Psicóloga explica por que alterações emocionais durante a gestação não devem ser tratadas como algo comum

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A depressão pós-parto costuma ser associada ao período depois do nascimento do bebê. Mas os primeiros sinais de sofrimento emocional podem aparecer ainda durante a gestação.
Segundo Rafaela Schiavo, psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline, muitas mulheres chegam ao pós-parto com sintomas que já estavam presentes antes do nascimento da criança. O problema é que tristeza persistente, ansiedade, irritabilidade, culpa e exaustão emocional durante a gravidez ainda são, muitas vezes, confundidas com alterações esperadas do período.
Para a especialista, esse olhar pode atrasar o cuidado.
“Grande parte das mulheres que apresentam problemas de saúde mental no puerpério já estava apresentando sinais desde a gestação. Se a gente começasse a cuidar da saúde mental das mulheres nesse período, diminuiria muito as chances de esses problemas se manterem ou se agravarem no pós-parto”, afirma.
A psicóloga explica que a gravidez envolve mudanças físicas, hormonais, emocionais e sociais, mas isso não significa que todo sofrimento deva ser naturalizado. Quando a mulher passa semanas sem energia, perde o interesse por atividades, sente culpa intensa, tem crises de ansiedade ou dificuldade para funcionar no dia a dia, é preciso atenção.
Entenda
- Depressão pós-parto pode começar antes do parto?Sim. Em muitos casos, os sintomas aparecem durante a gestação e continuam depois do nascimento do bebê. Por isso, profissionais da área têm usado cada vez mais o termo depressão perinatal, que considera tanto a gravidez quanto o pós-parto.
- Quais sinais merecem atenção na gravidez?Tristeza persistente, crises de choro, ansiedade intensa, culpa frequente, irritabilidade, isolamento, sensação de incapacidade, alterações importantes no sono ou no apetite e perda de interesse por atividades que antes faziam sentido.
- Toda grávida que se sente triste está com depressão?Não. A gestação pode trazer medo, insegurança e cansaço. O alerta aparece quando esses sentimentos são frequentes, intensos ou passam a interferir na rotina, no autocuidado, nos vínculos e no acompanhamento da gravidez.
- Por que muitas mulheres não pedem ajuda?A maternidade ainda é cercada pela ideia de felicidade obrigatória. Muitas mulheres têm medo de serem julgadas por não se sentirem plenas ou felizes durante a gravidez. Com isso, escondem o sofrimento ou tentam seguir sozinhas.
- O que pode ajudar na prevenção?A avaliação psicológica durante o pré-natal pode identificar fatores de risco, sintomas iniciais e situações de vulnerabilidade. O apoio da família e do parceiro também é importante, especialmente quando reduz a sobrecarga e permite que a mulher fale sobre o que sente sem ser julgada.
Rafaela reforça que cuidar da saúde mental na gestação não é excesso de zelo. É uma forma de proteger a mulher, o bebê e a relação que começa a ser construída antes mesmo do nascimento.
“Os problemas de saúde mental nesse período são muito frequentes. Por isso, toda mulher deveria passar por uma avaliação psicológica durante a gravidez”, diz.
Fonte: Profª-Dra. Rafaela de Almeida Schiavo é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil.

