Pediatra alerta que amamentar exige rede de apoio e que aleitamento misto também traz benefícios

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Campanha conscientiza sobre os desafios reais do aleitamento materno e a importância de acolher a mãe sem julgamentos
Agosto é o mês de conscientização sobre a importância do aleitamento materno. Mais do que reforçar os benefícios do leite materno, a campanha também convida a sociedade a olhar para os desafios enfrentados por milhares de mulheres durante a amamentação.
Segundo a pediatra Dra. Anna Dominguez Bohn, presidente do Núcleo de Estudos da Criança e do Adolescente com Deficiência da Sociedade de Pediatria de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, um dos maiores equívocos é acreditar que amamentar seja um processo simples ou que dependa apenas da dedicação da mãe. “Cada mulher e cada bebê vivem uma experiência única. Amamentar não é um processo simples e natural para todas. Muitas mães enfrentam dor, dificuldades na pega, alterações na produção de leite, cansaço e insegurança. Por isso, informação, acolhimento e uma rede de apoio são fundamentais para que a amamentação aconteça da melhor forma possível”, afirma.
A especialista também faz questão de deixar uma mensagem importante para as famílias: “Cada dia de amamentação representa uma conquista. Mesmo quando o aleitamento materno não é exclusivo, a presença do leite materno continua trazendo benefícios importantes para a saúde do bebê.”
O leite materno é um alimento vivo
O leite materno transfere anticorpos da mãe para o bebê, oferecendo proteção imediata. Ele contém substâncias que ajudam o sistema imunológico do bebê a aprender a regular suas próprias respostas e favorece a formação de uma microbiota intestinal saudável, essencial para o desenvolvimento da criança.
Além da proteção contra infecções, a amamentação contribui para o desenvolvimento cerebral e neurológico. Também favorece a formação da musculatura envolvida na sucção, na deglutição e, futuramente, na fala. Outro ponto importante é o desenvolvimento saudável da face e da cavidade oral, com redução dos impactos do uso frequente e prolongado de mamadeiras e chupetas.
Outro benefício é a redução da ocorrência de doenças como diarreias, otites, pneumonias e outras infecções respiratórias, especialmente nos primeiros meses de vida. A introdução da amamentação logo após o nascimento permite que o bebê receba o colostro, rico em anticorpos e células imunológicas. Isso oferece proteção desde os primeiros dias e contribui para a redução da mortalidade infantil.
Amamentação exige apoio
Embora os índices de aleitamento materno tenham avançado nas últimas décadas, a amamentação ainda enfrenta desafios importantes no Brasil. A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e sua manutenção, com alimentação complementar, até os dois anos ou mais. No entanto, fatores como o retorno precoce ao trabalho, a informalidade, a falta de creches, a escassez de profissionais capacitados e a ausência de uma rede de apoio ainda dificultam esse processo para muitas famílias.
Segundo a Dra. Anna, as dificuldades mudam ao longo da amamentação e exigem acompanhamento individualizado. “Os desafios dos primeiros dias de vida do bebê são diferentes daqueles enfrentados dois ou três meses depois. Por isso, cada mãe e cada bebê precisam de orientação individualizada ao longo dessa jornada.”
Ela destaca ainda que o apoio da família é decisivo para o sucesso da amamentação. “O pai e toda a rede de apoio têm um papel fundamental. Reduzir o estresse, o cansaço e a sobrecarga da mãe contribui para que esse processo seja mais tranquilo e seguro.”
A pediatra também faz um alerta para que a discussão sobre o aleitamento materno seja conduzida sem culpabilizar as mães. “Precisamos informar e apoiar, nunca julgar. O mais importante é que as mães tenham acesso à orientação adequada, acolhimento e uma rede de apoio para viver esse momento da melhor forma possível.”
Fonte: Dra. Anna Dominguez Bohn é pediatra formada pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Terapia Intensiva Pediátrica, Síndrome de Down, Neurociência e Desenvolvimento Infantil. É Presidente do Núcleo de Estudo da Criança com Deficiência da Sociedade de Pediatria de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria. Atualmente integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, além de atuar nos hospitais Sírio-Libanês e Vila Nova Star. CRM 150.572 | RQE 106869 / 1068691

