Nariz Bonito Nem Sempre Significa Nariz Saudável

Nariz bonito nem sempre significa nariz saudável: anatomia pode influenciar respiração, sono e até o ronco

Especialista explica como alterações na estrutura nasal podem comprometer a passagem do ar — e por que estética e função devem caminhar juntas

É comum associar problemas respiratórios apenas a quadros de gripe, rinite ou sinusite. Mas, em muitos casos, a dificuldade para respirar pelo nariz está relacionada à própria anatomia da região — e nem sempre isso é perceptível à primeira vista.

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Arnaldo Tamiso, do Hospital Paulista, a aparência externa do nariz nem sempre revela como ele funciona internamente. “Muitas pessoas têm um nariz considerado esteticamente perfeito, mas apresentam desvio de septo ou outras alterações internas que comprometem a passagem do ar.

Da mesma forma, há pacientes com narizes tortos ou com características marcantes que respiram normalmente”, explica.

Essa diferença entre estética e função faz com que muitos pacientes convivam durante anos com dificuldades respiratórias sem perceber que existe tratamento.

Muito além do desvio de septo

Embora o desvio de septo seja uma das alterações mais conhecidas, ele está longe de ser o único fator capaz de dificultar a respiração. “O aumento dos cornetos, geralmente associado à rinite, também pode obstruir a passagem do ar. Além disso, existem alterações estruturais que conseguimos identificar até mesmo observando o nariz por fora”, afirma o especialista.

Entre elas está o chamado colapso da válvula nasal, quando as laterais do nariz se fecham durante uma inspiração mais intensa. Segundo Tamiso, essa condição costuma ocorrer em pessoas com cartilagens mais frágeis ou em pacientes que já foram submetidos a cirurgias nasais.

Outra alteração frequente é a ponta do nariz excessivamente caída, que pode dificultar a entrada de ar, além de deformidades no dorso nasal que frequentemente estão associadas a alterações internas do septo e das cartilagens, seja por trauma ou por genética.

Respirar mal interfere até no sono

As consequências vão além do desconforto durante o dia. Quando o nariz não permite uma passagem adequada do ar, o organismo passa a respirar pela boca, principalmente durante o sono.

“É um efeito dominó. O ar deixa de ser filtrado, aquecido e umidificado corretamente. A boca permanece aberta, a garganta resseca, a língua tende a cair para trás e o ronco aparece com mais facilidade”, explica Tamiso.

Como consequência, o sono perde qualidade. “A pessoa pode até dormir durante toda a noite, mas acorda cansada, com boca seca e sensação de que não descansou. Em alguns casos, esse quadro pode estar associado até à apneia obstrutiva do sono, que merece investigação especializada.”

Cirurgia estética também precisa preservar a função

Nos últimos anos, a rinosseptoplastia evoluiu justamente para equilibrar estética e funcionalidade. Segundo o especialista, atualmente o objetivo não é apenas modificar o formato do nariz, mas preservar ou até melhorar sua capacidade respiratória.

“Hoje sabemos que não basta deixar o nariz bonito. Se a cirurgia reduzir demais algumas estruturas sem reforçar adequadamente as cartilagens, o paciente pode ganhar um resultado estético satisfatório, mas perder qualidade respiratória.”

O médico ressalta ainda que, em alguns casos, apenas corrigir o desvio de septo não resolve completamente o problema. “Existem pacientes em que a válvula nasal continua funcionando de forma inadequada mesmo após uma septoplastia. Por isso, o planejamento cirúrgico precisa avaliar todas as estruturas envolvidas.”

Nem sempre a cirurgia é o primeiro passo

Apesar de muitos casos exigirem correção cirúrgica, Tamiso lembra que o tratamento costuma começar por medidas mais simples.

“A lavagem nasal de alto volume e baixa pressão deve fazer parte da rotina, quase como escovar os dentes. Também é importante investigar rinite, controlar processos inflamatórios e, em algumas situações, utilizar dilatadores nasais para melhorar temporariamente a passagem do ar.”

Somente quando essas medidas não são suficientes é que se considera uma abordagem cirúrgica.

Quando procurar um especialista?

Alguns sinais merecem atenção, principalmente quando persistem por longos períodos:

  • dificuldade constante para respirar pelo nariz;
  • dependência frequente de sprays descongestionantes;
  • boca seca ao acordar;
  • ronco intenso;
  • sensação de que o nariz “fecha” durante exercícios físicos ou ao deitar.

“Nesses casos, vale a pena procurar avaliação especializada. Muitas vezes o paciente acredita que respirar mal é normal, quando, na verdade, existe uma alteração anatômica que pode ser tratada”, conclui o especialista.

Fonte: Fundado em 1974, o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia possui cinco décadas de tradição no atendimento especializado em ouvido, nariz e garganta e, durante sua trajetória, ampliou sua competência para outros segmentos, com destaque para Fonoaudiologia, Alergia Respiratória e Imunologia, Distúrbios do Sono, procedimentos para Cirurgia Cérvico-Facial, bem como Buco Maxilo Facial e Foniatria. Referência em seu segmento e com alta resolutividade, conta com um completo Centro de Medicina Diagnóstica em Otorrinolaringologia.

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