Escoliose Pode Evoluir Sem Sintomas

Durante o mês de conscientização da doença, Pequeno Príncipe orienta famílias sobre sinais de alerta e realiza mutirão de cirurgias para pacientes do SUS

A escoliose é a principal deformidade da coluna em crianças e adolescentes e afeta entre 2% e 3% da população. Embora muitas vezes passe despercebida por apresentar poucos sintomas nas fases iniciais, a condição pode evoluir rapidamente durante o estirão de crescimento e, nos casos mais graves, comprometer a função pulmonar, a saúde cardiovascular e a qualidade de vida dos pacientes.

Ao longo do mês mundial de conscientização da escoliose, o Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Pequeno Príncipe alerta para a importância do diagnóstico precoce. Quando identificada no momento adequado, a doença pode ser tratada de forma conservadora e evitar a necessidade de cirurgia.

“A escoliose normalmente não causa dor. Por isso, muitas vezes ela é percebida apenas quando a deformidade já está mais avançada. O olhar atento dos pais, professores e profissionais de saúde é fundamental para que o diagnóstico aconteça cedo”, explica o ortopedista Luiz Müller Ávila, do Hospital Pequeno Príncipe.

O especialista ressalta que algumas crenças populares ainda geram dúvidas entre as famílias. Apesar de contribuírem para dores musculares e alterações posturais, fatores como uso excessivo de celulares, mochilas pesadas ou má postura não são responsáveis pelo surgimento das deformidades estruturais da coluna.

“Esses hábitos não causam escoliose ou cifose. O que a má postura provoca é desconforto muscular e alterações funcionais. As deformidades têm outras origens, muitas vezes associadas a fatores genéticos, congênitos, neuromusculares ou sindrômicos”, afirma.

Segundo o especialista, a prática regular de atividade física continua sendo uma das principais aliadas da saúde musculoesquelética de crianças e adolescentes, contribuindo para o fortalecimento da musculatura, o desenvolvimento da consciência corporal e a prevenção de dores relacionadas à postura.

Para os ortopedistas, a conscientização é a principal ferramenta para reduzir diagnósticos tardios. Como a doença costuma evoluir de forma silenciosa, a observação dos pais e responsáveis é fundamental para identificar possíveis alterações.

O que os pais devem observar

Os principais sinais costumam ser visíveis e podem ser identificados durante atividades cotidianas, como ao trocar de roupa ou durante a prática esportiva. Entre eles estão:

  • ombros em alturas diferentes;
  • escápulas desalinhadas;
  • assimetria da cintura;
  • quadris desnivelados;
  • elevação de um dos lados das costas ao inclinar o tronco para frente.

A forma mais comum da doença é a escoliose idiopática do adolescente, responsável por cerca de 80% dos casos. Caracterizada pela ausência de uma causa definida, ela ocorre principalmente em meninas e costuma surgir entre os 10 e os 14 anos, período marcado pelo rápido crescimento corporal.

Em geral, a cirurgia é indicada quando as curvas ultrapassam 45 ou 50 graus ou apresentam progressão significativa. Nos casos mais graves, além das consequências físicas, as deformidades da coluna podem afetar profundamente o bem-estar emocional dos pacientes e gerar impactos importantes na autoestima e na socialização dos adolescentes.

“O impacto desse tipo de cirurgia na vida de uma criança ou adolescente é imenso. Trata-se de devolver dignidade, permitir que eles voltem a brincar, estudar e projetar o futuro com mais autonomia. E, em muitos casos, a cirurgia muda não somente a vida dos pacientes, mas de toda a família”, realça o chefe do Serviço de Ortopedia do Hospital Pequeno Príncipe, Luis Eduardo Munhoz da Rocha.

Fonte: Pequeno Príncipe – Com sede em Curitiba (PR), o Hospital Pequeno Príncipe é o maior e mais completo hospital pediátrico do Brasil. Há mais de cem anos, a instituição filantrópica e sem fins lucrativos oferece assistência hospitalar humanizada e de alta qualidade a crianças e adolescentes de todo o país. Referência nacional em tratamentos de média e alta complexidade, realiza transplantes de rim, fígado, coração, ossos e medula óssea, além de atuar em 47 especialidades e áreas de assistência em pediatria, com equipes multiprofissionais

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