A criança parece bem, mas pode estar em risco: 5 sinais que os pais não devem ignorar

Alterações no comportamento, recusa alimentar e dificuldades respiratórias podem indicar problemas de saúde mesmo quando a criança aparenta estar bem, alerta pediatra
Nem sempre uma criança que está doente apresenta sinais evidentes de que algo não vai bem. Algumas condições podem começar com manifestações discretas, como mudanças no comportamento, perda de apetite ou alterações na respiração, que passam despercebidas ou são confundidas com situações comuns da infância. Por isso, observar pequenas mudanças na rotina pode ser fundamental para identificar problemas que exigem atenção médica.
Segundo o médico Otávio Rubin de Araujo, formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e com experiência em pronto atendimento e emergência pediátrica, as doenças podem se manifestar de maneiras diferentes nas crianças, inclusive por meio de sintomas inespecíficos. “Crianças são grandes caixinhas de surpresa. Muitas doenças podem se manifestar de formas diferentes, incomuns e até mesmo inespecíficas. Os pais conhecem o comportamento habitual dos filhos e precisam estar atentos quando algo muda de forma repentina”, explica.
Confira cinco sinais que merecem atenção dos pais:
- Mudanças repentinas de comportamento
Uma criança que costuma brincar e interagir com o ambiente, mas passa a apresentar um comportamento muito diferente do habitual, merece atenção. Alterações repentinas na disposição, na interação e nos padrões de sono podem indicar que algo não está bem.
- Recusa alimentar persistente
A diminuição ou recusa da alimentação é um sinal que não deve ser ignorado, especialmente quando persiste. Segundo o médico, crianças podem desenvolver desidratação e hipoglicemia, condição caracterizada pela queda dos níveis de glicose no sangue, com mais facilidade. Por isso, a persistência desse comportamento exige avaliação médica.
- Perda de peso ou dificuldade para ganhar peso
O acompanhamento do peso é um dos principais indicadores do crescimento e desenvolvimento infantil. Nos primeiros anos de vida, o ganho costuma ser mais acelerado, diminuindo gradualmente com a idade. A perda de peso, especialmente em crianças pequenas, ou a ausência do ganho esperado, deve ser investigada.
- Esforço para respirar
A dificuldade respiratória nem sempre começa com uma falta de ar evidente. Um dos sinais de alerta é o esforço realizado pela criança para respirar, que pode ser percebido quando a região entre as costelas, a barriga ou a base do pescoço afunda durante a respiração.
De acordo com dr. Otávio, isso acontece porque o organismo passa a utilizar músculos adicionais para compensar o comprometimento respiratório. Mesmo que a criança inicialmente pareça bem, esse esforço pode evoluir para um quadro mais grave e que exija atendimento médico imediato.
- Alterações na aparência da pele
A pele também pode apresentar sinais importantes. Palidez, mudanças na coloração e o aparecimento de manchas ou lesões merecem atenção, principalmente quando acompanhados de outros sintomas.
O pediatra explica que algumas crianças com febre apresentam um aspecto rendilhado na pele, semelhante a uma rede de áreas avermelhadas intercaladas com a coloração habitual. Também existem doenças que provocam vermelhidão e lesões cutâneas. Essas alterações precisam ser avaliadas considerando o estado geral da criança.
Febre: quando é hora de procurar atendimento?
Embora seja um dos sintomas que mais preocupam os pais, a febre nem sempre representa uma situação grave. Trata-se de uma resposta natural do organismo, que pode ocorrer em diferentes condições, incluindo processos infecciosos e inflamatórios.
Segundo dr. Otávio, a persistência da febre por mais de três dias ou a dificuldade para controlá-la são situações que justificam avaliação médica. Entretanto, a necessidade de atendimento também depende da idade, do estado geral e dos sintomas associados. Em bebês menores de três meses, febre de 38 °C ou mais exige avaliação imediata.
Na experiência do médico em pronto atendimento pediátrico, as doenças respiratórias estão entre as situações que mais surpreendem os responsáveis. Embora a pneumonia seja uma preocupação frequente, condições como bronquiolite e crises de asma também podem provocar quadros graves e evoluir rapidamente. “Muitas vezes, os sintomas iniciais são apenas de um resfriado”, alerta o pediatra.
Medicar em casa pode esconder sinais importantes?
O uso de medicamentos para aliviar sintomas comuns, como febre, dor e náusea, não é necessariamente inadequado, desde que seja feito com responsabilidade e orientação médica prévia. O pediatra que acompanha a criança pode indicar quais medicamentos utilizar e as doses apropriadas.
O cuidado deve ser ainda maior com medicamentos como antibióticos e corticoides, que não devem ser administrados sem prescrição médica. “O uso inadequado dessas substâncias pode mascarar sintomas, agravar o quadro ou provocar novos problemas”, explica dr. Otávio.
A importância do olhar dos pais
Para dr. Otávio, além dos sinais clínicos, a percepção dos pais sobre mudanças no comportamento dos filhos é fundamental. “Na pediatria, existem inúmeros protocolos, tabelas e diretrizes, mas é fundamental perceber a criança: como ela está, seu estado geral, sua alimentação e seu comportamento. Confiem nos instintos de pai e mãe”, destaca. Segundo ele, essa atenção individualizada é um dos aspectos que tornam a pediatria tão desafiadora. “Procurem pediatras que escutem, que enxerguem a criança por quem ela é”, conclui dr. Otávio Rubin de Araújo.
Fonte: médico Otávio Rubin de Araujo, formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

