Mastite, descarga papilar, cistos e nódulos estão entre as alterações mamárias que mais geram dúvidas entre as mulheres. Mastologista explica quando esses sinais podem ser benignos e quais exigem investigação médica

Quando uma mulher percebe qualquer alteração nas mamas, o medo do câncer costuma ser a primeira preocupação. No entanto, nem toda dor, secreção ou nódulo está relacionado à doença. Alterações benignas são frequentes e podem estar ligadas a mudanças hormonais, processos inflamatórios ou outras condições que também merecem investigação. Entender as diferenças entre essas alterações é fundamental para evitar tanto o excesso de preocupação quanto o atraso no diagnóstico de problemas que exigem tratamento.
Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), entre 60% e 70% das mulheres sentirão dor nas mamas em algum momento da vida reprodutiva. Embora o sintoma seja comum, ele nem sempre está relacionado ao câncer, podendo indicar alterações benignas que também merecem avaliação médica.
O médico mastologista da Clínica Terra Cardial, Dr. Caetano Cardial explica que sintomas como dor persistente, vermelhidão, secreção pelo mamilo ou o aparecimento de nódulos devem sempre ser avaliados por um especialista. “Muitas pacientes chegam ao consultório acreditando que qualquer alteração significa câncer ou, ao contrário, minimizam sintomas importantes por acreditarem que são normais.” O primeiro passo é entender que existem diversas doenças que podem acometer as mamas e cada uma delas exige uma abordagem diferente”, destaca.
Entre as alterações benignas que costumam despertar preocupação está a mastite. Muitas pessoas acreditam que ela ocorre apenas durante a amamentação, mas esse é um equívoco. Embora seja mais comum nesse período, a inflamação da mama também pode surgir em mulheres que não estão amamentando, podendo estar relacionada, por exemplo, a infecções, alterações dos ductos mamários, traumatismos ou cistos inflamados.
Descarga papilar: quando a secreção pelo mamilo merece atenção?
A descarga papilar corresponde à saída espontânea ou provocada de líquido pelo mamilo e, na maioria das vezes, não está relacionada à mastite. Ela pode ser fisiológica, principalmente em situações ligadas a alterações hormonais, mas também pode indicar doenças dos ductos mamários e, mais raramente, câncer.
“A presença de secreção não significa automaticamente uma doença grave. O que chama atenção é quando ela surge espontaneamente, em apenas uma mama, contém sangue ou vem acompanhada de nódulos ou alterações na pele. Nesses casos, é importante procurar um mastologista para investigação”, orienta Dr. Caetano Cardial.
Cisto e nódulo não são a mesma coisa
Segundo Dr. Caetano Cardial, o ‘nódulo’ é utilizado para descrever qualquer lesão identificada na mama, que pode corresponder a um tumor benigno, uma alteração inflamatória ou, em alguns casos, uma lesão maligna. Já o cisto é um tipo específico de nódulo, caracterizado por uma bolsa preenchida por líquido, que pode surgir de forma isolada ou múltipla e, na maioria das vezes, é benigno. “Todo cisto é um tipo de nódulo, mas nem todo nódulo é um cisto”, resume o especialista.
Para identificar a natureza da alteração, o mastologista pode solicitar exames de imagem. A ultrassonografia costuma ser a principal ferramenta para diferenciar lesões sólidas de cistos preenchidos por líquido. Dependendo da idade do paciente, do histórico clínico e das características da alteração, também podem ser indicadas mamografia, ressonância magnética e, em alguns casos, biópsia.
“O diagnóstico precoce não é importante apenas para identificação do câncer de mama, mas também para diversas outras doenças que podem comprometer a saúde e a qualidade de vida da mulher”, conclui.
Fonte: A Clínica Terra Cardial é liderada:
Dra. Márcia Fuzaro e pelo Dr. Caetano da Silva Cardial, referências em saúde feminina. Dra. Márcia é médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC, doutora em Tocoginecologia, professora associada e chefe do setor de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia, além de presidente da Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC).
Dr. Caetano, também graduado pela Faculdade de Medicina do ABC, é mestre em Ginecologia, cirurgião oncológico e mastologista, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.

