Febre com Alterações Neurológicas exige Atendimento Imediato

Especialista destaca que sonolência excessiva, confusão mental, convulsões e mudanças de comportamento não devem ser tratados como sintomas de virose

Febre com alterações neurológicas exige atendimento imediato e pode indicar meningite ou encefalite, alerta pediatra

Febre acompanhada de dor de cabeça e mal-estar costuma ser interpretada, na maioria das vezes, como consequência de uma virose comum. Entretanto, quando surgem alterações neurológicas, o quadro pode indicar doenças potencialmente graves, como meningite e encefalite, que exigem diagnóstico e tratamento imediatos para reduzir o risco de sequelas permanentes e morte, sobretudo em crianças.

Segundo o pediatra infectologista Dr. Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), um dos principais sinais de alerta é justamente a mudança do comportamento habitual da criança ou do adulto. “Prostração importante, sonolência excessiva, confusão mental, crises convulsivas e mau estado geral são manifestações que sempre merecem investigação. A rapidez na intervenção faz diferença direta no prognóstico”, afirma.

O especialista ressalta que a avaliação clínica deve considerar também a idade do paciente. Em recém-nascidos, qualquer episódio de febre já representa motivo para investigação criteriosa. Em crianças pequenas, especialmente até os três meses de idade, o limiar para suspeita de infecção grave também é menor, exigindo avaliação médica imediata.

Diagnóstico precoce reduz risco de sequelas

Meningite e encefalite estão entre as infecções mais graves do sistema nervoso central. A meningite provoca inflamação das meninges − membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal −, enquanto a encefalite compromete diretamente o tecido cerebral. Ambas podem evoluir rapidamente e causar sequelas neurológicas permanentes, como perda auditiva, déficits cognitivos, epilepsia e alterações motoras.

“O tempo é um fator decisivo. Crianças que apresentam sinais de alarme devem ser investigadas imediatamente. Quanto mais precoce o diagnóstico e o início do tratamento, maiores são as chances de recuperação”, enfatiza Kfouri.

Sintomas podem ser confundidos com viroses

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos profissionais de saúde é distinguir, nas primeiras horas de evolução, uma infecção viral autolimitada de uma infecção invasiva do sistema nervoso central.

Segundo Kfouri, essa diferenciação depende de uma combinação entre anamnese detalhada, exame físico cuidadoso, situação vacinal, contexto epidemiológico e exames laboratoriais. Mesmo com boa condução clínica, alguns casos podem evoluir rapidamente para complicações graves, reforçando a importância da vigilância contínua.

Avanços no diagnóstico aceleram a identificação do agente infeccioso

Nos últimos anos, o avanço das técnicas de diagnóstico molecular vem transformando a abordagem dessas infecções. Tecnologias como testes de PCR multiplex conseguem identificar simultaneamente diversos vírus, bactérias e fungos diretamente no líquor em poucas horas, reduzindo significativamente o tempo para definição do tratamento adequado.

Vacinação continua sendo a principal forma de prevenção

Embora o diagnóstico tenha evoluído significativamente, especialistas reforçam que a vacinação permanece como a estratégia mais eficaz para reduzir os casos de meningite bacteriana. A introdução das vacinas conjugadas contra meningococo, pneumococo e Haemophilus influenzae tipo b modificou profundamente a epidemiologia da doença nas últimas décadas, diminuindo a incidência das formas mais graves em diversos países.

Quando procurar atendimento

Para Renato Kfouri, famílias e profissionais da atenção inicial devem confiar nos sinais clínicos e agir rapidamente diante de qualquer alteração importante no estado geral da criança. “Os pais conhecem o comportamento habitual dos filhos. Se perceberem que a criança não está bem, apresenta prostração intensa, sonolência diferente do habitual ou qualquer alteração neurológica, devem procurar imediatamente o pediatra ou um serviço de emergência. Esses sinais nunca devem ser ignorados”, completa o especialista.

Fonte: Pediatra infectologista Dr. Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

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