Psiquiatra explica a melhor maneira de introduzir medicamentos em crianças com TEA e evitar tentativa e erro

Dr. Guido Boabaid explica em quais casos a medicação passa a ser necessária e como testes farmacogenéticos auxiliam médicos na personalização do tratam
Um dos principais desafios enfrentados por médicos e familiares é que a resposta aos medicamentos varia significativamente entre as crianças, o que pode levar a sucessivas tentativas terapêuticas, efeitos adversos e desgaste emocional ao longo do tratamento. Segundo o médico psiquiatra Dr. Guido Boabaid May, CEO da GnTech, a medicação costuma ser indicada principalmente em situações em que os sintomas colocam em risco a integridade física da criança, comprometem o seu desenvolvimento ou dificultam o avanço terapêutico.
Neste cenário, a medicação costuma ser indicada no TEA (Transtorno do Espectro Autista) e os testes farmacogenéticos vêm auxiliando médicos na escolha mais precisa de medicamentos e dosagens, reduzindo riscos e aumentando a segurança terapêutica. “O tratamento farmacogenético pode ajudar nessa escolha mais adequada para cada paciente, reduzindo efeitos adversos e evitando a chamada peregrinação terapêutica, especialmente em crianças e adolescentes neurodivergentes”, explica o médico psiquiatra.
Para aqueles que já passaram por múltiplas tentativas medicamentosas sem sucesso, a farmacogenética vem como uma ferramenta capaz de trazer mais assertividade. “Quando conseguimos individualizar o tratamento, aumentamos as chances de respostas mais positivas e previsíveis. O objetivo não é substituir terapias, mas ajudar a criança a ter mais estabilidade e qualidade de vida”, pontua.
O especialista ainda lembra que o tratamento não diagnostica o TEA e não substitui a avaliação clínica, mas qualifica a tomada de decisão, reduz a tentativa e erro, aumenta a segurança e precisão do tratamento de sintomas associados, como ansiedade e epilepsia. “Em muitos casos, famílias enfrentam um longo caminho até encontrarem uma estratégia terapêutica eficaz e bem tolerada pela criança”, lembra o médico.
Além da redução de riscos, o uso da farmacogenética também contribui para um acompanhamento de respeito às particularidades biológicas de cada um. Para Guido, a tendência é que esse tipo de abordagem esteja cada vez mais presente no cuidado em saúde mental e neurodesenvolvimento. “Cada organismo responde de forma única aos medicamentos. A medicina de precisão vem justamente para tornar o tratamento mais individualizado, seguro e baseado nas características de cada paciente”, finaliza.
Fonte: Guido Boabaid May – Médico psiquiatra há mais de 32 anos, com mais de 110 mil consultas realizadas, mais de 1.100 pacientes em tratamento guiado com teste farmacogenético e pioneiro da farmacogenética no Brasil. Guido também é fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil, com mais de 25 mil testes farmacogenéticos realizados sob sua liderança, a empresa é detentora do maior banco de dados de farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e é autor do livro “Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025.

