Suor Excessivo é Doença?

Suor excessivo é doença? Conheça os sinais da hiperidrose e as opções de tratamento

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Hiperidrose: conheça 7 sinais e veja como tratar o suor excessivo

Condição pode afetar mãos, pés, axilas e rosto, comprometer atividades cotidianas e exigir tratamento individualizado; cirurgia é indicada apenas para pacientes selecionados

Suar é um mecanismo natural do organismo para regular a temperatura. Quando a transpiração ocorre em quantidade maior do que a necessária, mesmo sem calor intenso ou esforço físico, pode caracterizar a hiperidrose. A condição costuma atingir mãos, pés, axilas e rosto e pode interferir no trabalho, nos relacionamentos e na autoestima. Há diferentes opções de tratamento, de acordo com as características e a gravidade de cada caso.

“Muitos pacientes passam anos adaptando as roupas, o trabalho e até as relações sociais para conviver com o suor excessivo. Ao normalizar essas limitações ou atribuí-las apenas ao nervosismo, acabam adiando uma avaliação que poderia identificar a condição e indicar formas de controle”, explica o cirurgião torácico Dr. Alessandro Mariani, Professor Doutor de Cirurgia Torácica da FMUSP e Preceptor de Cirurgia Torácica Robótica.

A hiperidrose pode ser primária ou secundária. A forma primária geralmente é localizada, costuma aparecer na infância ou na adolescência e tende a diminuir durante o sono. Já a secundária pode estar relacionada a alterações endócrinas, metabólicas ou neurológicas, infecções e uso de determinados medicamentos. Nesses casos, a transpiração pode ser generalizada, começar na vida adulta ou ocorrer durante a noite.

Para o Dr. Alessandro Mariani, alguns sinais merecem atenção:

  1. Suor desproporcional à situação: transpiração intensa mesmo em ambientes frescos, durante o repouso ou sem esforço físico;
  2. Mãos constantemente molhadas: dificuldade para escrever, usar telas, segurar objetos e instrumentos ou cumprimentar outras pessoas;
  3. Roupas frequentemente encharcadas: manchas extensas nas axilas ou necessidade de trocar de roupa mais de uma vez ao dia;
  4. Pés excessivamente úmidos: desconforto ao usar calçados, mau odor, irritações na pele e maior propensão a infecções locais;
  5. Suor intenso no rosto ou couro cabeludo: episódios que podem dificultar atividades profissionais e interações sociais;
  6. Impacto na rotina: mudança na escolha de roupas, abandono de atividades, constrangimento, isolamento ou prejuízo no desempenho profissional;
  7. Início repentino ou suor durante o sono: principalmente quando o quadro começa na vida adulta, é generalizado ou vem acompanhado de outros sintomas.

“O diagnóstico não depende apenas da quantidade de suor observada durante a consulta. É necessário entender quando o problema começou, quais áreas são afetadas, se ocorre durante o sono e quanto interfere na vida do paciente”, afirma o cirurgião torácico.

Possíveis tratamentos para a hiperidrose

A escolha por um tipo de tratamento não segue uma fórmula única. A identificação da causa do suor excessivo, bem como a localização, intensidade, idade, condições clínicas e expectativas precisam ser consideradas. A partir disso é que o tratamento será definido, podendo exigir uma combinação de medidas.

  • Antitranspirantes de uso clínico: produtos com substâncias como o cloreto de alumínio costumam ser utilizados como tratamento inicial, principalmente em quadros localizados, e devem ser usados conforme orientação profissional;
  • Toxina botulínica: aplicada na região afetada, reduz temporariamente os sinais nervosos que estimulam as glândulas sudoríparas. O efeito não é definitivo e o tratamento precisa ser repetido;
  • Medicamentos orais: algumas medicações reduzem a produção de suor, mas podem causar efeitos adversos, como boca seca, alterações visuais e constipação. Por isso, a indicação deve ser individualizada e acompanhada por um médico;
  • Procedimentos locais: determinadas técnicas podem atuar diretamente sobre as glândulas sudoríparas, sobretudo na região das axilas. A disponibilidade e a indicação variam conforme o caso;
  • Simpatectomia torácica por vídeo: procedimento minimamente invasivo que interrompe parte dos sinais do sistema nervoso simpático responsáveis por estimular o suor. É considerada principalmente nos casos graves de hiperidrose, quando o quadro compromete significativamente a qualidade de vida e outras alternativas não apresentaram resultados adequados.

“A cirurgia não deve ser a primeira alternativa nem ser indicada apenas porque o paciente sua muito. Ela exige seleção criteriosa, confirmação de que se trata de hiperidrose e uma conversa transparente sobre benefícios e possíveis efeitos, principalmente a sudorese compensatória, que é o aumento da transpiração em outras regiões do corpo”, finaliza Dr. Alessandro Mariani

Fonte: Dr. Alessandro Mariani é cirurgião torácico, Professor de Cirurgia Torácica da FMUSP, Doutor em Cirurgia Torácica, Preceptor de Cirurgia Torácica Robótica e coordenador da Cirurgia Torácica no Instituto Central do Hospital das Clínicas da FMUSP. Foi criador e coordenador do grupo de estudo em infecções pulmonares da European Society of Thoracic Surgeons, primeiro chairperson do grupo de estudo de cirurgia torácica da WAIDID, professor convidado no Einstein College of Medicine, em Nova York, além de criar e coordenar por quatro anos a pós-graduação em Cirurgia Torácica Robótica do Hospital Israelita Albert Einstein.

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