maior de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida”, explica o especialista. “Também cresce o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral”, alerta.

Aumento de casos 

O crescimento da doença acompanha as mudanças no estilo de vida das últimas décadas. Dietas com excesso de calorias, alimentos ultraprocessados, baixo consumo de frutas e verduras e redução da atividade física contribuíram para o aumento da obesidade em praticamente todas as faixas etárias e em todo o mundo. 

Outro fator importante a ser considerado é o envelhecimento da população e o aumento da prevalência do diabetes. Como a doença costuma ser silenciosa na fase inicial, muitos casos permanecem sem diagnóstico. Estimativas internacionais sugerem que milhões de pessoas convivem com formas avançadas da enfermidade sem saber. 

Crianças e adolescentes também são afetados 

O que antes era considerado um problema de adultos hoje também preocupa pediatras de todos os países. O aumento da obesidade infantil e o sedentarismo elevaram significativamente o número de crianças e adolescentes com gordura no fígado. 

Uma revisão científica publicada em 2025 na Revista Europeia de Pediatria analisou quase 4 mil jovens com diabetes tipo 2 e concluiu que cerca de 37% apresentavam esteatose hepática. Outro estudo internacional, publicado na BMC Gastroenterologia, mostrou que a prevalência da doença entre crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade está aumentando em diversos países. 

O problema é muito preocupante porque a inflamação hepática iniciada na infância pode evoluir durante a vida adulta para fibrose, cirrose e, em alguns casos, câncer de fígado, alertam especialistas. 

Os avanços no tratamento 

Os avanços científicos observados nos últimos anos ajudam a melhorar o entendimento sobre a doença e isso abriu novas perspectivas de tratamento. 

Estudos mais recentes, por exemplo, apontam que os medicamentos utilizados para tratar a obesidade e o diabetes, como a semaglutida, podem reduzir a gordura e a inflamação no fígado, além de melhorar a cicatrização do órgão em alguns pacientes. 

Pesquisadores também trabalham em métodos de diagnóstico menos invasivos, utilizando exames de sangue, inteligência artificial e técnicas de imagem para identificar precocemente os pacientes de maior risco. 

Apesar dos avanços, especialistas reforçam que a principal estratégia continua sendo a prevenção. “Perda de peso, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle adequado do diabetes são as medidas mais eficazes para evitar a progressão da doença”, explica dr. Edison Parise. Ele lembra ainda que, como a esteatose hepática normalmente evolui sem sintomas, é preciso que os médicos dediquem atenção especial a pessoas com obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão. Nesses grupos, o diagnóstico precoce pode evitar complicações graves no futuro.

Fonte: Hepatologista dr. Edison Parise, coordenador do Departamento de Diabetes e Fígado da Sociedade Brasileira de Diabetes. 
 

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