Influenciadoras Malu Borges e Lore Improta

Malu Borges e Lore Improta enfrentam diástase abdominal: quando a barriga que não volta ao normal exige tratamento?

Influenciadoras compartilharam suas experiências após a gravidez e chamaram atenção para uma condição que vai além da estética; cirurgião Murilo Rocha explica quando exercícios são suficientes e em quais casos a cirurgia pode ser indicada

A recuperação do corpo após a gravidez voltou a ganhar destaque nas redes sociais depois que Malu Borges e Lore Improta compartilharam suas experiências com a diástase abdominal. Três meses após o nascimento da segunda filha, Malu vem realizando treinos personalizados para recuperar a musculatura do abdômen, enquanto Lore revelou recentemente que passou por uma cirurgia na qual foram corrigidas uma hérnia umbilical e a diástase remanescente. Os relatos reacenderam uma dúvida comum entre mulheres que passaram pela maternidade: quando a barriga que permanece projetada é uma mudança natural do pós-parto e quando pode indicar um problema que precisa de tratamento?

A condição é caracterizada pelo afastamento dos músculos retos do abdômen, provocado pelo alargamento da linha alba, estrutura de tecido conjuntivo que une essa musculatura. Embora seja frequentemente associada à gravidez, a diástase também pode ocorrer em homens e mulheres que nunca tiveram filhos. Dependendo da intensidade e das características individuais, pode provocar uma saliência na região central da barriga, especialmente durante esforços físicos, e coexistir com hérnias da parede abdominal.

Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Murilo Rocha, especialista em hérnias da parede abdominal, diástase e cirurgia robótica, é importante compreender que nem toda alteração no formato do abdômen representa um problema exclusivamente estético. “Muitas pessoas procuram atendimento porque percebem que a barriga continua projetada mesmo depois de perder peso. Entretanto, precisamos avaliar se existe um afastamento muscular, qual é a intensidade dessa alteração e se há comprometimento funcional ou presença de hérnias associadas”, explica.

Por que a barriga pode continuar projetada mesmo após o emagrecimento?

Uma das principais características da diástase é a alteração no contorno abdominal, que pode permanecer mesmo quando a pessoa perde peso ou mantém uma rotina de exercícios. Isso acontece porque o afastamento dos músculos retos não é a mesma coisa que o acúmulo de gordura. Em algumas situações, a saliência se torna mais perceptível ao levantar da cama, realizar determinados movimentos ou contrair a musculatura abdominal.

No pós-parto, o afastamento dos músculos é uma adaptação frequente às mudanças provocadas pela gestação. A recuperação pode acontecer gradualmente, mas varia conforme as características de cada mulher. Por isso, a persistência de uma barriga projetada não significa, necessariamente, que exista indicação cirúrgica.

O caso de Malu Borges chama atenção justamente para a possibilidade de recuperação por meio de exercícios individualizados. A influenciadora vem realizando um programa progressivo de fortalecimento, que começou com atividades de respiração e Pilates e avançou para exercícios voltados à musculatura abdominal. Entretanto, o tratamento precisa respeitar a avaliação e as necessidades de cada paciente, sem a expectativa de que todas as mulheres apresentem a mesma evolução.

Diástase e hérnia abdominal são a mesma coisa?

O relato de Lore Improta também trouxe à tona uma dúvida importante. A dançarina contou que, durante a avaliação médica, foi identificada uma hérnia umbilical e que a condição acabou sendo tratada durante uma cirurgia que também incluiu a correção da diástase remanescente.

Apesar de poderem aparecer juntas, as duas alterações são diferentes. A diástase corresponde ao afastamento dos músculos retos do abdômen, sem necessariamente existir uma abertura na parede abdominal. Já a hérnia ocorre quando há um defeito ou uma área de fraqueza que permite a protrusão de gordura ou de outras estruturas internas.

“A diástase não deve ser confundida com uma hérnia. São alterações diferentes, embora possam coexistir. Por isso, o diagnóstico precisa ser individualizado, considerando o exame físico, os sintomas e, quando necessário, exames de imagem. Essa avaliação é fundamental para definir a melhor abordagem”, ressalta Murilo.

Quando os exercícios são suficientes e quando a cirurgia é necessária?

Nem toda diástase exige intervenção cirúrgica. Em muitos casos, o acompanhamento fisioterapêutico e a realização de exercícios orientados podem contribuir para melhorar a função da musculatura abdominal, a estabilidade do tronco e o controle dos movimentos. A escolha do tratamento depende de fatores como sintomas, limitações funcionais, presença de hérnias associadas e resposta às medidas conservadoras.

Quando existe indicação de cirurgia, técnicas minimamente invasivas, incluindo a cirurgia robótica, podem ser consideradas em situações selecionadas. A tecnologia oferece visão ampliada e instrumentos articulados, que facilitam movimentos precisos durante a reconstrução da parede abdominal. Entretanto, a escolha da técnica depende das características de cada paciente e não representa uma solução obrigatória para todos os casos.

“A cirurgia robótica ampliou nossas possibilidades de tratamento, especialmente em reconstruções mais complexas da parede abdominal. Mas o mais importante não é utilizar uma tecnologia específica, e sim escolher a técnica adequada para cada situação, buscando segurança, recuperação funcional e resultados duradouros”, destaca o especialista.

Outro cuidado importante é evitar exercícios intensos ou tratamentos anunciados como soluções definitivas sem avaliação profissional. Embora a preocupação com a aparência da barriga seja frequente, uma saliência abdominal persistente pode ter diferentes causas, e identificar corretamente o problema é essencial para evitar intervenções desnecessárias.

Os relatos de Malu Borges e Lore Improta mostram experiências diferentes de recuperação, mas reforçam a importância do acompanhamento individualizado. Enquanto algumas pacientes conseguem melhorar a função abdominal com exercícios e fisioterapia, outras podem precisar de investigação mais aprofundada, especialmente quando existem hérnias associadas ou limitações funcionais.

“Nem toda barriga projetada é gordura, assim como nem toda diástase precisa ser operada. O paciente deve buscar avaliação quando percebe alterações persistentes, desconforto ou limitações nas atividades diárias. O tratamento adequado começa com um diagnóstico preciso e com a compreensão das necessidades de cada pessoa”, conclui.

Fonte: especialista Dr. Murilo Rocha é cirurgião geral e cirurgião do aparelho digestivo, com formação pela Universidade São Francisco e residência em Cirurgia do Aparelho Digestivo pelo Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo. Especialista e proctor em cirurgia robótica, atua no tratamento de hérnias da parede abdominal, diástase e obesidade. É preceptor de residência médica na Universidade Municipal de São Caetano do Sul e integra o corpo clínico de hospitais como Sírio-Libanês, Alemão Oswaldo Cruz, Nove de Julho, Vila Nova Star e rede São Luiz.

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