27 de agosto – Dia Nacional da Diálise

Dia Nacional da Diálise: tratamento realizado em casa devolve qualidade de vida a crianças com doença renal

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Receber o diagnóstico de doença renal crônica de um filho muda completamente a rotina de uma casa. Quando a infância passa a ser marcada pela necessidade de filtragem sanguínea artificial, o fantasma da rotina hospitalar assombra os pais. No entanto, nesta quinta-feira, 27 de agosto, data em que se celebra o Dia Nacional da Diálise, equipe médica trazem um alerta fundamental, os avanços da nefrologia pediátrica hoje permitem que muitas crianças realizem o tratamento com total segurança sem sair de casa.

Neste ano, a campanha promovida pela Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante(ABCDT) traz o tema “A Vida Além da Diálise”. O objetivo é lançar luz sobre o fato de que, por trás do diagnóstico, existem indivíduos com sonhos, rotinas e infâncias a serem preservadas. No cenário pediátrico, a diálise peritoneal destaca-se como a principal alternativa para garantir que a linha de cuidado não interrompa o desenvolvimento do paciente.

A técnica utiliza o peritônio, membrana que reveste a cavidade abdominal, como um filtro natural para remover toxinas e o excesso de líquidos. Após um treinamento específico oferecido às famílias, o procedimento passa a ser executado no próprio domicílio, majoritariamente no período noturno, enquanto a criança dorme.

“Na pediatria, o foco vai muito além de tratar a disfunção orgânica. Nosso propósito é viabilizar terapias que protejam o crescimento e a saúde mental da criança. A diálise peritoneal permite que esses pacientes mantenham o convívio familiar contínuo, frequentem a escola e brinquem com autonomia e segurança”, pontua a Dra. Maria Cristina Andrade, coordenadora da Nefrologia do Sabará Hospital Infantil.

Sinais de Alerta na Infância
Por se tratar de uma evolução silenciosa, médicos reforçam a necessidade de atenção a sintomas característicos de disfunções renais em menores:

  • Inchaço persistente (edema) nos olhos e pernas;
  • Diminuição severa ou sangue na urina;
  • Infecções urinárias de repetição;
  • Hipertensão arterial na infância;
  • Dificuldade crônica para ganhar peso ou crescer;
  • Anemia de difícil tratamento.

A avaliação precoce com o pediatra geral e o encaminhamento ágil ao nefrologista pediátrico evitam o agravamento abrupto da insuficiência renal.

Treinamento e Suporte

Antes de levar a máquina e os insumos para casa, pais e cuidadores passam por uma imersão teórica e prática com uma equipe multiprofissional (médicos, enfermeiros, nutricionistas e psicólogos). O suporte segue por telemonitoramento contínuo para suporte e identificação de intercorrências. A diálise peritoneal pode abranger desde recém-nascidos e lactentes até adolescentes, sendo frequentemente a modalidade de escolha para os pacientes de menor idade devido à fragilidade dos acessos vasculares periféricos nessa fase.

“Quando há indicação clínica e engajamento familiar estruturado, os resultados são excelentes. Nosso maior objetivo é mostrar, justamente neste Dia Nacional da Diálise, que o tratamento não define quem a criança é e que ela pode continuar vivendo plenamente sua infância”, conclui a Dra. Maria Cristina Andrade.

Mitos e verdades sobre a diálise peritoneal em crianças

  • A criança em diálise peritoneal pode frequentar a escola?
    Verdade. Com o quadro clínico controlado, a criança deve frequentar as aulas. Como o processo costuma ocorrer à noite, em casa, o impacto no cronograma escolar é mínimo.
  • A criança pode brincar e realizar atividades físicas?
    Verdade. Brincadeiras e exercícios adequados à idade são incentivados para o desenvolvimento motor. Cuidados específicos são necessários apenas para proteger o cateter abdominal contra impactos diretos.
  • A família consegue aprender a realizar o tratamento sozinha?
    Verdade. O treinamento prévio oferecido pelas equipes de saúde capacita os responsáveis a manusear materiais e reconhecer intercorrências com total segurança.
  • A diálise peritoneal impede que a criança viaje?
    Mito. Viagens são possíveis desde que planejadas com antecedência para garantir o transporte de insumos e mapear suporte médico na região de destino.
  • A diálise peritoneal causa dor?
    Mito. O procedimento padrão é indolor. Desconfortos ou distensões iniciais são normais no período de adaptação e corrigidos com ajustes médicos.
  • A criança precisa morar ou viver internada?
    Mito. Após a implantação cirúrgica do cateter e a estabilização, todo o acompanhamento é domiciliar e ambulatorial, reduzindo drasticamente as taxas de hospitalização.

Fonte: Sabará Hospital Infantil  tem mais de 60 anos de história e é referência em saúde infantojuvenil no país, sendo um dos primeiros hospitais exclusivamente pediátricos do Brasil a conquistar acreditação pela Joint Commission International (JCI), desde 2013. Conta com uma equipe multiprofissional altamente qualificada, preparada para atender desde casos simples até os mais raros e complexos da pediatria.

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